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Saúde

Hipertensão: doença silenciosa pode levar a graves complicações

Por Izabel Seehaber jornalismo@jornalbomdia.com.br
Foto Izabel Seehaber

Será que não é a pressão que "subiu"? Ou: Sua pressão está ótima, 12 por 8. Estas não algumas das expressões que provavelmente você já ouviu. O que nem todo mundo leva em conta, é que a pressão alta é um assunto sério e que deve ser monitorado em todas as idades para evitar graves doenças. A afirmação é do médico cardiologista de Erechim, Célio Fahl que concedeu uma entrevista exclusiva ao Bom Dia e esclareceu vários aspectos sobre o assunto e a importância de controlar a pressão arterial. 

Inicialmente o especialista explica que o alimento do corpo humano é o oxigênio o qual é carregado pelas hemácias que tem no sangue, e, por isso é preciso movimentar. Aí está a importância da pressão. "A bomba ejetora é o coração responsável por bombear o sangue para todos os órgãos. Temos que manter a pressão arterial em um nível considerado "normal", pois caso contrário, o sangue circula mais rápido e pressiona as artérias", pontua. 

Sendo assim, a pressão controlada pode evitar os riscos da hipertensão, a qual muitas vezes não apresenta sintomas. Por isso é algo dito como uma doença silenciosa. Mais um motivo para reforçar o tratamento e consequentemente evitar consequências que são basicamente: dano cerebral - Acidente Vascular Cerebral -, a sobrecarga cardíaca e as doenças renais. 

Célio destaca que os homens a partir dos 35 anos e as mulheres a partir dos 40 anos, devem criar um hábito a cada mês ou dois meses, reservar um tempinho para verificar a pressão arterial.

O que é a pressão normal?

Conforme o cardiologista, a pressão considerada normal é 12 por oito. Sendo que até 14 por nove é considerada normal, porém, é um paciente que deve se cuidar, pois é chamado de pré-hipertenso, ou seja, que pode ter problemas no futuro caso não se cuidar. "Nesse caso é importante fazer um tratamento não medicamentoso, controlando os fatores de risco: obesidade, estímulo à prática de exercícios, controle do colesterol, parar de fumar, diminuição do sal na comida, controle da ansiedade", orienta. 

Alerta

A hipertensão é uma doença transmitida geneticamente. "Muitas pessoas não dão atenção para a pressão arterial e é um dos grandes problemas do mundo. O que mais mata hoje em dia são as doenças cardiovasculares. De cada 10 pacientes que infartam, quatro têm pressão alta. De cada 10 que sofrem AVC, quatro apresentam o problema", cita o médico. 

O especialista enfatiza que é preciso tratar a origem dos problemas que é a pressão alta. "É um assunto sério, há medicamentos muito bons na rede pública também. Cabe à população fazer a sua parte", salienta. 

Do mesmo modo, ele alerta quanto ao cuidado com a questão do tratamento. "Há pessoas que tomam uma ou duas vezes o remédio e acham que estão curadas. Contudo, é um processo contínuo, pois é uma doença que não tem cura, mas tem tratamento o qual é adequado a cada paciente", explica.

Outro alerta do médico se refere a utilização do sal. "Utilizamos em exagero nas comidas. A recomendação da Organização Mundial da Saúde é em torno de quatro gramas. Contudo, pesquisas mostram que no RS a média de consumo é de oito gramas. Vale lembrar que sal não é tempero, é conservante. Temperos são pimenta, manjericão, salsa", acrescenta. 

Quanto aos sintomas mais comuns da hipertensão, cita-se a dor de cabeça, visão embaralhada, tontura e náusea.

 

A reportagem do Bom Dia foi às ruas na tarde de ontem (9) para observar se a população está atenta aos cuidados com a pressão arterial. Confira a seguir os resultados:

Edson Antunes (65), é comerciante e toma remédio para controlar a pressão arterial desde 1994. Ele recordou que um dia passou mal, foi consultar e descobriu que estava com a pressão alterada. O comerciante disse ainda, que já foi fumante e hoje em dia procura inserir bons hábitos no dia a dia. 

Pressão verificada: 12 por sete. 

 

Patrick Andrade (20) é auxiliar de produção e disse que não costuma verificar a pressão. Contudo, ele disse que fica em alerta porque costuma ingerir muito carboidrato durante as refeições.

Pressão verificada: 13 por 10.

 

O aposentado Paulo Kameneff é um exemplo de boa qualidade de vida. Aos 91 anos ele não toma remédio para controlar a pressão arterial e busca uma alimentação leve. O fato foi confirmado na hora da verificação da pressão que estava em 12 por sete.

A esposa Zelma também segue os bons hábitos e os dois mantêm a saúde controlada. 

Pressão verificada: 11 por cinco.

 

Já o aposentado Luiz Martinelli, de 63 anos, enfrenta uma luta diária para controlar a pressão. Mesmo tomando medicamento, verificamos que a pressão estava em 15 por 10. Segundo ele, esse é um fato frequente. "Vou consultar toda a semana e verifico a pressão arterial diariamente. Também não coloco sal nos alimentos. Mesmo assim a pressão continua alta", disse.

 

A gerente de uma loja, Roseli Kolassa, de 39 anos, comentou a reportagem que costuma fazer exames regularmente. Sobre os hábitos do cotidiano, ela relata que é um pouco sedentária e que procura cuidar os alimentos, controlando o sal. 

Pressão verificada: 12 por nove.

 

Marilene Weber, de 32 anos, disse que reforça os cuidados com a alimentação em razão do esposo que tem pressão alta e precisa tomar medicamento. 

 

Pressão verificada: 10 por oito.

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