Como já é tradição há 40 anos, o chefe do Executivo estadual abriu nesta quarta-feira (9) o calendário de eventos da Federação das Associações Comerciais e de Serviços do Rio Grande do Sul (Federasul). O governador José Ivo Sartori foi o palestrante do primeiro "Tá na Mesa" do ano e falou para lideranças políticas e empresariais sobre os "Caminhos da Mudança".
Acompanhado do presidente da Federasul, Ricardo Russowsky, e do vice-governador José Paulo Cairoli, Sartori fez um balanço do seu primeiro ano de governo e destacou como positiva a atitude de colocar a crise financeira do Estado em pauta. "Ela deve nos estimular a buscar novas oportunidades e novas formas de enfrentar os problemas".
Para o governador, a grave crise política e econômica vivida pelo Brasil mostra que a sociedade quer uma nova forma de governar: "sem maquiagem, sem falsidade, sem zonas de sombra. Com a verdade. Um discurso verdadeiro que corresponda a uma atitude igualmente verdadeira".
Renegociação da dívida
O governador defendeu a urgência da revisão de parâmetros da dívida do Rio Grande do Sul com o governo federal. "Estamos, sim, diante de uma nova luta federativa. Uma luta sem armas, mas que vai exigir uma mobilização ainda maior do que aquela que motivou os nossos farrapos".
Atualmente, o Estado consome quase 14% do que arrecada para pagar a dívida com a União. "Este nível de comprometimento já é um absurdo. Não bastasse isso, os critérios de atualização estão totalmente defasados, produzindo uma grave injustiça, além de uma flagrante injustiça", criticou Sartori.
O governo federal sinalizou, nessa terça-feira, com a proposta de alongamento da dívida e desconto no pagamento das parcelas por um período máximo de dois anos. A diferença desse período ficaria para o final. "Evidentemente a proposta é insuficiente para o Rio Grande do Sul. Nós estamos pedindo ao Ministério da Fazenda e a Presidência da República para tratar as questões do Rio Grande individualmente", concluiu o governador.
O Rio Grande do Sul devia R$ 9 bilhões em 1998, ano da assinatura do contrato. Já pagou R$ 27 bilhões e ainda deve R$ 50 bilhões. O Executivo entrou com uma ação na Justiça Federal do Distrito Federal questionando o pagamento de juros capitalizados, claramente nocivo ao Estado. "Este é um tema político, mas que precisa envolver a todos. Como governador, me disponho a cumprir meu papel e liderar esse movimento. Mas essa causa é todos", conclamou Sartori.