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Saúde

Amamentação: aliança entre vínculos afetivos e nutricionais

Thanile Vargas Preusz em seu momento especial de amamentação da pequena Clara
Pediatra, Alberto André Pippi Schmidt
Por Izabel Seehaber
Foto Ana Michele Tomelero Martinello

Neste mês, as questões voltadas ao aleitamento materno ganham destaque expressivo por meio da campanha ‘Agosto Dourado’. O objetivo principal do movimento é incentivar a amamentação, que é considerada um imenso ato de amor que ajuda no desenvolvimento saudável dos pequenos, protege de infecções e fornece muitos outros benefícios, tanto para o bebê, quanto para a mãe.

O médico pediatra de Erechim, Alberto André Pippi Schmidt, destaca que o leite materno é o alimento que concede imunidade ao bebê. Nesse sentido, salienta que as pesquisas, até o momento, demonstram que o novo coronavírus não pode ser transmitido pelo leite materno. “Sendo assim, a amamentação não é contraindicada durante a pandemia. Contudo, devem ser observado cuidados especiais, principalmente se a mãe tem o coronavírus. Ela terá que usar máscara sempre que estiver com o bebê, inclusive ao amamentar”, orienta.

De acordo com o especialista, como o leite materno tem o fator imunológico, de anticorpos, e como ainda não há um tratamento específico contra o coronavírus, acredita-se que aleitamento também possa representar uma defesa viral contra todos os vírus e bactérias.

Ao que se refere à valorização do ato de amamentar, Schmidt reforça que nos últimos anos foram registrados avanços. “Houve um tempo em que amamentar com fórmula, era sinônimo, até mesmo, de um “status”. Com o advento dos estudos, foi sinalizada cada vez mais a importância do leite materno, do apego, da relação e vínculo mãe e filho, e, ainda, da imunidade fornecida pelo leite materno, um alimento completo”, pontua.

Um processo nem sempre fácil

Na opinião do pediatra, o aleitamento materno representa um processo, que nem sempre é fácil. Um dos fatores é que cada bebê tem um temperamento. “Alguns facilitam essa primeira relação desde a maternidade. Essa fase é essencial e exige um acompanhamento ainda mais expressivo da equipe de saúde. Algumas mães já tem um seio e mamilo adequado, uma produção suficiente e o bebê “auxilia” mais nesse processo. Nessas situações, as coisas acontecem de forma mais natural”, comenta.

Por outro lado, há casos que exigem um pouco mais de trabalho, o qual vai gratificar no futuro. “Alguns bebês têm mais dificuldade de pegar o seio; há mães que também precisam de um suporte maior, inclusive emocional. O bebê precisa aprender a mamar e esse envolvimento afetivo, por vezes é fácil e, em outros momentos, demanda mais atenção. Isso tudo porque os pais procuram fazer o melhor para seus bebês e, muitas vezes, essa preocupação e responsabilidade de “ter que amamentar”, pode gerar um certo desconforto e precisa ser trabalhado para que seja algo mais tranquilo”, destaca Dr. Schmidt.

Atenção à algumas dicas no ato da amamentação

* Não precisa limpar o seio para amamentar;

* Há situações em que a mãe, por ter alguma dificuldade, precisa colocar uma interface, um mamilo de silicone, e aí sim, precisa higienizar;

* Quando o bebê faz uma pega inadequada, pode surgir a fissura mamária. Esse é um problema que provoca dor e por inibir a amamentação. Nesse caso deve ser aplicado um creme hidratante no mamilo, com pouco perfume, para minimizar;

* Algumas práticas consideradas “culturais”, podem auxiliar na cicatrização, tais como usar a casca de mamão e expor o mamilo ao sol. Nesse mesmo quadro, recomenda-se o uso da concha mamilar e evitar o sutiã, para deixar o seio aerado, favorecendo a integridade da pele;

* Alimentação da mãe: orienta-se as mamães sobre a importância de evitar alimentos com cafeína, tais como chimarrão, café preto, chocolate, entre outros, pois pode passar para o leite materno e ocasionar mais choro excessivo do lactente. Há, também, situações em que o bebê manifesta mais “crises” de choro e que pensa-se que pode ser uma cólica. Nesses casos é solicitado para que as mães evitem consumir leite de vaca e seus derivados no período da amamentação.

* É essencial a compreensão para que a mãe possa expressar o que está sentindo. Às vezes percebemos que o bebê está fazendo tudo certo, mas a mãe permanece um pouco apreensiva ou deprimida. Por isso, vale reforçar a importância da presença da avó, principalmente a materna. “Essa relação de proximidade ajuda muito para a autoconfiança da mãe”;

* Outra luta constante está relacionada à busca pela licença maternidade expandida de quatro para seis meses, a qual seria o ideal para o bebê.

Ao amamentar, reafirmamos o exercício da maternidade

A servidora pública, Thanile Vargas Preusz, de 35 anos, é uma mamãe de “primeira viagem”, contudo, reconhece desde cedo os diferenciais do processo que compreende a amamentação.

Ao Bom Dia, ela relata que, desde que engravidou da pequena Clara, que hoje está com um ano e um mês de idade, sempre procurou se informar sobre amamentação, cuidados com o bebê e observou que havia muitas questões envolvidas, desde o aspecto psicológico até o nutricional. “Tive esse desejo de amamentar e pensava: tomara que eu consiga, pois sabemos que há casos de mulheres que não podem. Ao mesmo tempo, sempre segui as orientações do ginecologista, desde o cuidado das mamas, principalmente no fim da gestação”, comenta.

Quando a Clara nasceu, vieram as expectativas e os medos. No entanto, Thanile e o esposo puderam celebrar, pois ocorreu tudo bem. “Ela não precisou tomar fórmula, sempre tive bastante leite e amamento até hoje”, destaca.

Sobre o que representa a amamentação, a mãe salienta que é difícil definir em palavras, pois é algo muito bom, prazeroso e que parece reafirmar o exercício da maternidade. “Representa muito amor, afeto. Ficamos com aquele desejo de oferecer o melhor possível para o filho. Esse ato representa muito a relação de confiança, segurança, pois ela está sendo alimentada e percebe que tem uma pessoa cuidando dela. Isso é muito importante”, ressalta a servidora, que acrescenta: “ao mesmo tempo que é um alimento tão completo, rico em nutrientes, fortalece o vínculo do bebê com a mãe e esse contato mostra para a criança a percepção de si”.

Thanile pontua, ainda, que amamentar exige bastante esforço. “Devemos cuidar da alimentação e do próprio descanso, mas se temos uma rede de apoio, formada pelo pai, pelos avós, tios, que podem fornecer um suporte em outras atividades da casa, é primordial. O aleitamento materno não é um ato automático, devemos aprender a amamentar e a criança precisa aprender a mamar”, reforça.

Nesse sentido, a mãe lembra que a amamentação não é somente de quem dá o peito, considerando que a mulher que fornece a mamadeira, também mantem uma relação de amor e afeto.

Dica de mãe!

“Busque sempre informações sobre amamentação e ajuda especializada, se necessário; questione os profissionais de saúde e as mulheres da família que já amamentaram. Outra dica é: confie em si e na própria capacidade. Esse componente psicológico influencia muito na amamentação”.

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