Aconteceu nesta segunda-feira (29) a audiência pública sobre a fiscalização nas agroindústrias familiares gaúchas. O encontro, que reuniu quase 200 pessoas, foi promovido pela Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembleia Legislativa e ocorreu na Câmara de Vereadores de Cachoeira do Sul.
O deputado estadual Altemir Tortelli, integrante da Comissão, esteve na audiência pública e se disse indignado com a forma como as fiscalizações aconteceram e com as penalizações aos agricultores familiares. "É inadmissível esse tratamento a esses trabalhadores. Os agricultores familiares não podem ser tratados como bandidos. Eles sustentam o Brasil. O mínimo que se espera é o reconhecimento destas arbitrariedades e um pedido de desculpas", afirmou Tortelli.
Durante a audiência pública, vários agricultores familiares se manifestaram. Entre eles, o casal André e Luciana Piovesan, que se disseram humilhados com a ação dos policiais civis e militares. "Como vou explicar à minha filha de quatro anos que policiais armados olharam até embaixo da cama dela buscando não sei o quê?", indagou André.
Outra manifestação foi feita pela agricultora Silvana Petry, que pediu leis mais claras e que beneficiem aqueles que trabalham no campo. "Precisamos de leis que trabalhem em prol dos agricultores familiares para que nossos filhos continuem trabalhando no campo. Temos que ter orgulho e dizer 'Eu sou agricultor'", disse Silvana.
No encontro, Tortelli ainda disse que quem está falhando não são os agricultores, mas sim o Estado. "A prefeitura não cumpriu o seu papel de fiscalizar e orientar, então, ela que deveria ser penalizada, não os agricultores", concluiu o deputado.
Ao final da audiência pública, a representante do Ministério Público, a Promotora de Justiça Caroline Vaz, pediu desculpas aos agricultores se houve excessos e abusos de autoridade e, também, pela omissão nas fiscalizações.