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Política

“Teremos aqui no Alto Uruguai um escritório regional de governo”, afirma Jairo Jorge

Candidato ao governo do RS, falou para empresários na quarta-feira (5) no Polo de Cultura

Jairo Jorge tem no bojo de seu projeto de governo menos burocracia e menos impostos
Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

O Jornal Bom Dia inicia hoje uma série de entrevistas com os candidatos a governador do RS. O primeiro é Jairo Jorge (PDT) que esteve ontem (5) falando para empresários em Erechim no Polo de Cultura numa promoção da ACCIE, CDL Erechim, Sindilojas Alto Uruguai Gaúcho, Sindicato Rural, SindivestAU e Câmara de Vereadores. 

Antes de iniciar a apresentação concedeu entrevista ao Jornal Bom Dia, relatando o que pretende caso seja eleito

As demandas são as mesmas pelo menos por 20 anos em Erechim e região. E na questão de logística o Alto Uruguai é longe de tudo e principalmente das decisões políticas.  Temos 33% dos municípios sem asfalto. Como melhorar essa situação?

Jairo Jorge: Eu visitei todos os 497 municípios gaúchos, único que fez isso entre os oito candidatos, inclusive as 62 que não tem acesso asfáltico. Eu pude trilhar essas estradas, senti o mesmo que estes cidadãos vivem nesses municípios. Quem quer ser governador tem que conhecer profundamente o Rio Grande e viver os problemas. É muito fácil de Porto Alegre, de São Paulo ou de Nova York estabelecer teorias. Estabeleço isso na prática ouvindo as pessoas. Ouvi 28 mil gaúchos, andei de carro por mais de 100 mil quilômetros, realizei mil encontros. Tudo que chega lá custa mais caro e tudo que é vendido de lá é mais barato.

Temos exemplos positivos no Estado vizinho com relação aos asfaltos

Jairo Jorge: Em Santa Catarina fizeram isso. Em 2013 e 2014 asfaltaram todas as cidades. Não existe nenhuma cidade em SC desde 2014 sem ligação asfáltica. Temos que aprender com que fez certo.

Mas como conseguiram isso?

Jairo Jorge: Eles pegaram uma ideia nossa que eram os Coredes (Conselhos Regionais de Desenvolvimento) e lá em 2003 o governador Luis Henrique pegou essa ideia e dividiu o Estado de forma regional e criou secretarias. Oito anos depois deu continuidade com Raimundo Colombo transformando em Agências de Desenvolvimento Regional. E nesses 16 anos, Santa Catarina está crescendo e nós ao contrário.

Nós temos os Coredes, casos seja eleito não é possível fortalecê-los? Criar algo similar?

Jairo Jorge: Eu vou retomar a ideia generosa do ex-governador Collares dos Coredes. Teremos aqui no Alto Uruguai um escritório regional de governo. Com um secretário ou secretária de Estado, filho da terra. Não uma pessoa de fora. Não ficará em Porto Alegre, ficará aqui. E este escritório irá centralizar todos os serviços de educação, saúde, segurança pública, infraestrutura e desenvolvimento. Temos que ter alguém que seja parceiro dos prefeitos e alguém que seja os olhos, os ouvidos e a voz do governador. E foi exatamente isso que SC fez. E por isso cresceu, enfrentaram os problemas. Aqui uma região cresce mais que a outra. Quem é mais forte fica mais forte. Precisamos mudar isso. Precisamos um remédio para cada região. E não pode ser um remédio igual.

As parcerias públicas privadas pode ser uma alternativa?

Jairo Jorge: Estou propondo na questão das ligações asfálticas parcerias públicas privadas. E também uma lei nova, a lei de incentivo à infraestrutura. Vamos pegar um empresário aqui da região e ele está numa área que não tem asfalto. Ele poderá usar o ICMS dele, invés de pagar o governo fará a obra, desde que seja 20% mais barato e mais rápido que se o Estado fizesse.

Falando em receitas, o RS tem série problema de recursos. Além dessas ações já citadas o que mais fazer para tirar o Estado do atoleiro que se encontra com relação as finanças públicas?

Jairo Jorge: O que levou os outros estados a crescer? Se olharmos entre 2011 e 2014 antes da crise chegar, Santa Catarina cresceu 18%, Pernambuco 17%, Goiás 24% e Paraná 34% e nós apenas 8%. E por que esses estados cresceram mais que o RS? Porque eles fizeram coisas que nós não fizemos. Temos que olhar o que eles fizeram de bom e tomar decisões.

Mas o que eles fizeram que nós não?

Jairo Jorge: A marca destes estados é menos burocracia e menos impostos. E é exatamente isso que estou propondo. Aliás, só estou propondo aquilo que sei que poderei fazer. Eu já fiz e deu certo (oito anos como prefeito de Canoas).

As experiências de Canoas podem ser usadas no Estado?

Jairo Jorge: Quando assumi a prefeitura de Canoas tinha R$ 25 mil em caixa e tinha que pagar uma folha de quase 16 milhões em 25 dias. Tinha oito meses sem pagamento de fornecedores e R$ 175 milhões de dívidas. E uma arrecadação mensal de quase R$ 36 milhões. Não olhei para trás. Não critiquei e não me lamuriei, pois eu penso que somos eleitos para resolver os problemas. E o mais importante que fiz, foi a desburocratização.

Poderia citar alguns exemplos?

Jairo Jorge: Diminui de quatro meses para 48 horas a abertura de empresas. E um shopping que em Porto Alegre demorou cinco anos para ser licenciado e que fizeram uma unidade em Canoas licenciamos em 57 dias. Proponho uma licença célere, impositiva. O empresário apresentou os pré-requisitos, licença automática em 60 dias. Não tem essa coisa de ficar empurrando com a barriga. E de outro lado reduzir os impostos.

O que é a Lei do Gatilho?

Jairo Jorge: Quando criei ela, conseguimos controlar o aumento na arrecadação dos impostos. Criei esse gatilho para que quando aumenta arrecadação abaixa os impostos. E isso diminuiu a sonegação e informalidade e fez com que crescesse a arrecadação no caso do ISS que foi reduzido em um terço o valor E com isso a arrecadação dobrou. Já mostrei que é possível diminuir impostos e aumentar a arrecadação.  E proponho essa Lei do Gatilho para baixar o ICMS, que está muito alto em 18%. E isso está afetando a economia. Temos que ter coragem para baixar. Mas não podemos fazer o populismo fiscal e baixar de uma hora para outra, que quebra as prefeituras e quebra o Estado. Tem que ser feito de uma forma progressiva. Essa lei dialoga diretamente com a arrecadação. Quanto mais eficiente o Estado tiver mais baixo será o imposto.

Temos um problema de efetivo na Segurança Pública. O que fazer?

Jairo Jorge: O ano passado tivemos o efetivo da Brigada Militar o menor da história desde 1975, com pouco mais de 15 mil brigadianos. Em 1975 eram 15.300. Quando Collares era governador tínhamos 30 mil brigadianos. Passou 24 anos, a população aumentou 25% e temos a metade do que tínhamos. Temos que aumentar o efetivo e equipar melhor as forças de segurança. A proposta que tenho é criar um Conselho de Estado onde o governador irá liderar, chamar a BM, Polícia Civil, IGP e a Susepe, juntamente com o Judiciário, Ministério Público e prefeitos das 20 maiores cidades do RS para fazer um pacto por um Rio Grande mais seguro. Vamos criar a RS Investimentos. Vamos pegar todos os prédios públicos que hoje só dão problemas e não estão sendo usados. Esses imóveis farão parte da RS Investimentos para serem feitas permutas, com agilidade, parcerias, vendas. Tem que dar lucro e esse lucro será aplicado exclusivamente na segurança.  

E a questão da saúde pública com os hospitais dos pequenos municípios passando por dificuldades podendo até fechar as portas?

Jairo Jorge: O atual governo asfixiou os hospitais. E estão jogando nos ombros do próximo governador uma crise gigantesca. Temos mais de 70 hospitais de pequeno porte prestes a fechar às portas. Quem está segurando isso são os prefeitos. São mais de R$ 500 milhões que o Estado está devendo para as prefeituras. Pretendo trabalhar forte a média complexidade, policlínicas regionais. Mas não vou construir nada e sim usar as estruturas já existentes. Trabalhar para regionalizar a saúde, 

E com relação ao pagamento dos servidores?

Jairo Jorge: De forma progressiva vamos ajustar e fazer o pagamento de acordo com o que diz a Constituição, no último dia do mês. O servidor público é prioridade número um para mim. E no menor tempo possível colocar os salários em dia.

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