Para o pré-candidato do PSDB na corrida ao Piratini as dificuldades do RS não o assusta
O pré-candidato ao governo do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB) esteve em Erechim ontem (22) onde cumpriu agenda ao longo dia. Na parte da manhã esteve no Jornal Bom Dia, onde concedeu entrevista. Falou sobre o que pretende caso seja eleito, políticas de aliança, como conseguiu alta popularidade quando foi prefeito de Pelotas e que só dinheiro não adianta. Um governo precisa ter foco e rumo.
O que te move a concorrer ao cargo de governo do Rio Grande do Sul, num momento delicado e de grande crise nas finanças públicas
Eduardo Leite: Política não é entrar só na boa. Entrar só se tudo estiver bem. Claro que não. A gente se coloca à disposição numa missão de entregar melhor qualidade de vida para as pessoas, mudar a realidade. Se for para entrar quando for bom para mim alguma coisa errada tem. Não podemos escolher se a hora é boa ou não. Temos que encarar a missão. A dificuldade do Estado não me assusta.
E como era Pelotas, quando assumiu a prefeitura?
Eduardo Leite: Apesar de ser a terceira maior cidade do RS, é a nona economia. Temos uma realidade social, econômica, completamente diferente de outras, de muitas dificuldades, uma população com grande carência de serviços públicos e o governo nem sempre tem recursos para tudo. Sempre uso o exemplo de Pelotas e Canoas que tem o número de habitantes semelhantes. Dá para imaginar que teriam realidades parecidas, mas são bem distintas. Pelotas é 15 vezes maior territorialmente que Canoas. Isso nos dispõe entregar serviços também numa área maior. Temos 1.700 km de estradas rurais o que não existe em Canoas, que a maioria dos serviços é concentrada na área urbana. Temos que levar escolas, transporte, postos de saúde. Temos 50 postos de saúde em Pelotas. Canoas tem 26. Desta forma o custo é mais alto, temos 10 mil servidores e Canoas tem 5 mil. Como Canoas é mais industrial retorna R$ 350 milhões de ICMS e para Pelotas R$ 90 milhões. Eles têm o dobro de arrecadação com a metade de servidores. Portanto, eu sei bem o que é administrar na dificuldade, na carência, nos problemas e mesmo assim ter resultados positivos e quando saí da prefeitura tinha 87% de aprovação e ajudado minha sucessora se eleger com 60% dos votos. E não foi sobre ter resolvido tudo, mas sim ter dado um rumo, direção, o que o gaúcho não tem hoje. Não temos a percepção e o caminho que estamos indo e o que nos espera no futuro
O mundo político é muito imediatista. Trabalha no varejo e deixa o macro de lado. Como está elaborado teu projeto de governo
Eduardo Leite: Quem não tem a agenda bem definida, faz a agenda dos outros. Se você entra num governo e não sabe claramente par onde quere ir, sem rumo, vai apanhar e fazer a agenda que os outros querem que você faça. Eu faço a seguinte ilustração que faz as pessoas entender. Quando eu entro no carro defino no GPS o caminho que irei percorrer. Faço o acompanhamento e se entrar em alguma rua errada, retorno e corrijo a rota. Entrar no governo sem ter agenda, sem ter o caminho que irá te levar até o destino é como entrar num carro, saber onde vai, guardar o GPS no bolso e ter outras quatro pessoas te dizendo dobra para esquerda, dobre para a direita. Cada um pede para ir para um lado e acaba se perdendo. Eu preciso monitorar ou não chegarei ao destino. Ou levar muito mais tempo. A agenda tem quer clara. O que queremos para o RS. Que ele se reposicione no cenário nacional para se tornar competitivo. Hoje somos um estão que é visto como hostil para o investimento privado...
...essa é uma questão. A alta carga tributária do Estado, tem mais empresas saindo do que se instalando em solo gaúcho
Eduardo Leite: As grandes empresas do RS são de mudança, aluga-se ou vende-se. Isso precisa ser revertido. Mas o que causa isso? Falamos em atrair novas empresas, mas primeiro precisamos manter as que já temos. Estamos espantando as nossas pois o Estado não oferece infraestrutura, a burocracia não é razoável e não temos carga tributária compatível com o resto do país. Precisamos atacar esses três pontos.
E como se faz isso?
Eduardo Leite: Primeiro. O Estado não tem infraestrutura, capacidade de investimentos para sozinho fazer os investimentos necessários para retomada de competitividade. E é um setor onde a iniciativa privada tem interesse, pois tem retorno na questão comercial. Onde tem interesse privado e comercial de investimentos, o papel do Estado não deve ser dele promover diretamente o investimento. Ele não se ausenta, mas pode ser o orientador, o regulador, estabelece as regras e as bases para o investimento, o parâmetro das tarifas que serão cobradas. Abre para que o privado possa participar.
Defende um Estado mais enxuto, com parcerias privadas então?
Eduardo Leite: Totalmente. E não é uma questão de diminuir o Estado. Temos que aumentar o Estado onde ele deve ser forte que é na segurança, na saúde e na educação. Não adianta ter um Estado grande em tudo e pequeno em cada setor. Ele tem que ser grande onde precisa atuar, que são indelegáveis. Estamos envelhecendo em taxas mais rápidas que outros estados. Temos uma antecipação do que acontece no Brasil com baixa taxa de natalidade e amento da expectativa de vida. Com isso uma força de trabalho menor, que contribui para sustentar o custo do Estado. O que está vindo pela frente é uma demanda grande para atender pessoas de mais idade. Preciso me preparar para isso, gerar riqueza e retomar a competitividade. O RS está envelhecendo, empobrecendo e com a qualidade da educação diminuindo e não é questão de mais dinheiro e sim focar.
E qual o foco?
Eduardo Leite: Investir certo naquilo que tem impacto na aprendizagem, especialmente em setores que irão garantir empregabilidade para essa população que estamos formando. E uma das questões principais é a matemática. Todo o emprego do futuro, com as tecnologias está vinculado ao raciocínio lógico. Mas os indicadores do Idebe em matemática são ridiculamente baixos. Estamos preparando toda uma geração que não estará preparada para os empregos do futuro. Isso é urgente e o governo precisa agir. Nisso que tem que estar a nossa energia, o nosso foco. Temos um trabalho muito forte pela frente. Não é apenas dar espaço para o privado, precisamos estar atentos ao social, as desigualdades. Preciso promover o equilíbrio
O PSDB está maduro para assumir o RS, pois demorou para se consolidar no Estado. Teve o governo Yeda e lhe faltou base naquele momento.
Eduardo Leite: Acredito que o PSDB está preparado. Os resultados das eleições de 2016 projetaram o partido para buscarmos um papel de protagonista nessa eleição estadual. Ganhamos em Porto Alegre, mantivemos Pelotas, ganhamos em Santa Maria, Novo Hamburgo e mantivemos Viamão. Das 10 maiores cidades do estado cinco são governadas pelo PSDB, e também temos Erechim entre as 20 maiores. Governamos para quase 30% da população gaúcha. Segundo é o PP que está em torno de 170 municípios e governa para 18%
Numa política de aliança o PP seria o parceiro ideal?
Eduardo Leite: O PP é um partido importante, tem uma pré-candidatura legítima, estão numa discussão interna e respeitaremos a posição que tomarem. Estivemos juntos nas duas últimas eleições. Temos muitas afinidades.
Que avaliação faz do governo Sartori?
Eduardo Leite: Em linhas gerais o governo Sartori demorou muito em agir. O primeiro ano de governo não pode ser um estágio. É um momento precioso de definição da agenda. E como não vieram com a agenda pronta, desperdiçou um momento importante quando tinha capital político. Quando a agenda foi trazida para os gaúchos e parte dela está correta de reestruturação do Estado, não está conectada com um projeto de desenvolvimento. Temos que atacar a burocracia, a falta de infraestrutura, a alta carga tributária resultado de um Estado grande e pesado.