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Região

Benjamin Constant do Sul: vice-presidente assume a Câmara de Vereadores

Mesa diretora aguarda esclarecimentos para discutir o afastamento do vereador que está preso por suspeita de envolvimento em crimes na Reserva do Votouro

Polícia Federal permanece com agentes na Reserva do Votouro
Por Antonio Grzybowski
Foto Antonio Grzybowski

O vereador Leonor Cesar Grazioli (PT), assumiu temporariamente a presidência do poder Legislativo do município de Benjamin Constant do Sul. O parlamentar foi eleito no início do ano para vice-presidente da casa Legislativa, e ficará no cargo até a conclusão do inquérito da Polícia Federal que investiga o envolvimento do vereador presidente, Elizeu Garcia (PT), preso preventivamente, por suspeita de envolvimento direto em dois casos de homicídio, uma tentativa de homicídio, incêndio criminoso, rixa qualificada, organização criminosa, cárcere privado e tortura. Os crimes ocorreram na Reserva do Votouro.
Elizeu Garcia, que também é cacique na mesma reserva onde moram aproximadamente 1.500 pessoas, foi preso no dia 3 de agosto, durante a operação Terra Sem Lei, desencadeada em conjunto pela Polícia Federal, Exército e Brigada Militar. O grande aparato das forças de segurança visou o cumprimento de 14 de mandatos de prisão e 11 de busca e apreensão. Ade de Paula (50) Gilberto Sipiriano (50), também estão recolhidos ao Presídio Estadual de Erechim. Os demais são considerados foragidos.
Fontes da Polícia Federal garantem que os crimes atribuídos ao grupo liderado pelo cacique Elizeu Garcia, teriam sido motivados por desavença entre o vice-cacique da reserva e um grupo de 18 famílias consideradas de oposição. Os motivos desta briga ainda estão sendo apurados pela Polícia Federal, mas envolvem disputa de poder e dinheiro recebido pelo arrendamento de terras.
A primeira vítima fatal deste confronto foi Vitor Hugo dos Santos Refey (23), morto em casa, dentro da reserva, no mês de março, no momento em que a polícia indígena agia para cumprir ordens de prisão emitidas pelo vice-cacique. De acordo com denúncia do Ministério Público Federal (MPF) de Erechim, outros dois jovens foram alvo de tentativa de homicídio na mesma noite. Com medo, aproximadamente 40 pessoas deixaram a reserva, acamparam em Erechim e agora estão em Passo Fundo, esperando o momento de voltar.
Em maio morreu Nathan Cozer Hochmann (21), sobrinho do prefeito Itacir Hochmann. Na investigação a Polícia Federal apurou que a vítima foi confundida o vereador Edimar de Oliveira Pires (PC do B), que também é indígena e considerado de oposição ao cacique. Nathan foi morto na madrugada do dia 31 de maio, no momento em que passará pela rodovia que corta a reserva. Ele dirigia um Fiat/Pálio vermelho, mesmo modelo e cor do veículo utilizado pelo vereador conhecido como "Gringo". Os agressores seriam integrantes da polícia indígena que teriam preparado uma "blitz" e mataram Nathan com um tiro no pescoço. 
Na mesma madrugada o prefeito Itacir Hochmann acabou refém do mesmo grupo. Ele não teria parado na barreira por problemas mecânicos no carro, que teria sido alvejado por dezenas de disparos de arma de fogo. Preso e torturado no "Boi Preto", uma espécie de cadeia dos índios. O prefeito foi liberado na manhã seguinte, após negociação da Brigada Militar com os índios.
Um dos problemas da violência nas reservas indígenas da região, conforme apurado pela reportagem do Jornal Bom Dia, é o conflito no entendimento da legislação e a preservação dos usos e costumes da população indígena. 
No poder Judiciário Federal o caso da Reserva do Votouro é tratado como "segredo de Justiça" e nenhuma informação pode ser repassada aos órgãos de imprensa. Porém, a problemática está sendo tratada com prioridade por um grupo de trabalho composto por representantes da Justiça Federal, Procuradoria Federal, Polícia Federal, Ministério Público Estadual e Brigada Militar. A meta é reestabelecer a paz na reserva e permitir a volta das famílias que foram expulsas. 
Na Reserva do Votouro o clima ainda é de tensão e a Polícia Federal mantém agentes para garantir a segurança e intermediar um processo de transição no comando da comunidade. Além do cacique, também está preso o presidente do Conselho Indígena. O vice-cacique permanece afastado do cargo.

 

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