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Economia

Driblando a crise

Abertura de microempresas individuais (MEIs) cresce 95% em Erechim no primeiro trimestre de 2021 em comparação com mesmo período de 2020

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Por Ragnara Zago / Salus Loch
Foto Divulgação

A pandemia do novo coronavírus abreviou vidas, colocou sistemas sanitários de joelhos e impactou profundamente diversos setores econômicos em Erechim, no Brasil e no mundo.

A necessidade fez com que muitos, buscando se reinventar e garantir renda, saíssem - por pressão, na maioria dos casos, ou opção - de suas zonas de conforto e decidissem empreender.

O resultado desse movimento foi a proliferação das chamadas micro e pequenas empresas. Só no primeiro trimestre de 2021, a secretaria de Desenvolvimento de Erechim registrou a abertura de 426 microempresas individuais, o que representou crescimento de 95% em relação ao mesmo período do ano passado, quando 218 abriram as portas.

Para se ter uma ideia, ao longo dos 12 meses de 2020, o total de microempreendedores formalizados foi de 1014 - o que, se mantido o ritmo dos primeiros 90 dias de 2021, deve ser alcançado entre julho e agosto do presente ano.

Um dos novos negócios abertos com esse perfil foi a lavagem ecológica e polimento técnico de André Marchiori, que, por estar desempregado, resolveu seguir o sonho de abrir sua empresa. “É necessária muita coragem para ser empreendedor em meio à pandemia. Contudo, decidi correr atrás de meus objetivos, apesar de estar ciente das dificuldades”, conta. André atende inicialmente à domicilio, e aguarda a liberação de créditos disponibilizados, via o programa Cred+ da prefeitura, para estabelecer seu ‘ponto fixo’. “Para que o espaço próprio da empresa se torne realidade, preciso deste auxílio. Felizmente, porém, hoje a demanda dos serviços já é grande, pois se tornou cômodo para as pessoas não precisarem se deslocar para lavar seu carro, fora que o método é 100% ecológico e não utiliza nem 600 ml de água’, explica André, que arremata: mesmo em meio à crise, é preciso procurar se reinventar e transformar projetos em ação.

O raciocínio vale para Andry Vargas, que, embora tenha aberto as portas no fim de 2019, confeccionando camisetas personalizadas e reformas de roupas em geral, viu seu negócio se expandir após o surgimento da covid-19. A empreendedora lembra que, em razão do uso obrigatório de máscara, decidiu apostar na confecção destes materiais. “Inicialmente, oferecia apenas para familiares, mas quando as pessoas ficaram sabendo, começaram a me procurar”, conta Andry - que chegou a produzir cerca de 1.000 máscaras sob demanda para uma empresa de Erechim. A demanda foi tanta que ela criou sua própria marca - confeccionando, além das máscaras, também uniformes.

 

Erechim tem 15,7 mil empreendimentos ativos

Somados todos os tipos e portes de empreendimento, o secretário de Desenvolvimento, Ernani Mello, informa que 605 CNPJS foram abertos no município só nos primeiros três meses do ano.

O número faz com que Erechim chegue a 15,7 mil empreendimentos ativos - sendo que os MEIs representam 47,3% do total, com 7.425 CNPJs formalizados. Veja como é a distribuição por porte do negócio:

Microempresa individual: 7.425 (47,3%);

Micro empresa: 4.732 (30%);

Geral: 1.482 (9,4%)

Autônomos: 1.400 (8,9%);

Empresa de pequeno porte: 661 (4,2%).

 

No Brasil, mais de 620 mil micro e pequenas abertas em 2020

Dados do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) mostram que, em 2020, foram abertas 626.883 micro e pequenas empresas em todo o país. Desse total, 535.126 eram microempresas (85%) e 91.757 (15%) empresas de pequeno porte.

Neste rol está Ana Paula Comarella, que mora em Gaurama. Após anos prestando serviço a uma empresa de Erechim, ela resolveu investir no próprio negócio. “No início da pandemia, decidi mudar o rumo da minha história. Não era mais vantagem me deslocar todos os dias da até Erechim para trabalhar, e como sempre sonhei em ser empreendedora, decidi ousar”, conta. Ela abriu um disk pizzas que apresenta ótimos resultados financeiros e possibilitou aos gauramenses uma opção a mais no campo gastronômico. “Em Gaurama, ninguém oferecia esse serviço. Os pedidos são feitos durante o dia e à noite, com horário marcado, entregamos na porta da casa. Não há problemas com eventual sobrecarga da demanda, pois como é organizado previamente, não há risco de dar errado”, destaca Ana.

Com o sucesso das pizzas, a empreendedora decidiu ampliar as opções do cardápio, e incluiu a produção de bolos e tortas. “Comecei de forma despretensiosa, mas os clientes receberam a novidade muito bem, fazendo pedidos. Isso me incentivou a abrir um leque cada vez maior de sabores”, revela. Ana enfatizou que uma das estratégias das vendas é valorizar os consumidores. “Constantemente envio cortesias junto com o pedido, brindes, recados. Meus clientes são muito importantes para mim, e essa foi a maneira que encontrei de valorizá-los da melhor forma possível”, destaca.

Sobre a divulgação, ela afirma que as redes sociais têm ajudado muito. “Divulgo todos os meus trabalhos pelo Instagram, Facebook e grupos de Whatsapp. As pessoas acabam gostando, repostando e recomendando, o que faz com que muitas vezes a propaganda aconteça por si só”, completa.

Questionada se pretende abrir um espaço físico como um restaurante, quando a pandemia terminar, Ana diz que não. “Tem dado muito certo dessa forma, não pretendo expandir. Meu objetivo é apenas aperfeiçoar o bom trabalho que já está sendo realizado”, finaliza.

 

Setores mais demandados

Os setores onde as microempresas abriram maior número de unidades em 2020 foram serviços combinados de escritório e apoio administrativo (20.398 empresas), comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios (16.786) e restaurantes e similares (13.124). Já os setores onde as pequenas empresas abriram mais estabelecimentos foram serviços combinados de escritório e apoio administrativo (3.108), construção de edifícios (2.617) e comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios (2.469). De acordo com o Sebrae Nacional, o resultado evidencia a força do empreendedorismo no Brasil.

Com base em dados do governo federal, apurou-se que, no ano passado, o país criou 3,4 milhões de novas empresas, alta de 6% em comparação a 2019, apesar da pandemia de covid-19. Ao final de 2020, o saldo positivo no país foi de 2,3 milhões de empresas abertas, com destaque para microempreendedores individuais (MEI).

De acordo com o ministério da Economia, o registro de 2,6 milhões de MEI em 2020 representou expansão de 8,4% em relação ao ano anterior, levando essa categoria de empreendedores ao total de 11,2 milhões de negócios ativos no país. O MEI representa hoje 56,7% das empresas em atividade no Brasil e 79,3% das empresas abertas no ano passado.

 

Saiba mais

Se a pessoa quer começar um negócio ou já trabalha por conta própria e fatura até R$ 81 mil por ano, ela pode ser um MEI (Microempreendedor Individual). 

Conforme o governo federal, as outras condições para se tornar um MEI são:

  • Não participar como sócio, administrador ou titular de outra empresa;
  • Pode contratar no máximo um empregado;
  • Exercer uma das atividades econômicas previstas no Anexo XI, da Resolução CGSN nº 140, de 22 de maio de 2018, o qual relaciona todas as atividades permitidas ao MEI.

 

Curso do Sebrae

O Sebrae oferece um curso a distância "Microempreendedor Individual" que auxilia no processo de constituição do negócio, informando tudo o que é preciso saber para se formalizar: direitos, benefícios, obrigações e orientações para aumentar os lucros, conquistar mais clientes e até contratar um funcionário.  

Quanto custa ser MEI?

O microempreendedor individual terá como despesas apenas o pagamento mensal do Simples Nacional. O cálculo corresponde a 5% do limite mensal do salário mínimo e mais R$ 1,00 (um real), a título de ICMS, caso seja contribuinte desse imposto e/ou R$ 5,00 (cinco reais), a título de ISS, caso seja contribuinte desse imposto, explica o Sebrae. O pagamento pode ser feito por meio de débito automático, online ou emissão do Documento de Arrecadação do Simples Nacional (DAS).

Benefícios de ser MEI

# Direito a auxílio-maternidade;

# Direito a afastamento remunerado por problemas de saúde;

# Aposentadoria;

# Sendo MEI, você é enquadrado no Simples Nacional e ficará isento dos tributos federais (Imposto de Renda, PIS, Cofins, IPI e CSLL);

# Com CNPJ, pode abrir conta em banco e tem acesso a crédito com juros mais baratos. Pode ter endereço fixo para facilitar a conquista de novos clientes;

# Conta com cobertura da Previdência Social para você e sua família. Conta também com o apoio técnico do Sebrae para aprender a negociar e obter preços e condições nas compras de mercadorias para revenda, obter melhor prazo junto aos atacadistas e melhor margem de lucro.

Dicas

Passos importantes para o MEI se dar bem:

Preparar o relatório mensal - É recomendado que, todo mês, o MEI preencha o Relatório Mensal das Receitas que obteve no mês anterior (pode ser manualmente). Preenchido o relatório, ele também deve anexar e guardar as notas fiscais de compras de produtos e de serviços do mês e a notas fiscais que emitir. Isso garante que ele tenha seus dados de faturamento organizados para preencher a Declaração Anual.

Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) - Todo MEI exerce dois papéis: o de empresário (Pessoa Jurídica) e o de cidadão (Pessoa Física). Por isso, dependendo do volume do seu rendimento e do lucro do seu negócio, você também terá que apresentar a sua Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF).

Regularização de funcionários - É importante lembrar que o MEI pode ter um empregado ganhando até um salário mínimo ou o piso salarial da profissão, com todos os demais direitos trabalhistas.

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