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Saúde

Exames preventivos têm redução de 50 a 80%

Índice preocupa e o presidente do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Patologia, Dr. Clovis Klock, reforça a necessidade de as pessoas prosseguirem os tratamentos e cuidados da saúde

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Por Izabel Seehaber
Foto Reprodução Internet

Experimente, por apenas alguns segundos, imaginar que a pandemia está acabando e pense como está sua saúde, de modo geral. Pronto, agora retome a atenção para o todo, lembrando sempre que, ainda não se tem conhecimento de quando esse cenário realmente vai “passar” ou amenizar.

Tal realidade, que reforça a ideia de que manter-se em distanciamento social, tem trazido a vários profissionais de saúde, preocupações em relação aos cuidados com uma série de outras doenças que continuam ocorrendo e precisam de um adequado acompanhamento e diagnóstico precoce.

O médico patologista de Erechim, presidente do Conselho Consultivo da Sociedade Brasileira de Patologia (SBP), Clovis Klock, alerta que houve uma diminuição expressiva de vários exames preventivos, prioritariamente no caso do câncer. “Fizemos um levantamento em diversos serviços pelo País, por meio da Sociedade Brasileira de Patologia, e foi registrada uma redução que varia de 50% a 80% no número de biópsias, no primeiro momento da pandemia, que compreende o fim do mês de março até maio”, comenta.

Na opinião do especialista, esse índice está relacionado a vários fatores. “Se de um lado alguns serviços de diagnóstico de endoscopia e radiologia intervencionista, mamografia e ecografia, por exemplo, estiveram fechados por um período, outra questão é que, posteriormente, muitas pessoas não procuraram atendimento, por medo dos efeitos da covid-19”, assinala Dr. Klock.  

No entanto, ele reforça que há necessidade de a população prosseguir com a prevenção e cuidados da saúde. “O câncer não espera, as doenças crônicas e todos os outros problemas, continuam acontecendo, apesar da pandemia que vivenciamos”, reitera.

Segundo o médico, os agravantes ao "esperar" para procurar um médico podem envolver as diferentes áreas da saúde, desde as doenças crônicas, como diabetes, até problemas neurológicos e cardíacos. “É fundamental que essas pessoas continuem o acompanhamento com seu especialista e se tiver qualquer modificação nos sintomas, procure o médico para avaliar. Não podemos esperar, pois não sabemos quando essa pandemia vai acabar”, pontua, acrescentando que é essencial que o paciente converse com o médico sobre o tratamento.  

Segurança nos atendimentos

O patologista frisa, ainda, que as clínicas e consultórios estão agindo com cuidado para evitar a contaminação pelo novo coronavírus. As medidas são preconizadas pela Vigilância Sanitária e preveem, entre outros aspectos, o uso de máscara, o menor número de pacientes no consultório e, além disso, muitos locais não estão permitindo que o paciente esteja com acompanhante. “Ao mesmo tempo, as pessoas precisam ter consciência que devem fazer a própria parte. Para que possamos deixar o comércio aberto, entre outras atividades e manter o giro econômico, é preciso ter consciência que não é momento para diversão. Não é momento de fazer churrascos, reuniões de família, entre outras aglomerações. Se todos cooperarem, isso tudo vai passar muito mais rápido”, orienta.

Alerta da Sociedade Brasileira de Dermatologia

Na especialidade da Dermatologia, uma das maiores preocupações são os casos de câncer de pele, pois são os tumores malignos mais frequentes no Brasil e no Estado. “As pessoas estão deixando de ir consultar por medo do coronavírus e estão deixando de salvar as suas vidas, muitas vezes. Os tumores de pele continuam aparecendo e se formando e é importante que o dermatologista seja consultado para avaliação do aparecimento de novas lesões para diagnóstico precoce do câncer de pele, em especial do melanoma, um câncer potencialmente fatal. Lembrando que quanto mais precoce for diagnosticado, maior a chance de cura”, alerta a presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção RS, Dra. Taciana Dal’Forno Dini.

A dermatologista e diretora da SBD-RS, Fernanda Magagnin Freitag, destaca, também, casos de outras doenças importantes que precisam de acompanhamento. “Estamos percebendo casos de dermatoses agravadas pelo stress como psoríase, dermatite seborréica, acne e rosácea. Estes casos podem estar bem piores e o paciente permanece em sofrimento em sua casa. Em clínicas ou consultórios, vale reforçar que os médicos dermatologistas estão tomando absolutamente todos os cuidados necessários para evitar a propagação da covid-19. Entre a série de medidas estão a limpeza frequente de superfícies, disponibilização de álcool gel, consultas intercaladas, espaçamentos nos ambientes para evitar aglomeração e proteção com uso de máscaras pelos médicos e por todos os profissionais”, afirma.

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