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Economia

Juros: a realidade é bem diferente

A taxa básica Selic chega ao menor nível histórico de 2,25% ao ano, mas mesmo assim, na prática de mercado os números são muito superiores

Simulação de juros para compra de veículo com o custo efetivo total
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou na quarta-feira (17) mais um corte de 0,75 ponto na taxa básica dos juros, a Selic. Com mais essa redução a Selic chega ao patamar recorde de 2,25% ao ano. Essa foi a oitava redução consecutiva e mais uma vez a taxa fica no menor nível histórico. A pergunta que fica é: mas os juros praticados no mercado também irão reduzir? A resposta não é animadora.

Carros

Segundo a gerente comercial, Ana Dias, de uma concessionária de carros novos, moto e loja de seminovos, os juros praticados no mercado estão muito altos ainda, a redução da Selic não teve impacto no setor. Ela explica que para carro zero quilômetro se o cliente não der entrada ele tem que ter um escore nota 10 para conseguir o financiamento, e mesmo assim, vai pagar um juro mensal em torno de 1,20% a 1,30%, ou seja, se for 1,30% o total vai chegar a 15,6% ao ano. E, acrescenta, “se o cliente der uma entrada de 50% a 60% a taxa vai cair somente para 1,2% ao mês”

Noutra situação, explica Ana, quanto mais velho for o carro maior será a taxa de juros, chegando até 2% ao mês. Ela ressalta que conseguir crédito para carro nas financeiras do país não está fácil. “Eles avaliam muito o escore do cliente, e o seu cadastro tem que ser muito bom, as pessoas têm que ter muita condição financeira para aprovar o financiamento”, comenta.

Ana enfatiza que o cadastro de trabalhadores em geral, mesmo não estando com o nome negativado não estão conseguindo crédito. Ela lembra que quando aumentavam os juros do financiamento, os operadores justificavam que a elevação se dava em função da taxa Selic ter subido. “E por que agora que está a 2,25% ao ano ainda não reduziu na prática os juros dos financiamentos”, questiona.          

Imóveis

Segundo o correspondente imobiliário, Jandir Ferla, que encaminha os financiamentos habitacionais, faz toda a parte burocrática, as últimas quatro quedas na taxa Selic não refletiram nos juros dos financiamentos imobiliários. “O mercado financeiro demora pra abaixar os juros, a taxa Selic baixa e depois ele vai se adequando”, diz.

Ele explica que hoje é possível financiar até 80% do valor do imóvel, e quem financia não pode comprometer mais 30% da renda. “Os juros estão em média 7% ao ano. No programa Minha Casa Minha Vida o juro começa com 5% ao ano para imóvel até R$ 170 mil, dependendo da renda do cliente pode chegar até 7,66% ao ano”, diz.

Segundo Jandir, os juros estavam numa média de 8,5% ao ano, neste ano. “Então teve um reflexo, acredito que ainda deve baixar bastante”, comenta

Crédito

Com o aumento dos gastos pessoais, a jornalista, Amanda Mendes, que trabalha no jornal Bom Dia, precisou fazer uso do cartão de crédito. No entanto, na hora de pagar a fatura teve que recorrer ao parcelamento do cartão para conseguir fechar as contas da casa. E como não tinha o que fazer, parcelou, o que lhe trouxe muita indignação, por ter que aceitar os termos do banco e os juros abusivos.

O valor parcelado foi de R$ 953,83, num total de 12 parcelas de R$ 122,02, o que resultou num valor total de R$ 1.464,19. Amanda vai pagar R$ 510,36 de juros com uma taxa de juros ao mês de 7,3%, com um custo efetivo total (CET) de 132,94% ao ano.

Explicação alternativa

Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), na nota técnica “Juros e spread bancários no Brasil: Razões estruturais para os patamares elevados”, entre as razões de caráter estrutural que ajudam a explicar as altas taxas de juros e spread bancários no Brasil, destacam-se:

“a) a gestão da política monetária no país, que define um patamar já extremamente elevado para os chamados juros básicos da economia brasileira, aqueles que remuneram os títulos da dívida pública e acabam servindo de referência para as demais taxas do país; b) a baixa relação crédito/PIB no Brasil; e, c) a concentração de mercado do setor bancário no país, que acaba assumindo características de oligopólio”, diz a nota.

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