Nessa reportagem o Jornal Bom Dia entrevista Egídio Moreto, prefeito pela quarta vez de Carlos Gomes, município com 26 anos de emancipação política e administrativa e uma população de 1600 habitantes. O experiente político fala sobre política pública, gestão, cenário nacional, enfim, o que pensa e a importância da política para o desenvolvimento dos municípios e do país.
Jornal Bom Dia: Como vê a sua gestão hoje?
Egídio Moreto: Tem que tratar todo mundo igual, sem discriminações políticas. Após as eleições trabalho para todos. É um trabalho muito gratificante porque tem em si união com as secretarias, funcionários e a população.
Fazer gestão pública, envolver as necessidades do município?
Precisaríamos criar essa mentalidade não somente no município de Carlos Gomes, mas sim no país. A grande maioria das administrações públicas não avaliam dessa forma, mas sim para o lado político.
Colocar em primeiro lugar o interesse da cidade e não o interesse político?
É isso aí. Eu fiz na prática e funciona muito bem, quando a administração é em prol da comunidade. Ressaltar que esse é um dos meus melhores governos. Acredito pela longa experiência que tenho hoje, e por termos conseguido mais recursos. O município tem orçamento de R$ 12 milhões e conseguimos em emendas e projetos a fundo perdido mais de R$6 milhões.
O que se atribui a isso?
Trabalho e credibilidade, que se tem junto aos políticos. Sem a política não se consegue nada. Infelizmente é assim no nosso país.
Como avalia a situação dos acessos asfálticos, que Carlos Gomes ainda não tem?
Avalio de duas maneiras, o atual e ex-governadores não botaram como prioridade o interior do Estado, com relação aos acessos asfálticos. Embora que na campanha política eles falem ser prioridade, mas na prática não acontece. Quando acontece alguma coisa é sob pressão, tem que mendigar, fazer inúmeras viagens para poder chegar a ter êxito em algum pleito. Por exemplo, a ponte de Carlos Gomes gastei dois mandatos de governo correndo atrás desse pleito. No terceiro mandato concluí a obra, mas foi um pleito muito trabalhado, sofrido, em termos de liberação de recursos para que a obra acontecesse.
E o asfalto de São João da Urtiga a Carlos Gomes?
Outro pleito que iniciou em 2010. O acesso asfáltico de São João da Urtiga a Carlos Gomes, a RSC 227, está com 70% do asfalto pronto, mas a empresa abandonou por falta de pagamento do estado. Estive inúmeras vezes no Daer e agora então eles prometeram que vão retomar e concluir a obra ainda esse ano.
E no lado da RSC 227 de Carlos Gomes a Centenário vai ter obras?
Faltam 19 quilômetros para ligar essa outra ponta. Para isso, precisa de mobilização e de grande trabalho, emenda de bancada gaúcha. Carlos Gomes e Centenário estão trabalhando nisso. Esse acesso não vai atender só Carlos Gomes e Centenário, mas toda a região, já que liga o Norte com o Nordeste do Estado e com Santa Catarina.
É um corredor importante entre estados?
Também. Liga ao litoral de Santa Catarina. Certamente teria impacto no turismo.
Como olha para esse momento da política de hoje, o cenário nacional, o que precisa acontecer?
Eu não sei o que o povo quer. Se realmente tirar a limpo o que está acontecendo no país ou quer que continue assim? Exemplo está aí, um candidato lançado preso liderando as pesquisas. Será que a população brasileira quer mesmo tirar a limpo essa situação do país ou quer continuar com o país nessa lama, desigualdade? E o problema é encontrar o candidato sério e certo, que vá lá e não cometa barbaridades. Não vamos citar partido A ou B, mas se for fazer uma análise, é difícil encontrar partido tal sigla tal que está limpo.
E os recursos públicos ...
Os recursos púbicos não são dos políticos, e sim da população, da nação. No meu ponto de vista o recurso tem que ser investido na população, saúde, educação, segurança e em rodovias, que estamos carentes em todo o país.
O que não pode faltar num político?
Não pode faltar num político confiança e credibilidade. Depois de eleito não pode trair o eleitor. Tem que ter essa confiança e tem que honrar ela. Isso é o que se está carente no nosso país. Eu vejo grande dificuldade de encontrar essa pessoa que o país precisa, que transmita essa confiança e depois que honre ela. Seria uma conduta para resgatar a imagem do país e resgatar a credibilidade da política também, que está numa descrença geral.
A gestão pública é fundamental para a máquina pública funcionar corretamente?
Isso é fundamental, aqueles centavos que entra nos cofres públicos se bem investidos você consegue fazer uma gestão de qualidade, consegue fazer com que realmente o recurso seja transformador. O nosso município tem dado muitos exemplos de como se administra o dinheiro público.
Com gestão pública dá para atender todos os setores da economia e ainda gerar retorno para o município?
Exatamente. O incentivo que se dá representa, ao mesmo tempo, retorno ao município. O que for investido por meio de incentivo ao agronegócio, por exemplo, dá seu retorno, e certamente ajuda a segurar o produtor e o jovem no campo. Com esses incentivos o jovem tem um estímulo a mais para permanecer no campo.
Educação é importante?
A criança precisa de uma boa formação para que no futuro seja um jovem bem preparado. E o poder público é fundamental numa parte da vida do jovem. E, isso faz grande diferença para que ele no futuro seja realmente promissor, vencedor e se realize.
Como renovar a política, o jovem se interessa pela política?
É importante o jovem participar da política, porque são pensamentos novos, e eles têm que fazer parte do desenvolvimento do país. Seja quem for o governante, é preciso que ele ouça o jovem para que atenda essa parte da população, que necessita de apoio para ingressar no mercado de trabalho. O nosso país está mudando, tecnologia, informações, e por isso é necessário a participação do jovem no governo.
Como o senhor vê a questão da Amau?
Vejo uma Amau diferente, mais atuante, participativa, inclusive trabalhando em conjunto com os demais 32 prefeitos. Com uma preocupação muito grande no desenvolvimento da saúde, segurança e educação. A Amau tem crescido e se empenhado, e isso é importante para o Alto Uruguai, já que é uma associação e como tal tem um peso diferente do que apenas um município. Está fazendo papel importante e está sendo parceira da região e dos municípios.
O que falta para a região?
O principal problema é a falta dos acessos asfálticos. Caso do meu município e outros. Isso é fundamental. Não tem como atrair uma empresa para fazer investimentos e gerar emprego sem acesso asfáltico.
Como olha para o Alto Uruguai?
O Alto Uruguai tendo concluído os acessos asfálticos dos municípios que não têm, aí acredito que precisamos trabalhar o turismo, mas para isso precisamos concluir essas obras. Vejo um grande futuro do turismo no Alto Uruguai, mas falta infraestrutura. E, também, precisamos trabalhar para que haja indústrias de porte médio e grande para absolver a demanda de empregos do Alto Uruguai. Com mais algumas indústrias certamente elas dariam um equilíbrio grande e a região com isso iria ganhar e só teria a crescer.
Acredita que ao Alto Uruguai possa eleger um deputado federal?
A população deveria se unir e eleger pelo menos um deputado federal, porque temos votos para isso. É importante que tivéssemos no mínimo um representante federal.
É a favor das emendas parlamentares?
Sou a favor das emendas parlamentares, porque os municípios menores não teriam a mínima condição de fazer qualquer projeto extra sem as emendas parlamentares. Vai se manter, mas para fazer investimentos não tem como escapar disso.
O que ressaltar?
Tem que dividir melhor os recursos públicos e aí se terá um melhor atendimento aos munícipes. Porque é no município que se é cobrado e as coisas acontecem. Que se faça mais justiça com os recursos que são arrecadados pelo governo. Pagamos os impostos mais caros do mundo e nós não temos a educação melhor do mundo, a saúde melhor do mundo, segurança, infraestrutura melhor do mundo. Por aquilo que se paga deveria ter um retorno melhor nessas áreas essenciais, e não é assim que acontece. Essa é minha indignação, pagamos os tributos mais caros do mundo e são mal divididos, distribuídos.