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Saúde

Janeiro Branco alerta para cuidados da saúde mental

Campanha iniciou há quatro anos e mobiliza profissionais de todo o país

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Por Izabel Seehaber jornalismo@jornalbomdia.com.br
Foto Izabel Seehaber

O mês de janeiro no campo da saúde é especialmente voltado às reflexões sobre o bem-estar da saúde mental e a importância desse cuidado. Por isso, uma campanha denominada "Janeiro Branco" é difundida em todo o país. O trabalho começou em Minas Gerais, em 2014, quando foram realizadas palestras em diversos espaços e uma ampla divulgação do tema.

Hoje a campanha conta com colaboradores em diversas cidades, sendo que o mês de janeiro foi escolhido de forma especial pois é geralmente o período em que as pessoas têm a sensação de um novo começo, novos planos e novo estilo de vida. Os criadores da campanha quiseram aproveitar esse momento para que as pessoas comecem o ano pensando também na saúde mental. 

A psicóloga de Erechim, Silvana Kirsten reforça que a campanha é importante pois alerta a sociedade para essa atenção especial à saúde mental e também desmistifica a ideia da psicoterapia somente para as pessoas que estão com algum tipo de transtorno. "É fundamental compreender que a psicoterapia pode acontecer como forma de promoção da saúde mental e do bem-estar emocional. Essas questões devem ser levadas a sério, considerando que vivemos em uma sociedade em que há muito apreço às questões materiais, valorização ao objeto e a saúde mental acaba ficando um pouco de lado", explica. 

No que se refere às demandas, a psicóloga pontua que os transtornos depressivos e de ansiedade são os mais comuns, sendo que os transtornos relacionados ao humor sempre tiveram uma incidência maior. O que vem aumentando são os atendimentos infantis e também os idosos. 

A cor branca da campanha representa uma página em branco, na qual poderá ser feito o planejamento do ano, inserindo o cuidado com a saúde mental, pois sem ela não é possível validar outras metas. "O período reforça o convite à sociedade para cuidar da saúde mental de si e do próximo. Ao mesmo tempo, discutir o processo de psicoterapia para que seja visto como algo que contribui no tratamento de problemas da saúde mental como também para a promoção e qualidade das emoções", salienta. 

Segundo Silvana, sentir-se triste, angustiado em alguns momentos é normal, porém, quando essas sensações começam atrapalhar o cotidiano, a atitude é de procurar ajuda. 

Mais valorização aos cuidados da mente

O médico psiquiatra erechinense, Diego Mincarone Dexheimer, destaca a crescente importância que a sociedade concede ao assunto. "Há alguns anos havia mais resistência. Temos facilidade de compreender outros problemas de saúde, porém, quando se trata do bem estar mental, nem sempre é compreendida com muita relevância. No entanto, atualmente as pessoas tratam a saúde mental como uma parte realmente importante da saúde como um todo", salienta, citando que, nesse sentido, é louvável o papel das campanhas e materiais informativos sobre o tema. "Mesmo estando em um patamar melhor, podemos crescer", pontua. 

Entre os problemas mais comuns em relação à saúde mental, estão os transtornos depressivos e de ansiedade. Porém há muitos outros que acometem a população. 

Conforme o especialista, vale ressaltar que os transtornos não escolhem o perfil e podem acometer crianças, idosos, jovens. "Ninguém está livre de passar por alguma situação de problemas relacionados à saúde mental e devemos estar atentos a isso", declara. 

O próprio convívio pode sinalizar para algum possível transtorno de ordem mental, não sendo necessariamente o médico que irá apontar. "Um dos sinais é uma mudança brusca no padrão de vida da pessoa, o modo de conviver com os amigos, alterações no modo de observar o trabalho, os estudos, por exemplo. Nem sempre é somente o fato de a pessoa estar triste por muito tempo. Por isso, as mudanças na rotina pode ser um indicativo para os transtornos", orienta. 

A procura por ajuda

O médico enfatiza que ao perceber alguma mudança é muito importante procurar ajuda, pois por muito tempo as pessoas não tratavam os transtornos mentais como problema de saúde. "Hoje em dia já melhorou essa percepção e as pessoas precisam saber que há tratamento e que pode e deve ser buscado. O preconceito com a saúde mental deve ser superado, as pessoas não devem se constranger ao buscar ajuda, pois é um problema de saúde como outro qualquer", destaca, acrescentando que quanto antes for identificado o problema, e este for tratado, melhor o processo de recuperação. 

"O preconceito com a saúde mental deve ser superado, as pessoas não devem se constranger ao buscar ajuda, pois é um problema de saúde como outro qualquer", psiquiatra Diego Dexheimer

Descanso da mente

As fases de fim e início de ano geralmente compreendem momentos em que as pessoas estão mais emotivas, e isso pode ser complicado pois envolve o contexto familiar. Sendo assim, um problema de saúde mental pode afetar muitas vezes o paciente, a família e os amigos, enfim, todo o contexto que cerca a pessoa.

Ao considerar o período, o qual muitas pessoas aproveitam para descansar e usufruir das férias, o médico lembra que devemos cuidar da saúde como um todo. "Do mesmo modo que os exercícios são importantes, as férias também são fundamentais para que possamos descansar a mente, agregar períodos de lazer, deixar um pouco de lado o trabalho, o qual abrange grande parte do nosso tempo e limita o espaço com a família, os amigos. A desaceleração é importante para não sobrecarregar a mente que também pode adoecer por excesso de trabalho, de problemas. As férias podem possibilitar um recomeço a fatos e momentos que podem ser melhorados, cuidados", enfatiza.

Saúde mental no sistema público

O município de Erechim conta com o Centro de Atenção Psicossocial (Caps) Álcool e Drogas que atende em torno de 500 pacientes por semana, totalizando dois mil atendimentos ao mês. Além disso, há o Caps II (que atende pessoas com transtorno mental grave), realizando cerca de 300 atendimentos por semana, totalizando 1.200 atendimentos ao mês.

Os atendimentos compreendem oficinas, atendimentos individuais e em grupos, além de atendimento de enfermagem.

Na rede pública também há o ambulatório de saúde mental o qual realiza em média cerca de 200 atendimentos por semana. Além disso, em todas as quintas-feiras acontece a "roda terapia", um atendimento em grupo, com coordenação das psicólogas, e participação de 40 pessoas por semana. Dois psiquiatras fazem atendimento no ambulatório que atende em média, 165 pessoas por mês. O clínico geral também atende os pacientes no ambulatório de saúde mental (em média 80 pacientes/mês).  

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