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Economia

Satisfação em produzir e vender alimentos

O Jornal Bom Dia conversou com alguns comerciantes noturnos que vendem lanches e ficam em frente à Praça Jayme Lago, a Praça dos Bombeiros, para saber como é trabalhar e ganhar a vida nesse serviço

Trabalho gratificante, comenta Ernani
“Amo de paixão”, diz Lucy
Surpreso com o retorno, afirma Rodrigo
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

Ao sair para caminhar à noite em Erechim se encontra uma série de carros estilizados que comercializam diferentes tipos de comidas doces e salgadas. Muitos começaram com uma simples carrocinha e hoje, anos depois, suas empresas móveis são chamadas de Food Truck. O Jornal Bom Dia conversou com alguns comerciantes que ficam em frente à Praça Jayme Lago e Praça dos Bombeiros, para saber como é trabalhar e ganhar a vida nesse serviço.     


"Satisfação em trabalhar" 


Na sua empresa ambulante, o microempresário, Ernani Ferreira, 58, trabalha há mais de 17 anos vendendo pastel, no mesmo ponto em frente à Praça Jayme Lago. Ele gosta da sua rotina que inicia às 19 horas e vai até as 23 horas. "Esse trabalho é muito bom, tenho satisfação, prazer em fazer, porque estou lidando diretamente com o público e se fizer bem-feito, vendendo um produto de qualidade, acabo ganhando cada vez mais clientes", comenta. 


Durante o dia, Ernani prepara os alimentos, as carnes, os recheios e à noite comercializa junto com a sua funcionária Giovana Chagas. "Dá para ter um bom retorno financeiro, mas tem que ter um produto de qualidade, senão não consegue se manter. Com um produto bom dá para fidelizar cada vez mais a clientela, aí conseguimos nos manter sem problema algum", explica. 


Depois de trabalhar 20 anos como vendedor, a esposa o incentivou a abrir o próprio negócio e Ernani encarou o desafio. "Comprei uma Kombi na época e fui trabalhar. Formei dois filhos vendendo pastel e a ideia é continuar trabalhando", afirma.  


Segundo Ernani, na época era um pouco mais simples para conseguir a licença e um ponto para vender alimentos na rua. "Hoje é mais difícil e tem lista de espera. Não posso vender esse ponto, a não ser passar para um filho ou neto", diz.  


O comerciante nunca foi assaltado ou passou por alguma situação de perigo por trabalhar à noite. Tanto ele quanto a funcionária Giovana, que trabalha há três anos com ele, concedem uma dica: "quando chega alguém para pedir um pastel ou alguma coisa para comer a gente sempre dá, nunca negamos".
Na sua avaliação, esse é um ramo de negócio que dá certo, mas tem que ser muito bem-feito e a exigência é cada vez maior com um produto de qualidade e no atendimento aos clientes. Por isso, é importante fazer cursos disponibilizados pela prefeitura de boas-práticas. "Esse trabalho é gratificante e não estou ganhando dinheiro sozinho, mas gerando emprego para mais uma família", diz. 
Ernani está satisfeito com o negócio e o esforço para mudar está sendo recompensado. Mas não é fácil. Tem que trabalhar com vontade, carinho, ser persistente e gostar do que está fazendo. Assim é possível ter retorno por meio dos clientes.


Há 26 anos na atividade


Depois de se aposentar e parar de dar aulas, Lucy Monauar, decidiu junto com o marido vender lanches na rua. De lá para cá já são 26 anos de atividade, vendendo churros, kreps e espetinho em frente à Praça Jayme Lago. Mesmo depois do marido falecer ela continuou com o negócio, e hoje trabalha das 18 horas até 23h30min, com o auxílio do funcionário Agenor Meneguello, que colabora no trabalho há seis anos. "A gente começou precariamente com uma carrocinha vendendo churros. Não tinha luz para fazer o kreps, aí a Denise Kleinubing, proprietária na época da concessionária de carros me cedeu, assim vendia churros e depois kreps. Mas tarde compramos uma Kombi e hoje tenho um Food Truck", diz.


Segundo Lucy para trabalhar nesse ramo, primeiro tem que gostar, porque também não é fácil. "Mas eu amo de paixão", afirma. Ela acrescenta: "nesses 26 anos de trabalho nunca aconteceu um assalto, às vezes fico até sozinha".


Ela afirma que essa atividade dá retorno financeiro, mas tem que preparar bem o alimento para que agrade o consumidor. "Porque acredito que só não dá lucro para quem não faz um lanche bom", diz.  
Conforme Lucy ser proprietária de um negócio traz muitas responsabilidades e trabalho, mas também, consequentemente, um retorno econômico maior. "Estou com 70 anos e os meus filhos dizem que tinha que parar, mas isso é um "vício" que a gente não consegue largar, porque me dá satisfação e sinto falta no dia que eu não venho", comenta. 


Ela afirma que é muito importante e parabeniza a fiscalização da Vigilância Sanitária em Erechim, pois são exigentes e isso traz segurança aos consumidores que irão comer alimentos saudáveis. 
Lucy vê o comércio de alimentos como uma boa oportunidade financeira, já que hoje em dia não está fácil conseguir um emprego. "No entanto, diz que o lucro hoje é menor do que anos atrás, mas ainda dá para viver. Tenho só a agradecer aos meus clientes", diz. 


O filho de Lucy também tem um Food Truck há anos e comercializa churros, kreps e churrasquinho. Inclusive lembra que foi ele que sugeriu à mãe que acrescentasse ao seu cardápio o tradicional espetinho de carne.  


Surpreso com o retorno 


Rodrigo Teimer começou a atender o público com o seu Food Truck em janeiro, com o objetivo inicial de buscar uma renda complementar. No entanto, em apenas um mês e meio de funcionamento ele já está considerando tornar o novo negócio a principal fonte de renda. 


Ele trabalha das 18h até a hora que tiver cliente. "Na semana passada foram todos os dias até as duas da manhã", conta. O que Rodrigo não esperava é que o retorno fosse tão satisfatório e já está pesquisando para trocar e pegar um Food Truck maior. "O movimento está muito bom, o cliente chega pega um lanche (espetinho, hambúrguer, kreps e churros) e sai. A partir da semana que vem vamos vender o pancho uruguaio", diz.  


Segundo Rodrigo, o novo negócio não é totalmente inédito na família, isso porque a sua mãe, Maria Neiva Teimer, durante muitos anos vendeu churros e kreps, e com esse rendimento pagou a faculdade da irmã. Ela trabalhava durante o dia na escola e à noite como comerciante. Hoje, mesmo aposentada, voltou a trabalhar com o filho, com outro formato e mais opções de comidas. 


Hoje a sua clientela envolve todas as faixas etárias, desde crianças até adultos. Ele disse que até agora não teve problemas com a segurança. Para o comerciante, a fiscalização sanitária é muito importante nesse tipo de negócio para manter a qualidade do produto e serviço.


Rodrigo afirma que apesar do pouco tempo, as vendas estão boas, novos clientes estão aparecendo e a ideia é ampliar cada vez mais. Mas para isso, ressalta, é muito importante atender bem o cliente. "O essencial é o bom atendimento, a qualidade dos produtos e do serviço que está prestando, com certeza esses são fatores que contribuem para garantia do negócio. O mais satisfatório é ver que aqueles que experimentaram estão voltando", diz.

 

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