O Rio Grande do Sul deve fechar o ano de 2017 com o registro de sete mil ocorrências de abigeato. Embora alto, o número representa uma redução em relação ao verificado em anos anteriores. Em 2015, por exemplo, houve mais de 10 mil ocorrências deste tipo de crime, conforme dados da Secretaria de Segurança, apresentados na audiência pública conjunta da Comissão de Segurança e Serviços Públicos da Assembleia Legislativa e da União Nacional dos Legisladores e Legislativos (Unale), realizada na manhã de sexta-feira (1º) no Parque de Exposições Assis Brasil, em Esteio.
Delegacias especializadas
A queda dos indicadores, segundo o representante da pasta, coronel César Augusto Pereira, é resultado do trabalho da Força Tarefa de Combate ao Abigeato e da Operação Avante Rural, da Brigada Militar. A criação de cinco delegacias especializadas em crimes na área rural, anunciadas na última semana pelo governador José Ivo Sartori, deverá, na avaliação de Pereira, ser decisiva para diminuir ainda mais a prática.
O presidente da Comissão de Segurança e Serviços Públicos, Catarina Paladini (PSB), afirmou que é preciso definir estratégias para combater o crime que se alastrou na zona rural por meio de organizações criminosas. “São mais de mil cabeças de gado subtraídas das propriedades, gerando um prejuízo para os pecuaristas de mais de R$ 2 milhões ao ano”, revelou o parlamentar.
O deputado Ronaldo Santini (PTB) defendeu o aumento das penas para os abigeatários e para os receptadores da carne furtada ou roubada. Para ele, o problema não se restringe à segurança pública, mas avança sobre a área da saúde da população.
Modelo
O presidente da Unale, deputado estadual do Piauí, Luciano Nunes (PSDB), considera que o Rio Grande do Sul está à frente dos demais estados brasileiros no combate ao abigeato e que as experiências desenvolvidas deverão servir de modelo para outros lugares.
No final do encontro, o deputado Catarina Paladini anunciou uma série de medidas que serão adotadas pela Comissão de Segurança e Serviços Públicos para contribuir no enfrentamento do problema. Entre as ações, está a criação de um grupo de trabalho para analisar questões como a integração no combate ao crime, chipagem de animais e intensificação da fiscalização. Além disso, o parlamentar propôs uma ação junto ao Congresso Nacional com vistas à alteração da legislação penal.
Também participaram da audiência os deputados Elton Weber (PSB) e Ciro Simoni (PDT).