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Política

Schmidt manda recado: “Nada impede que o candidato do governo seja de fora da administração”

Em entrevista exclusiva o prefeito de Erechim fala de gestão, desafios e a sucessão municipal de 2020

Luiz Francisco Schmidt
Por Rodrigo Finardi
Foto Rodrigo Finardi

O prefeito de Erechim Luiz Francisco Schmidt (PSDB), na manhã de ontem (16), concedeu entrevista exclusiva à coluna Pente Fino do Jornal Bom Dia, no gabinete do vice-prefeito Marcos Lando (PDT) onde os dois despacham em função da reforma do prédio da prefeitura.

Fez um balanço do governo, das dificuldades da gestão pública e afirmou categoricamente que não concorre à reeleição. Salientou que o candidato do governo em 2020, não precisa necessariamente ser de dentro dos corredores do poder. Abre a possiblidade de apoio a nomes de fora da coligação. Tal declaração, terá desdobramentos e deixará muitos ouriçados. Sua orelha esquentará ao longo do dia, em função dos interesses de alguns internamente.

 

Já passou dois anos de sua gestão. E 2019 passa a ser um ano chave. Onde quer chegar o governo? Que análise faz desse período inicial?  

Luiz Francisco Schmidt: Acredito que teremos um ano muito tranquilo, Temos que mudar talvez a forma de ver as administrações públicas. A vida não termina e não recomeça há cada quatro anos. E nesses pouco mais de dois anos fiz gestão pública sem nenhum interesse político, além de bem gerir os recursos do município.

No primeiro ano em 2017, o governo foi aquém do esperado. Concorda?

Schmidt: Em 2017 no primeiro ano de governo conseguimos devagarinho retomar algumas coisas que estavam paradas há muito tempo. Retomamos as obras da radioterapia do Santa Terezinha, paradas há mais de quatro anos. Mesmo que vagarosamente retiramos os tapumes do Castelinho, que estava escondido há mais de quatro anos também, e hoje com projeto de restauro já encaminhado ao IPHAN. Nesse mesmo ano em 2017 iniciamos o processo de concessão do transporte coletivo concluído em 2018. E foi concluído um processo que se arrastava há muitos anos do estacionamento rotativo e que hoje é o mais eficiente da história de Erechim. As obras que pensamos em fazer são aquelas que se perpetuem.

 

E a questão da licitação da água e esgoto, suspensa pelo Tribunal de Contas? Para quando ficou?

Schmidt: Fizemos mais uma formalização das alterações que entendemos oportunas e a conversa com a Corsan anda muito bem. Não temos ainda a posição do novo governo (Eduardo Leite) com relação à companhia. Porém evolui as negociações.

 

Outra questão amplamente discutida é a reforma administrativa, uma promessa de campanha. Por quê está demorada?

Schmidt: Estamos devendo e sei disso, a reforma administrativa. Estamos progressivamente avançando. Nessa troca de ano (2018-2019) avançamos mais ainda, reagrupando tarefas que já estavam juntas.

 

Refere-se a fusão do Desenvolvimento Econômico com a Agricultura?

Schmidt: Exatamente. No quatro mandato de Eloi Zanella (2005 a 2008) foi criada a secretaria de Desenvolvimento Econômico (indústria, comércio, serviços e agricultura) e foi uma experiência que deu certo. E vamos tentar novamente essa fórmula e manter 10 secretarias municipais. Desta maneira em dois anos mantendo 10 secretários e seus adjuntos obtivemos uma economia de R$ 1,2 milhão dos recursos gerados pelos contribuintes, com três secretarias a menos, com relação ao governo que nos antecedeu.

 

O problema da malha asfáltica, buracos, lhe deu muita dor de cabeça e também para a população

Schmidt: A gente vê constantemente pelas emissoras de televisão que toda a malha asfáltica do Brasil está comprometida. E por que isso acontece? O país empobreceu, os estados empobreceram e os municípios também. E desta forma não conseguem manter em dia a malha asfáltica. Recebemos a cidade com muitos buracos e ainda temos muitos deles. Fizemos diversas operações tapa-buracos. Tem empresa terceirizada realizando o trabalho, equipe da prefeitura e equipe de repavimentação.

O que quer dizer com isso?

Schmidt: A verdade é que nunca em um único contrato nos 100 anos de Erechim foi realizado uma licitação de mais de 200 mil metros quadrados de pavimentação em CBUQ (asfalto a quente). Nós fizemos.  Só em 2018 foram contratados serviços na ordem de R$ 20 milhões. Não foi todo executado ainda, e levará aproximadamente mais 90, 120 dias. Mas estão em recuperação todas as grandes vias de acesso aos quatro cantos de Erechim.

 

Muito se fala que a prefeitura só guarda dinheiro e tem obras represadas a serem feitas.

Schmidt: Com a economia que fizemos no primeiro e no segundo ano que foram superavitários estamos conseguindo investir. Agora chegou o momento das praças. Ainda nesse mês ou em fevereiro lançaremos o edital de reforma de quatro praças. Só não será dada a ordem de serviço imediata pois impedirá a população de usá-las durante as obras. Termina uma e inicia a outra.

 

Quais são as praças?

Schmidt: Júlio de Castilhos, Prefeito Jayme Lago, Praça da Bandeira e Daltro Filho.

 

Fala-se muito da nova escola Belas Artes ao lado do Centro Cultural 25 de Julho. Sai esse anos?

Schmidt: É um dos nossos objetivos. Queremos fazer ainda nesse ano uma parceria público privada da nova escola do Belas Artes. E com relação aos recursos ainda gostaria de registrar que compramos em 2018 e pagamos à vista muitos veículos, muitos caminhões e também a área da antiga Fundação dos Funcionários da Cotrel.

 

Mas afinal o que vai ser usado naquele local? Já tem projeto para isso?

Schmidt: Claro. No momento que tivermos toda a área devolvida pois a Aurora utiliza a área do refeitório e paga R$ 29 mil por mês de aluguel. Não é justo pagarmos o aluguel da secretaria de Educação, onde temos mais de trinta ônibus em nossa frota própria e esse local é o ideal. Mas hoje a Aurora não tem onde colocar 2,8 mil funcionários e estão chamando mais gente para ampliar as atividades no município. Só podemos agradecer a Aurora que colabora com Erechim gerando empregos,

E tem recursos para investimentos nessa área. Podemos ter um ginásio municipal aguardado há décadas pela população?

Schmidt: Quando adquirimos a área disse que não teríamos nos próximos 12, 15 meses recursos para investir no local. Mas aquele ginásio precisa ser terminado com capacidade para cinco mil pessoas. A parte mais cara está feita e a prefeitura comprou e agora é dela.

 

Quando resolveram adquirir essa área, teve alguma conotação com a história de Erechim?

Schmidt: Sim, um resgate. Outra questão quando da compra é assegurar a presença do município no Bairro Três Vendas, o primeiro de Erechim. Foi uma oportunidade que o município teve. E fizemos aquela modificação do rótula no entroncamento da José Oscar Salazar e Caldas Júnior para permitir a circulação de veículos leves pela Júlio Trombini e desafogar o trânsito.

 

Está ocorrendo a reforma do prédio da prefeitura. Está em obras na parte externa e interna. O que será feito no primeiro piso onde funcionava a secretaria da Fazenda?

Schmidt: Estamos discutindo internamente de descer todos os gabinetes para o andar térreo. Tem que avaliar se temos área suficiente para isso. E se der certo, será feito. Desta forma a ideia é realizar na parte superior uma área de despachos e eventos públicos. Erechim carece muito destas solenidades que não são prestigiadas por grande número da população. Queremos deixar o prédio adequado às necessidades do município. Pelo que me lembro o prédio foi pintado a última vez em 1998 a última vez. Agora estamos recuperando. Não é uma restauração, mas uma boa revitalização do prédio. As pessoas estão vendo aos poucos, suas novas feições.

 

O Distrito Industrial Norte Davide Zorzi foi lançado e o edital e está sendo refeito para ajustes e ser relançado. Em que situação se encontra?

Schmidt: Conversei na terça-feira (15) com o secretário de Desenvolvimento Econômico Altemir Barp e me garantiu que está andando de forma muito célere. E tenho a convicção que ainda nesse ano de 2019 estaremos realizando todos os trabalhos de instalação desse distrito pela iniciativa privada.

 

Numa das primeiras entrevistas que concedeu na condição de prefeito numa coletiva, disse que se a prefeitura de Erechim tivesse 500 funcionários a menos andaria da mesma forma. Dois anos se passaram e o pensamento é o mesmo?

Schmidt: Temos discutido a possiblidade de criar um programa de incentivo a quem quiser se afastar do serviço público. No estilo do Pedido de Demissão Voluntária (PDV). Isso é uma análise que tem ser feita com muita cautela, pois não podemos expor ninguém. Me informaram que os números de Passo Fundo em relação a população e nós temos muitos servidores. Essa é a verdade.

Erechim arrecada pouco? Tem municípios menores que arrecadam bem mais?

Schmidt: Olha o orçamento de Lajeado com 70 mil habitantes e arrecada R$ 350 milhões. Quase R$ 100 milhões a mais do que nós com 35 mil pessoas a menos. Basta olharmos os orçamentos de Aratiba, Ipiranga do Sul. Olha para Bento Gonçalves. Dizem que Erechim é muito rica, mas na verdade a nossa arrecadação é muito baixa.

 

O andamento das obras está a contento? E os R$ 100 milhões para a ampliação do Santa Terezinha, acredita que é possível?

Schmidt: Temos feito obras e queremos continuar fazendo. Acredito que a administração está conseguindo mostrar que mesmo com poucos recursos está avançando em muitas obras. Conseguimos colocar no Orçamento Geral da União os R$ 100 milhões para a ampliação da Fundação Hospitalar Santa Terezinha. Não sei se vão pagar ou não, mas está no orçamento.

A prova que Erechim não é uma cidade rica é que matéria desta semana do Jornal Bom Dia trouxe que a média salarial é de 2.5 salários mínimos o colocando em 86º colocado no Estado em renda

Schmidt: Esses dados realmente comprovam o que falamos até agora e esse é sim um grande desafio de todos.

 

A secretaria de Saúde está na mão do MDB, com a nomeação de Dércio Nonemacher como secretário e Plínio Costa Júnior como adjunto da pasta?

Schmidt: Eu não vejo a secretaria da Saúde nas mãos do MDB. Não vejo a secretaria de Desenvolvimento Econômico nas mãos do PSDB. Não vejo a secretaria da Cultura, Esporte e Turismo nas mãos do PRB. Eu vejo todas as secretarias integrando uma administração municipal. Então eu não vejo uma secretaria na mão de nenhum partido. Eu vejo uma administração pública que deva continuar pois Erechim não termina de quatro em quatro anos.

 

Vamos falar um pouco de política prefeito. O senhor já reiterou em várias oportunidades que não quer concorrer à reeleição nas eleições de 2020. Diante disso várias pessoas do governo, legitimamente, querem ser o representante do governo. Como lidar com esses anseios internos de seu grupo que querem concorrer a prefeito no ano que vem?

Schmidt: Tem nomes internos e tem nomes externos. E para a cidade continuar a se desenvolver nada impede que seja um nome de fora o representante da administração nas eleições do ano que vem. Eu acredito piamente nisso. O que é representar a administração? É representar o partido do prefeito? Do vice-prefeito? Representar uma secretaria? Não vejo assim. Temos que encontrar alguém de comum acordo e não necessariamente com os partidos que integram o governo e que podem até estar conosco. Eu li uma entrevista do presidente do PRB em sua coluna que tem como expectativa ter como candidatos Pedro Lorenzi (prefeito de Paulo Bento) ou o ex-vereador Ernani Mello e não vejo nenhum problema nisso. É um direito deles. E todos os partidos são autônomos de lançar candidaturas, mesmo estando dentro da administração. Então podem ser nomes internos ou alguém que venha de fora.

 

Estamos fechando o ciclo dos 100 anos em 30 de abril. Qual o desafio dos próximos anos para Erechim?

Schmidt: O nosso maior desafio do momento é a recuperação econômica do pais, dos estados e consequentemente dos municípios. E para nós aqui em Erechim a recuperação de empregos é o grande desafio. Claro que o poder público é limitadíssimo concernente a isso. Não podemos transformar em empreguismo e dizer que estamos gerando empregos. Uma cidade só se desenvolve com geração de emprego e renda. Esse é o maior projeto social que podemos ter. Se todos tivessem empregos não precisaria ter bolsa família.

 

A velha política de pensar a cidade só para quatro anos se sustenta? Ou não temos mais espaço para esse modelo ultrapassado?

Schmidt: A vida é contínua e não para de quatro em quatro anos. Agora Erechim por um toque de mágica do prefeito vai para frente?  Não é assim que funciona. Cada prefeito que por aqui passou buscou fazer o melhor ao seu tempo. E não sou só eu que penso assim. Os ex-prefeitos Antônio Dexheimer, Eloi Zanella e Paulo Polis também tem esse entendimento. Uma cidade não acontece de quatro em quatro anos. Acontece durante seu desenvolvimento e em Erechim isso ocorre há 100 anos.

  

   

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