Publicidade

Economia

Mais 60 dias para ajustes

Credores suspendem assembleia geral, após novo prazo, plano de recuperação judicial deve entrar em votação

Quase a totalidade dos credores votou pela suspensão da assembleia adiando votação do plano
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

A Assembleia Geral de Credores da Comil foi suspensa pelos credores, na tarde de ontem (18), no Polo de Cultura. No resultado da votação, 1325 credores representando um total de mais R$386 milhões votaram pela suspensão da solenidade, 31 credores que representam mais de R$ 11 milhões recusaram a proposta. Dentro de 60 dias credores devem se encontrar novamente para tratar do assunto. Nesse prazo serão ajustados alguns pontos para tentar aprovar o plano de recuperação judicial da empresa.

Segundo o advogado Silvio Luciano Santos, foi necessário novamente suspender a assembleia para poder encerrar as negociações com os credores. Ele observa que ao final do prazo de 60 dias, a empresa deve colocar o plano de recuperação judicial em votação e buscar sua aprovação.

Silvio representa a empresa MMS Advogados contratada pela Comil para elaboração do plano de recuperação judicial e condução das negociações com todos os credores, trabalhistas, fornecedores e financeiros.

“Todo esse trabalho feito nessas tratativas negociais foi justamente para culminar nesse prazo adicional, necessário para encerrar as negociações, em especial com os bancos, e daqui a 60 dias termos uma aprovação maciça dos credores, mais de 97% como tivemos hoje”, comenta.  

O advogado ressalta que a empresa está há um ano e meio negociando com os credores financeiros, os bancos, e que esses tem uma complexidade maior devido aos valores que envolvem. “O que falta são pequenos ajustes de diretivas nesse plano de pagamento”, destaca.

Segundo Silvio, a avaliação da suspensão da assembleia foi muito positiva e dentro do esperado. Ele destaca que a Comil está em plena atividade, vem crescendo desde o pedido de recuperação judicial. “Como se trata de uma empresa com grande relevância para a comunidade e o Estado, é natural que essas negociações, em especial com credores financeiros, exijam um prazo maior para ajustes. Essas suspensões são inerentes ao processo”, afirma.

E, acrescenta, “toda e qualquer empresa é muito mais vantajosa para a sociedade em atividade do que em situação falimentar”.

O advogado Darcio Vieira Marques, está otimista para consolidar o processo de recuperação judicial. “A Comil tem todas as condições de se recuperar”, afirma.  Darcio é advogado há 50 anos e faz recuperações judiciais desde 1970, quando ainda era o processo de concordata, hoje, recuperação judicial.

Conforme Darcio, a Comil trabalha num segmento muito bom. “Na nova data a gente espera ter um plano costurado para submeter à votação”, ressalta. A Comil tem uma dívida estimada em R$430 milhões, mais de 70% dessa dívida é com os bancos.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas