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Saúde

Região não é área de risco de febre amarela

Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Najaska Martins

Setor de epidemiologia orienta sobre a vacinação e casos em que esta não é recomendada

De 1º de julho de 2017 a 23 de janeiro deste ano, foram registrados no país 130 casos de febre amarela, sendo que 53 vieram a óbito. Nesse mesmo período, o RS teve notificação de sete casos, sendo que quatro seguem em investigação e outros três foram descartados, além de não ter sido registrado nenhum óbito. Os dados foram divulgados nesta semana pelo Ministério da Saúde. Embora o órgão descarte que há um surto no Brasil, os recentes casos ocorridos principalmente na região central do país trouxeram um alerta e promoveram uma corrida aos postos de saúde em busca de vacinação, inclusive em Erechim.

O setor de epidemiologia da Vigilância Sanitária, orienta, porém, que há fatores que devem ser considerados antes da procura. “Em função de casos de febre amarela ocorridos anos atrás, o RS é considerado área de vacinação, ou seja, onde a vacina é recomendada. Entretanto, não somos uma área de risco e a imunização é feita rotineiramente, estando presente no calendário de vacinas para pessoas a partir dos nove meses de idade. O grande problema é que depois que iniciaram os noticiários, a procura teve um aumento significativo de pessoas que, em muitos casos, não precisam da imunização, isto é, ou que já fizeram em algum outro momento da vida, ou ainda, em que não é indicada a vacinação”, explica a coordenadora de imunizações, Carla Strapasson.

Neste sentido, a chefe do serviço de vigilância epidemiológica, Luciana Grendene, reforça a importância de as pessoas guardarem a carteira de vacinação para controle próprio e dos profissionais de saúde. “Hoje quando é feita algum tipo de imunização e apresentada a carteirinha, o profissional orienta sobre a necessidade de determinadas vacinas caso estas estejam faltando. Porém, com o alerta recente, aumentou muito a procura e por enquanto, nosso medo maior é de que com isso faltem doses para o público que realmente é alvo no momento, que são as crianças a partir dos nove meses e as pessoas que viajarão para áreas de risco. Isso porque não recebemos nenhuma quantidade extra e certamente isso não acontecerá visto que atualmente o foco são as áreas de risco”, explica.

A profissional destaca ainda que outro problema é que com a falta da carteira de vacinação, não há como ter controle se quem tem procurado as doses já está imunizado. “Guardar sempre a carteira de vacinação é fundamental, pois ela é um documento e é onde pode-se acompanhar o que já foi o que não foi feito. Isso porque o acumulo de doses também é prejudicial e pode dar algum tipo de reação. É uma vacina de vírus vivo - um pouco mais atenuado - o que causa um risco a mais de se ter um evento adverso do que outras vacinas”, completa Luciana.

Conscientização é a palavra chave

Por fim, as profissionais pedem que a população se conscientize. “Temos hoje em estoque a quantidade suficiente de vacinas para o período em situação normal. Se essa procura acima do normal continuar, teremos talvez que pensar na possibilidade de restringir para que o público alvo não fique sem, portanto é necessário que as pessoas se informem sobre a real necessidade antes de pedir pela vacina, porque afinal, não estamos em uma área de risco”, destaca Luciana.

Outro ponto a ser considerado é a validade da vacina depois de aberta. “Sugerimos a quem for procurar pela vacina, que ligue nos postos de saúde para saber quando ela pode ser feita, pois depois de aberta, a solução tem um período de validade de apenas seis horas. Devido a isso, os postos têm se organizado determinando um dia específico da semana para vacinação, para que um frasco possa ser aplicado em mais pessoas. Dessa forma, antes de ir até a UBS, é importante é que as pessoas verifiquem se é a data certa, se informem antes para que um frasco de 10 doses não seja aberto para uma única pessoa, pois nesse caso o restante seria desperdiçado”, finaliza Carla.

Sobre a febre amarela

O Ministério da Saúde explica que a febre amarela é transmitida por meio de vetor (mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes no ambiente silvestre). O último caso de febre amarela urbana foi registrado no Brasil em 1942, e todos os casos confirmados desde então decorrem do ciclo silvestre de transmissão. Trata-se de uma doença infecciosa aguda, de curta duração e gravidade variável. Os sintomas são: febre, dor de cabeça, calafrios, náuseas, vômito, dores no corpo, icterícia (a pele e os olhos ficam amarelos) e hemorragias (de gengivas, nariz, estômago, intestino e urina).

A doença é transmitida pela picada dos mosquitos transmissores infectados. A transmissão de pessoa para pessoa não existe. As profissionais chamam atenção ainda à necessidade de não matar macacos, visto que eles são um sinal de alerta. “O macaco é vítima também e quando ele morre é um sinal de que está tendo casos, pois ele é o primeiro a ser acometido. Sua morte é um alerta de que o vírus está circulando, ou seja são, eles que nos “avisam” que há algo errado”, completam.

 

Pessoas que não podem receber a vacina contra a febre amarela

Crianças menores de seis meses de idade;

Alergia à vacina ou algum de seus componentes;

Portadores da HIV com CD4 <200/mm;

Imunodeficiência primária;

Tratamentos imunossupressores ou imunomodulação

Pacientes transplantados

Pessoas que não devem receber a vacina contra a febre amarela

Mulheres gestantes ou amamentando;

Crianças entre seis e oito meses de idade;

Idosos com 60 anos ou mais;

Portadores de HIV com CD4 entre 200 e 499mm

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