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Economia

A herança de três décadas de persistência

Por Larissa Paludo larissap@jornalbomdia.com.br
Foto Larissa Paludo

Há 34 anos no mercado, o grupo Provin Joias surgiu com o comércio autônomo e itinerante de mercadorias de ouro. Tudo começou com uma viagem, do atual diretor executivo da empresa Marcos Augusto Provin, a São Paulo. O garoto, com 20 anos na época, voltou de lá com duas pulseiras de ouro. Ele vendeu as duas peças no mesmo dia.

Provin conta que com o dinheiro das duas pulseiras e mais uma quantia guardada, ele retornou a São Paulo e comprou mais dez pulseiras. “Me interessei por esse mercado, que era pouco explorado aqui na região Alto Uruguai”, rememora.

Vindo de uma família humilde, Provin, que já havia trabalhado como porteiro no Hospital de Caridade (HC) de Erechim e como assistente administrativo no setor de Máquinas da prefeitura de Erechim, estava em seu terceiro emprego como tesoureiro da Cooperativa Regional de Eletrificação Rural do Alto Uruguai (Creral) em 1982.

Comprava em São Paulo e revendia em Erechim e região. Assim, de viagem em viagem, o diretor foi administrando seu negócio empreendedor e conciliou durante alguns meses com o trabalho na Creral.

No início de 1985, montou um escritório na Avenida Tiradentes e empregou algumas vendedoras. Ainda com cicatrizes no pulso, Marcos relembra que foi roubado e perdeu a mercadoria. “Eu só trabalhava com ouro, e como ele chama a atenção de assaltantes, mudei o perfil do empreendimento. Aderi à prata e a outros metais”, pontua.

Marcos Provin viajava três vezes por mês nos primeiros anos do negócio e passou a revender os produtos para lojistas. Ele conta que ia a São Paulo de acordo com o fluxo de vendas, “eu saia de Erechim no domingo de tarde, chegava a SP na segunda-feira de manhã, tomava banho na rodoviária, passava o dia em busca de produtos nas fábricas, no fim da tarde retornava para a rodoviária e na terça-feira de manhã já estava em Erechim para trabalhar”, observa.

Tudo do zero outra vez

Em uma dessas viagens a SP, o ônibus que transportava Marcos e suas joias foi furtado. Ele perdeu todo o patrimônio. “Como vendia de maneira atacadista, eu comprava as peças a prazo. Cheguei a Erechim sem mercadoria e devendo. Tive de reunir o dinheiro de tudo que já havia conquistado para quitar as dívidas e começar de novo”.

Como saída para quitar o rombo do furto, ele virou representante comercial de uma empresa de joias folheadas. “Um dos grandes segredos para o sucesso do negócio é a persistência. Foi a segunda vez que tive de começar tudo do zero. Nesse momento que surgiu a ideia de abrir uma indústria”.

Como o diretor já possuía conhecimento a cerca do mercado e da produção industrial de joias, surge, em 1990, a fábrica da Provin Joias. O novo projeto da empresa visou um produto mais barato, mas com o mesmo conceito de qualidade. “A minha exigência era que os folheados fossem de qualidade e com garantia. Eu quis criar um produto que as pessoas sentissem orgulho em usar”, constata.

A indústria começou com seis funcionários na Rua Dom Pedro II. Marcos explana que um dos requisitos da fábrica foi implementar o setor de galvanoplastia - que, em outras palavras, é responsável por aquele ‘banho de ouro’ na joia. 

Nesse momento ele mantinha a indústria e o escritório, local no qual controlava as finanças e orientava as vendedoras. Em 1995, abriu a primeira loja em Erechim, na Avenida Maurício Cardoso e no ano de 1996, Marcos uniu a indústria e o escritório na Rua São Paulo. 

Momento na política

Nos próximo ano, 1996, o diretor executivo se envolveu na política e concorreu a deputado estadual pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT). Fez quase 18 mil votos, mas em função da legenda do partido ficou como suplente. Foi secretário municipal durante alguns anos e em 2000 largou a política.

“Todas as coisas ruins que aconteceram na minha vida foram de certa maneira fatos que contribuíram para que coisas boas viessem depois. Por exemplo, se eu tivesse seguido na política, provavelmente hoje não existiria o grupo Provin”, argumenta.

Em 2008, abriu a fábrica no Bairro Esperança, onde está localizada a matriz. Atualmente, o grupo Provin conta com oito lojas: uma em Chapecó, duas em Passo Fundo, três em Erechim além de duas lojas da Bella Bijoux também em Erechim. Há ainda três escritórios de revendedoras em Passo Fundo, Erechim e Chapecó, um showroom em São Paulo, uma indústria em Erechim e representantes de vendas em todo Brasil.

O grupo vende para o Brasil inteiro com representantes e distribuidores. O foco principal é o mercado interno, que representa 98% do faturamento.

Metamorfose da empresa

De acordo com Marcos Provin, o atual momento da economia fez a empresa se metamorfosear outra fez para continuar faturando. “Vendíamos um produto de maior valor agregado, e agora a demanda é por um produto mais barato (preservando a mesma qualidade). Sempre fomos meio camaleões. Pensamos que nem sempre teremos momentos de fartura. E nos momentos de fartura deve-se montar estratégias e estar preparado para as futuras mudanças, que podem não ser tão positivas”, afirma.

O grupo Provin Joias atua na produção e comercialização de joias folheadas. A fábrica está situada em uma área com mais de 1000 m², e possui aproximadamente 150 colaboradores, distribuídos entre a indústria, varejo localizados em Erechim, Passo Fundo, Chapecó e São Paulo, além de das equipes de consultoras.

Fabricação artesanal

Organização, ferramentas alinhadas na parede e o chão de lajotas brancas e limpas. Esse é o ambiente de produção desses objetos tão delicados. De mão em mão, o processo de fabricação das joias é totalmente artesanal e um anel, por exemplo, chega a passar por mais de 82 mãos diferentes até ficar pronto.

Tudo começa com o desenvolvimento do produto. A partir da definição, ele é impresso em uma máquina CNC. Após, é feito um molde em cera e a peça é colocada em um tubo coberto de gesso e vai para o forno. Quando sair do forno, a cera estará derretida e ficará apenas o molde em gesso – semelhante àqueles utilizados por dentistas. No espaço em que estava a cera, é derramado o metal da peça (ouro, cobre, prata, latão etc).

A peça vai então para o acabamento, local onde ela é lixada e começa a ganhar forma de joia. Alguns utensílios como pulseiras, gargantilhas e brincos precisam ser soldados. Ainda, algumas joias passam por polimento. Todas as peças recebem banho de ouro, rodium, prata etc.

Nesse processo químico, o objeto é mergulhado em vários tanques até ficar pronto para o consumidor final. Como o processo libera diversos componentes agressivos ao meio ambiente e ao ser humano, todo ar e água decorrentes dessa galvanização são despejados em tanques para o tratamento e voltam para a natureza incapazes de poluir.

Marcos explica que além de ser normas da Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luiz Roessler (FEPAM) RS, devolver a água e o ar para o meio ambiente é imprescindível. “Assim como a empresa depende do trabalho de cada um para entregarmos um produto final de qualidade, não conseguiríamos fazer nenhuma joia sem a matéria prima que vem da natureza, como as pedras, metais e a água. Por isso, temos o compromisso social de preservar e retribuir para o meio ambiente, para que os nossos filhos e as futuras gerações possam usufruir de uma boa qualidade de vida”, pontua.

As fotos da reportagem podem ser acessadas aqui.

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