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Economia

Aproximação com público local impacta crescimento das cooperativas de crédito

Avaliação é do presidente da Cresol ao avaliar relatório do Banco Central

PRESIDENTE DA CRESOL, CARLOS CUPERCINI
Por Edson Castro
Foto Edson Castro

A participação das cooperativas de crédito aumentou em todos os principais indicadores do Sistema Financeiro Nacional, informou esta semana o Banco Central (BC). Segundo relatório da autarquia, a carteira de crédito do segmento apresentou crescimento de 15% em 2017, superando a evolução observada em 2016, que foi de 10%.

Segundo o relatório do Sistema Nacional de Crédito Cooperativo, o número de cooperados cresceu 8% no ano passado, alcançando a marca de 9,6 milhões de cooperados, com destaque para o crescimento (19%) em pessoas jurídicas. Em média, o setor registrou adesão de 60 mil novos cooperados por mês. No final de 2017, havia quatro confederações, 35 centrais cooperativas, 967 cooperativas singulares e dois bancos cooperativos em atividade no país. O documento apresenta dados do setor desde 2012.

Para o presidente da Cresol em Erechim, Carlos Cupercini, este crescimento está balizado na maior aproximação das cooperativas com seu público local. “Passamos por um cenário de dificuldade na economia e as cooperativas, por estarem próximas das pessoas, conseguem entender melhor suas demandas e assim fazer um atendimento mais personalizado”, conta ele.

“Além disso, por ser um cenário mais complicado, todos passam dificuldades e acabam tendo, por exemplo, que refinanciar aquilo que já têm ou buscar um capital de giro e nesse contexto as cooperativas dão as melhores condições com taxas diferenciadas, baixo custo de manutenção, ou seja, se configuram como uma oportunidade com custo mais acessível. Isso tudo foi fundamental e ajudou que as cooperativas registrassem esse crescimento”, acrescenta o presidente.

Cooperativismo de crédito

A carteira de crédito, a centralização financeira e os títulos e valores imobiliários (TVM) cresceram em torno de 15%, segundo o relatório. A inadimplência no segmento reduziu de 4% em dezembro de 2016 para 3,5% em dezembro de 2017, apresentando índice de cobertura por provisões para crédito de liquidação duvidosa de 1,72.

As captações cresceram aproximadamente 16%, compostas majoritariamente pelos depósitos dos cooperados, e o capital das cooperativas se mostrou suficiente para cumprir com folga as exigências mínimas estabelecidas pelas normas em vigor, diz o Banco Central.

Ainda de acordo com o relatório, o Índice de Basileia (IB) do segmento cooperativo de crédito manteve-se em torno de 30%, acima do índice do segmento bancário, de 18%.

As cooperativas com sede nas regiões Sul e Sudeste concentraram, respectivamente, aproximadamente 50% e 30% dos ativos totais do setor.

Impacto

Cupercini relata que o crescimento registrado pelo sistema cooperativo de crédito ainda é relativamente baixo perante a inserção que as cooperativas tem no mercado financeiro onde ocupa um espaço de pouco mais de 3%. “Porém, já começamos a fazer frente a indicadores importantes do mercado. Tem dados que apontam, por exemplo, que o crescimento das cooperativas de crédito chegou a 16% no caso de micro e pequenas empresas e isso está acontecendo também pelos trabalhos que elas fazem nas sociedades onde estão. E pode crescer mais ainda, pois em algumas cidades ainda nem chegaram as cooperativas de crédito”, destaca o presidente da Cresol.

Para concorrer no setor, as cooperativas de crédito também tem trabalhado com diferenciais para seus associados. “Um dos diferenciais é conseguir atender e ter todos os produtos e serviços que o sistema bancário vem oferecendo, pois temos todas as linhas de financiamento, por exemplo. Aí as pessoas começam ver que além de trabalharem com a cooperativa também podem obter vantagens, como a distribuição das sobras e resultados, através do capital, em conta corrente, participação nos lucros, entre outros aspectos. E isso tudo atrai os usuários”, enfatiza.

Um destaque também tem sido o auxilio que as cooperativas de crédito tem dado ao desenvolvimento local da economia nas regiões em que atuam. “O que a gente tem feito localmente, além de liberar o crédito, é ter a responsabilidade e a preocupação com a sociedade local, pois todo o dinheiro captado é investido nas localidades. Nos preocupamos com cada investimento para que ele seja fruto de sucesso, e isso faz com que o local desenvolva, então se tem uma cooperação muito grande com a sociedade. Além disso nos inserimos em ações que os municípios realizam, eles inclusive nos procuram para essa colaboração e então temos esse compromisso em nos envolver naquilo que irá levar vantagens aos associados. Esse envolvimento e cooperação que ajuda a desenvolver os locais onde estamos inseridos”, completa Cupercini.

Consórcios

Outro relatório do BC também mostra crescimento no setor de consórcios, que ampliou em 7,7% a carteira dos consorciados já contemplados, alcançando R$ 48,6 bilhões. A alta foi puxada pelos dois maiores subsegmentos: 6,1% no de veículos automotores, atingindo R$ 29,90 bilhões e 10,8% no de imóveis, alcançando R$18,71 bilhões.

Em dezembro de 2017, havia 155 administradoras de consórcios, 18,1 mil grupos e 6,9 milhões de cotas de consorciados ativas. O relatório Panorama do Sistema de Consórcio contém dados do setor desde 2009.  Mais da metade dos consorciados ativos (53%) se concentra em cinco estados: São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Bahia e Rio Grande do Sul. Segundo o BC, o número de cotas vendidas no ano passado aumentou 3,5% em comparação com 2016.

A inadimplência em dezembro de 2017 recuou em relação ao ano anterior. O índice de inadimplência foi de 2,99% (queda de 0,63 ponto percentual). A taxa de administração média dos grupos de consórcios formados em 2017 foi de 16,14% (-0,19 p.p.). As taxas mais altas continuam sendo de motocicletas: 19,95% (+0,17 p.p.).

No segmento de bens imóveis, após a queda observada em 2016 houve expressiva recuperação em 2017, com aumento no número de cotas vendidas, consorciados ativos e contemplações, informa o BC. Ao todo, em 2017, foram comercializadas 276,9 mil cotas (alta de 20,2%), com o número de cotas ativas alcançando 851,1 mil, tendo sido contemplados 73,1 mil créditos (alta de 4,3%).

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