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Saúde

Reconstrução mamária é realidade em Erechim

Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

As mulheres de Erechim e região que lutam contra o câncer de mama e que precisaram retirar as mamas, contam com uma novidade de extrema importância. Recentemente o Hospital Santa Terezinha começou a oferecer a cirurgia plástica de reconstrução mamária. O procedimento pode ser realizado pelo Sistema Único de Saúde. Até pouco tempo, as pacientes que desejavam fazer a reconstrução sem custos, precisavam ir a Porto Alegre, local mais próximo para a cirurgia. 

A novidade traz expectativa e entusiasmo para as mulheres e também para a equipe de profissionais que atuam na entidade hospitalar. 
A iniciativa é do Sistema Único de Saúde e o procedimento é realizado pelo hospital que teve o interesse em disponibilizar leitos e estrutura para que o procedimento fosse oferecido em Erechim.  
De acordo com o secretário adjunto de Saúde, Jackson Arpini, é uma demanda no SUS: ofertar o diagnóstico, o tratamento e a reabilitação. "Cabe ao poder público, possibilitar condições à população, que vão desde campanhas de orientação, prevenção, diagnóstico e encaminhamentos para tratamento. Em Erechim percebemos que o trabalho abrange todas as etapas desde a prevenção e a reabilitação após o câncer", destaca, citando ainda, que esta era uma reivindicação antiga do sistema público, que posterior ao tratamento, as mulheres tivessem uma continuidade e pudessem fazer a reconstrução da mama.  
Sobre a novidade
O médico cirurgião plástico, Daniel Gustavo Deggerone, concluiu a especialização em cirurgia plástica neste ano. Durante entrevista exclusiva ao Bom Dia, ele explicou que desde a formação se interessou pela reconstrução da mama nos casos de pacientes acometidos pelo câncer mamário. "Pensei: de que forma esse ideal poderia ser melhor aplicado. Por isso, antes da conclusão já contatei com a equipe do hospital Santa Terezinha, ver como os pacientes são encaminhados, atendidos. Constatei que o hospital presta um serviço de excelência quanto ao controle oncológico do tumor de mama. Quer dizer, o paciente tem uma avaliação, consegue fazer a cirurgia para remoção do tumor, fazer a radioterapia, quimioterapia. A atenção que gostaria de conceder é a reconstrução da mama, pois muitos pacientes tem a remoção completa, outros uma remoção parcial", explica, citando que, quase sempre, se não for feito nenhum procedimento adicional, o resultado estético fica bastante comprometido. "Por isso, essa era uma área que eu poderia melhorar ainda mais o serviço que já vinha sendo prestado. É importante que a paciente se sinta satisfeita, em harmonia com seu corpo, que possa utilizar uma roupa sem se sentir constrangida", comenta.
Conforme o médico, estimativas apontam que em torno de 12,5% de todas as mulheres, quer dizer, uma em cada oito, vão conviver com o câncer mamário em diferentes estágios, independente da faixa etária.
Diante disso, o especialista salienta que muitas vezes as mulheres ficavam curadas da doença, mas psicologicamente elas não ficavam bem, pois havia uma sequela enorme em uma área fundamental da sexualidade. "Esse é um componente fundamental que muitas pacientes menosprezam. Faço questão de motivar e explicar que elas não precisam ficar com as cicatrizes", reitera.
Daniel pontua que, com o serviço oferecido em Erechim, as pessoas podem ficar próximas da família, já conhecem a equipe médica, de enfermagem, fatores que podem auxiliar nos resultados. 
O procedimento
O processo depende de uma avaliação criteriosa, que envolve estratificar a cirurgia que foi feita para a retirada da mama, o desejo do paciente e as condições para realizar o procedimento, pois alguns pacientes precisam aguardar, melhorar o aspecto nutricional.
"O paciente vai procurar a reconstrução da mama tendo em vista duas situações: quando vê o corpo e dependendo de como foi a experiência da cirurgia. Muitas se traumatizaram com a questão da remoção do tumor, pois o diagnóstico já é traumatizante, e não querem mais saber de hospital. Aí vem a orientação da equipe que atua no trabalho", reforça.
Resultados
Segundo o médico, os resultados até o momento são muito positivos: "É algo gratificante, que nos deixa satisfeitos. Apesar de as vezes algumas pacientes não se sentirem plenamente convencidas, é uma proposta nova com um propósito nobre. Os atendimentos acontecem todas as sextas-feiras e já temos cirurgias marcadas", diz.
Demandas
O cirurgião comentou ainda, que nesse processo há uma questão relacionada ao SUS, pois há alguns pacientes que, dependendo da cirurgia que forem submetidos, precisam de alguns dispositivos: próteses e expansores de mama, os quais têm um custo relativamente alto. "Estamos trabalhando para que a entidade hospitalar consiga esses dispositivos. Gostaríamos que o hospital seja reconhecido como referência no atendimento do câncer de mama e excelência na reconstrução que pode ser feita em vários momentos", relata. 
Há locais em que o procedimento é realizado após a cirurgia de retirada da mama, porém, esse ainda não é o caso de Erechim. Daniel esclarece que a paciente realiza a reconstrução e vai seguir o tratamento oncológico. "Há estudos que comprovam que a reconstrução não possui absolutamente nenhuma relação na evolução do câncer, pelo contrário, vai melhorar a questão estética e psicológica", completa.  

A busca pela referência 
O direito à reconstrução mamária está numa portaria do SUS. A gerente de serviços do Unacon, Taís Viero, e a enfermeira Giana Dornelles Biolo, reiteram que o serviço ainda é novo, mas que o clima é de expectativa: "Do mesmo modo, estamos contatando com a coordenadoria de saúde, pois todos os pacientes que passam pela Unidade de Alta Complexidade em Oncologia, passam pela coordenadoria e o serviço também será regulado pelo órgão". 

A primeira paciente 
Aos 45 anos, Vera Regina Maito vivenciou uma experiência especial. O dia? 18 de setembro. Uma data que ficou marcada como um momento de retomada. Residente em Gaurama, ela realizou um procedimento de reconstrução da mama direita. A cirurgia de retirada de um nódulo havia sido feita em março. "Antes a chance de fazer o procedimento de reconstrução era somente em Porto Alegre, e por isso não estava muito entusiasmada. Mas depois, na última consulta com o oncologista, fiquei animada por ser aqui, próximo de casa", relatou.
Vera disse que no dia estava tranquila e confiante. "O médico cirurgião é muito bom, dedicado e me passou segurança. Após a cirurgia a sensação é inexplicável. É fundamental para se sentir mulher de novo", ressalta, orientando à mulheres que ainda estão em dúvida em relação ao procedimento. 

Direito garantido 
O coordenador regional de Saúde, José da Cruz, o procedimento de alta complexidade é mais um importante serviço disponível à população. "Para nós enquanto região é fundamental. A população às vezes não tem acesso ou condições. Por isso, digo: o sistema de saúde é o melhor do mundo, basta saber acessar", comentou. 
Segundo o coordenador, estamos vivendo em um cenário, que mesmo com dificuldades, a saúde está melhorando. "Há formas que possibilitam o mesmo direito a toda população. Mesmo as pessoas que não teriam condições, podem usufruir de procedimentos como este", ressalta, citando ainda, que "estamos avançando mais na área da medicina e quem ganha é o cidadão".

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