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Região

Alto Uruguai: desafios para manter as famílias no campo

Prefeituras apostam em políticas públicas para amenizar impactos do êxodo rural

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Estudos indicam redução e envelhecimento da população na região
Por Amanda Mendes - jornalismo@jornalbomdia.com.br
Foto Edson Castro

A migração do campo para as cidades é um processo registrado na história desde o século 18, com a primeira Revolução Industrial. O advento das máquinas na produção e o desenvolvimento das cidades atraíram muitas pessoas para o meio urbano. Por outro lado, o avanço tecnológico também chegou ao campo, auxiliando nas estratégias de fixação do jovem no espaço rural. Mas os dados ainda preocupam, pois demonstram a redução da população rural. 
O tema ganhou atenção de pesquisadores da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Erechim, por meio do Núcleo de Estudos Território, Ambiente e Paisagem (Netap), vinculado ao curso de Geografia.
As pesquisas do grupo se concentram no censo dos anos de 1991, 2000 e 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e destacam as dinâmicas entre o espaço rural e urbano na região do Alto Uruguai. O estudo sistematiza dados demográficos e mostram que com o passar das décadas há uma redução da população do espaço rural, e em contrapartida, a população urbana, concentrada em Erechim, está aumentando. 
Para o geógrafo da UFFS, Éverton Kozenieski, o fenômeno da redução da população no campo, está alcançando números semelhantes aqueles registrados no início da colonização na região. 
"De modo geral, registra-se em muitos municípios do Rio Grande do Sul a redução dos habitantes que residem no rural. Contudo, na região de Erechim (região geográfica imediata de Erechim, segundo classificação do IBGE) tal fenômeno se mostra intenso e persistente ao longo de várias décadas. De 1970 até 2010 a população rural reduziu 57,62%, passando de 134.749 para apenas 57.102 habitantes. Estima-se que em 1924, nos primeiros anos do então município de Erechim, residiam no rural 44.614 habitantes. Estamos a passos largos alcançando os mesmos dados do início da colonização", destaca Everton. 

Desafios e possibilidades 

A reportagem do Jornal Bom Dia conversou com alguns prefeitos da região do Alto Uruguai para conhecer quais são os desafios e as preocupações que envolvem a questão atualmente. Entre os elementos destacados, destoam as possibilidades de aquisição de renda, redução do tamanho das famílias, com a baixa taxa de natalidade, envelhecimento da população rural e a estrutura da produção agrícola. 

Para o chefe do Executivo de Gaurama, Leandro Puton, outro aspecto que preocupa são as relações sociais do agricultor, haja vista a diminuição de moradores no interior. Para Puton, a falta de socialização, de contato interpessoal e relações afetivas entre vizinhos, motivam a saída do jovem para a cidade. 
A estrutura do município também influência na decisão do jovem em ficar ou não, no campo. O aumento das tecnologias, e a grande presença da internet nas relações entre os jovens são essenciais para o desenvolvimento do desejo de onde estabelecer moradia. Neste sentido, o prefeito de Três Arroios ressalta: "a internet é um instrumento importante para o jovem se manter no meio rural". 
Alternativas estruturais devem ser colocadas em práticas. Desta forma, elementos básicos devem ser tratados com prioridade: educação, saúde, infraestrutura e segurança pública. 

"A questão está estagnada"

Os prefeitos de Marcelino Ramos, Juliano Zuanazzi e de Ponte Preta Ademir Sakrezenski, destacam que o problema atingiu de certa forma uma estabilização. Além de creditar a diminuição da população ao envelhecimento e consequentemente o aumento na taxa de mortalidade. 

"Há uma diminuição da população rural, pelo falecimento das pessoas mais idosas", enfatiza Zuanazzi. 
Para os prefeitos, as ações das administrações, por meio de políticas públicas que impulsionam a economia, estão incentivando a permanência do jovem no campo. 
Com a chegada da energia elétrica, ampliação das redes de internet e a oferta de empregos tornam a vida rural mais atrativa. Assim, o êxodo não apresenta grandes impactos nas dinâmicas dos municípios. 

Êxodo rural mobiliza ações em escolas de Severiano de Almeida

A Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Severiano de Almeida tomou a iniciativa de levar informação para os estudantes, diretamente em sala de aula. O secretário Dilei Anzolin realizou uma série de palestras em todas as escolas do município, as municipais Professor Fioravante Lorini e Fortunato Parmigiani, além da estadual Dr. José Bisognin.
De acordo com ele, o objetivo foi mostrar aos estudantes a viabilidade de os jovens seguirem no campo. "Estudar é preciso e vai contribuir com uma formação melhor para que o aluno possa ser um gestor da propriedade dos seus pais e que futuramente será dele. Hoje o campo apresenta qualidade de vida muito maior, alternativas que garantam a subsistência do produtor rural", destaca Dilei.
Ele destaca ainda, que em parceria com a Secretaria de Educação, Cultura, Desporto e Turismo, outras ações deverão ser realizadas futuramente, para conscientizar os estudantes sobre a importância de assegurar a sucessão familiar no campo. 

 

O que o campo deve proporcionar para manter o jovem no campo?


Para o geógrafo da UFFS, Éverton Kozenieski, os esforços devem se concentrar na estrutura de produção. 

 "Os processos de migração identificados na região de Erechim estão relacionados ao novo quadro de dinâmicas sociais, entre as quais a modernização da agricultura - na qual a mecanização do campo está relacionada - é parte integrante. Não podemos deixar de desconsiderar as dimensões das unidades de produção, fator que dificulta a produção de renda, e as transformações no perfil demográfico das famílias no campo, especialmente com a redução número de filhos por família.
A permanência dos jovens no campo passa pelo desenvolvimento de alternativas à produção, visando agregar renda, especialmente, as pequenas unidades de produção familiar. Sem dúvidas, a melhoria das condições de infraestruturas também contribui à permanência. Refiro-me, especialmente, a melhoria nas infraestruturas de circulação (rodovias e estradas) e nos serviços de telefonia, energia elétrica e internet. Ambas, condições que qualificam a produção e as condições de vida daqueles que residem no campo, tornando o rural atrativo à permanência dos jovens"
ressalta Kozenieski.

 

A maioria dos municípios apresentam população atual, semelhante ou inferior a população do período de emancipação ocorrido no Alto Uruguai.

Município

População estimada

(1998)

População estimada

(2018)

Aratiba

7.234

6.283

Áurea

4.027

3.573

Barão de Cotegipe

6.872

6.627

Barra do Rio Azul

2.420

1.726

Benjamin C. do Sul

2.850

2.031

Cacique Doble

5.151

5.055

Campinas do Sul

8.412

5.471

Carlos Gomes

2.066

1.404

Centenário

2.307

2.905

Charrua

3.836

3.306

Cruzaltense

2528 (2001)

1.870

Entre Rios do Sul

3.624

2.829

Erebango

3.104

2.995

Erechim **

86.037

105.059

Erval Grande

5.660

4.902

Estação

6.225

5.976

Faxinalzinho

3.091

2.346

Floriano Peixoto

2.490

1.796

Gaurama

6.322

5.580

Getúlio Vargas

16.391

16.240

Ipiranga do Sul

2.281

1.899

Itatiba do Sul

5.741

3.420

Jacutinga

4.440

3.576

Marcelino Ramos

6.564

4.488

Mariano Moro

2.536

2.054

Maximiliano de Almeida

5.964

4.443

Paim Filho

4.665

3.880

Paulo Bento

2172 (2001)

2.287

Ponte Preta

2.367

1.572

Quatro Irmãos

1785 (2001)

1.846

São João da Urtiga

4.764

4.674

São José do Ouro

6.988

6.945

São Valentim

4.262

3.341

Sertão

7.405

5.519

Severiano de Almeida

4.290

3.685

Três Arroios

3.225

2.693

Viadutos

6.453

4.825

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