Um projeto piloto de inclusão digital despertou o interesse das agricultoras rurais de uma comunidade inteira no município de Campinas do Sul. Todas as terças-feiras à tarde, elas deixam seus afazeres nas lavouras e em casa, na comunidade Bela Esperança, para participar do projeto que vem sendo desenvolvido pela Emater/RS-Ascar em parceria com a prefeitura. As informações de tecnologia digital são repassadas pela equipe do escritório municipal da Emater/RS-Ascar, integrada pelos extensionistas Anderson Ogliari, Anderson Ribeiro, Carlos Carraro e Rosangela Montepó, junto ao telecentro e biblioteca municipal. O curso iniciou na primeira semana de junho e está na 9ª aula, com previsão de termino no final de agosto. Estão participando do curso 22 agricultoras com faixa etária de 20 anos aos 78 anos.
Um exemplo é da produtora Diolé Sampi, 61 anos, professora aposentada, uma das 22 participantes do grupo, que lembra que na sua época o trabalho era feito com máquina de escrever. Ela conta que tinha dificuldades em mexer com o celular e com ajuda dos netos foi perdendo o medo. "Não podemos ter vergonha de aprender. Eu não sabia nada de computador. Depois que a gente perde o medo fica mais fácil", revela. No curso, conta ela, em todas as aulas se aprende um pouco. Diolé elogiou a capacidade e o conhecimento da equipe da Emater/RS-Ascar em repassar as orientações. Para ela, o curso é interessante e deveria ser oportunizado a todas as comunidades, porque também ajuda a ampliar os conhecimentos.
Angelita Balen, de 47 anos, também está satisfeita com o aprendizado até agora. "A gente aprende bastante", diz ao destacar que já sabia um pouco. Angelita participa do curso juntamente com sua mãe, de 78 anos. Ela diz que já acessava uma rede social com ajuda da filha. "Nos dias de hoje todos deveriam ter acesso à internet", opina. Apesar de estarem satisfeitas com o curso, elas manifestam preocupação com a falta de internet no meio rural.
A extensionista rural Rosangela Montepó lembra que o interesse das agricultoras surgiu a partir das atividades de Extensão Rural desenvolvidas pela Emater/RS-Ascar no dia a dia na comunidade e como sugestão no planejamento pelas agricultoras e pela curiosidade delas com o celular e o computador. A ideia, segundo Rosangela, é estender o curso para as demais comunidades. A extensionista observa que o aprendizado pode ajudar na melhoria da qualidade de vida delas e que elas já estão acessando sites de receitas, informações sobre ajardinamento e outras informações que podem trazer benefícios para a vida delas. "É importante o domínio desta ferramenta", complementa. O curso já traz resultados, por exemplo, na aula de hoje (1º de agosto) elas estão exercendo a cidadania e participando da Consulta Popular.
A prefeitura disponibiliza o transporte das produtoras da comunidade Bela Esperança até a sede do município, onde acontece a capacitação que possibilita às agricultoras a inclusão digital e também oportuniza a inclusão social.
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