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Quatro Irmãos: herança cultural da imigração judaica

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QUATRO IRMÃO.JPG
Por Izabel Seehaber - izabel@jornalbomdia.com.br
Foto Arquivo BD

No município de Quatro Ir­mãos os fatos referentes à imi­gração judaica são os pontos mais fortes, considerando que os primeiros imigrantes chega­ram entre 1911 e 1913. Con­tudo, ao contrário de municí­pios como Áurea, por exemplo, a presença dos responsáveis por desbravar a localidade não pode ser facilmente identifica­da, sendo que muitos imigran­tes judeus já não residem mais no município que hoje agrega diferentes etnias.

A população, de modo geral, divide-se quanto à importância da colonização feita pelos ju­deus. Muitos chegam a comen­tar que os colonizadores chega­ram à localidade, exploraram potenciais, especialmente no comércio, e depois de reunir ri­quezas, foram desbravar outras áreas. Porém, o legado da colo­nização judaica está presente na agricultura do município, se­tor com significativa participa­ção na economia do município.

A história de Quatro Irmãos é marcada por dois importantes sím­bolos. Um deles é o antigo hospital, transformado em um memorial da imigração judaica e que foi revitaliza­do em 2012 com a participação da Federação Israelita do RS.

O outro ponto é o Cemitério Israe­lita que em 2017 completa 20 anos de seu tombamento como patrimô­nio histórico.

A história

No ano de 1990 um grupo começou a se organizar para emancipar Quatro Irmãos. A pri­meira eleição ocorreu em 2001 e a partir disso, a localidade co­meçou novamente a se estrutu­rar. “Éramos distrito de Erechim e naquele tempo a situação era outra, havia mais dificuldades, o acesso à saúde e à educação era precário. Depois houve um avan­ço. A imigração judaica, depois de vários representantes terem saído daqui, voltou com o objetivo de tentar restaurar os patrimônios, o que aconteceu em 2011 e 2012 através do Memorial”, pontuou o prefeito municipal Adilson De Vale.

Conforme o chefe do Executivo, para algumas pessoas essa parte da história não é bem vista pois se­gundo relatos históricos, eles che­garam à região, exploraram as arau­cárias e depois que não havia mais madeira e, desse modo, renda, acabaram indo embora. “Por isso, muitos veem com uma imigração que só pensou em usar os bens e recursos na região. Contudo, relem­bramos a história da imigração com pontos positivos, pois é importante resgatar os fatos que marcaram essa história de mais de 100 anos. A cidade era uma das mais bem es­truturadas, tínhamos ferrovia. Vale lembrar do período da imigração judaica, que, por falta de conheci­mento, tecnologias, as pessoas não conseguiram explorar a agricultura. O campo possui uma terra bastante ácida e na maioria das vezes pouco produtiva se não for realizada corre­ção e tratamento”, comenta.

Naquela época a madeira foi o referencial e o que propiciava ri­quezas. “Tínhamos cinema, fábri­ca de óleo, de celulose, era uma cidade estruturada e daqui saíam produtos que iam para exporta­ção”, salienta o prefeito, citando que depois desse ciclo, os judeus foram embora e ficaram somente os funcionários.

Sobre a importância de preser­var a história do município, Adilson enfatiza que como Quatro Irmãos está em formação, ainda não há condições de realizar investimen­tos significativos nessa área, mas que a prefeitura procura manter os pontos que traçam as característi­cas importantes. “Temos o objeti­vo de investir e tornar os espaços mais atrativos em relação ao turis­mo. Também recebemos muitos ju­deus que vieram de outros países. Temos participado muito sobre essas questões de turismo, pois podemos trazer mais desenvolvi­mento para a região”, relata.

Tempo que traz saudades

Na opinião do aposentado e agricultor Cláudio Kasprovicz, de 72 anos, há um potencial, uma riqueza cultural no município. “Várias são as recordações, mui­tas coisas que havia e depois se perderam. Havia médicos que vinham de outros países. Muitas são as histórias de superação do município que contava com vá­rias empresas. Enquanto Erechim só tinha um estabelecimento no ramo de cereais, Quatro Irmãos tinha empresa de óleo, de cadei­ra, de madeira, farmácias. Era um tempo bonito, que tinha de tudo e aos poucos foi acabando”, co­menta com saudosismo.

“Armazém de memórias”

Conforme o secretário de Urbanismo, Aljucir Quadros o memorial conta sobre a che­gada do povo judeu no país e na colônia Quatro Irmãos. O hospital, por exemplo, era uma referência na época, com mé­dicos vindos da Europa. “Quan­do passamos pelo memorial, observamos a importância desta localidade para a região. O povo que passou por aqui marcou a história, possibili­tou desenvolvimento. Se não existisse Quatro Irmãos talvez Erechim não tivesse essa es­trutura. A colônia abrangia em torno de 93 mil hectares des­de o município de Erebango até Entre Rios do Sul”, relata.

Através de uma visita guia­da, as pessoas podem conhe­cer melhor a história desde 1891 com a chegada da Jewish Colonization Association (ICA) – companhia colonizadora da época, a qual tinha a sede aonde hoje é a prefeitura.

O espaço pertence à Fede­ração Israelita e a prefeitura faz a conservação e divulga­ção. No local, cada espaço faz uma homenagem e determi­nados períodos da história e traz registros de documentos, objetos e obras. “O povo judeu tinha uma vida integrada ao povo que já residia na região”, pontua.

Em outro espaço especí­fico, a administração busca resgatar mais objetos que fize­ram parte do hospital. Alguns já foram doados e o objetivo é ampliar o local que já recebe a visita de muitas pessoas.

O cemitério israelita é outro ponto que atrai visitantes de várias regiões.

 

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