Elevação do dólar e nos custos da matéria prima indicam que 2016 poderá iniciar com rejustes nos preços do material escolar
O material escolar deve ficar, em média, 10% mais caro em 2016, segundo previsão da Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (Abfiae). A entidade prevê que produtos fabricados no Brasil, como caneta, borracha e massa escolar, podem ter aumento de até 12% e que os produtos importados, como mochilas, lancheiras e estojos, subirão de 20% a 30%. Em Erechim, o repasse de preços deverá seguir a tendência nacional.
Conforme o lojista Flávio Santo Dallasen, o preço do material escolar já foi reajustado e não deve sofrer maiores alterações no período de 2016. Em relação ao mesmo período do ano passado, o acréscimo foi de 10% para produtos gerais e 20% para materiais importados. Dallasen explica que a procura por materiais escolares ainda está baixa e deve aumentar em janeiro e fevereiro do próximo ano.
A proprietária de uma livraria e papelaria localizada no centro de Erechim, Maria Rossett, explica que o reajuste do material escolar está dentro da média. A empresária explica que todo o ano há um reajuste médio de 10%, decorrente do aumento no valor da matéria prima, frete e demais fatores. Segundo ela, alguns pais já estão aproveitando o 13º salário para comprar o material escolar antes de planejar as férias, mas que o maior fluxo de pessoas na livraria é nos dois primeiros meses do ano.
Na loja de Carla Vivian, não houve grande reajuste nos preços do material escolar. "Nós nos adiantamos e compramos o material escolar na metade do ano, então estamos com praticamente o mesmo preço do ano passado". Sobre o material escolar importado, a lojista explica que enfrenta dificuldades para comprar os produtos.
Desvalorização do real contribui para aumento
Segundo a Abfiae, nos últimos 12 meses os itens de material escolar subiram, em média, 10% e a expectativa é que esse percentual se mantenha no ano que vem.
A desvalorização do real, o aumento dos insumos e da mão de obra contribuem para o reajuste. "O aumento será maior do que o dos anos anteriores, quando os preços praticados estavam ligeiramente abaixo da inflação.
Este ano será acima por causa da desvalorização do câmbio, que tem impacto em toda a cadeia produtiva", diz o presidente da Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares, Rubens Passos. Segundo ele, tanto os importadores quanto a indústria nacional sentirão o impacto. A estimativa de redução nas vendas é 5% a 10% em relação a 2014. Diante desse cenário, Passos recomenda aos pais e responsáveis para que pesquisem bastante antes de comprar o material e que antecipem as compras.
"Muitos lojistas compraram produtos no primeiro semestre deste ano ainda sem o aumento dos preços que ocorreu a partir de julho. Esses lojistas não sofreram com os aumentos e estão com preço médio melhor. Quanto mais conseguirem antecipar as compras, menores os preços", explica.