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Economia

Alta no valor do diesel reflete nos postos de Erechim

Em 10 estabelecimentos consultados pelo Jornal Bom Dia, o combustível já está mais caro que a gasolina

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Nas bombas, o maior valor encontrado para o diesel foi de R$ 7,99
Por Vicente Giesel Hollas regiao@jornalbomdia.com.br
Foto Fernando Frazão/Agência Brasil

A Petrobras anunciou, ainda no dia 17 de junho, o mais novo reajuste no valor do repasse de combustíveis para as distribuidoras. Com isso, o preço médio da gasolina que sai das refinarias passou de R$ 3,86 para R$ 4,06 (o que representa uma alta de 5,18%). Já o custo médio do óleo diesel passou de R$ 4,91 para R$ 5,61 por litro (aumento de 14,26%). O valor do diesel nas refiarias não era reajustado desde o dia 10 de maio, enquanto que o preço da gasolina se mantinha o mesmo desde 11 de março, há mais de 100 dias.

Os novos valores de repasse às distribuidoras já entraram em vigor no último sábado, 18. Conforme levantamento realizado pela equipe do Jornal Bom Dia na sexta-feira, 24, em 10 postos de combustíveis de Erechim, o efeito do reajuste anunciado pela Petrobras já é constatado nas bombas de abastecimento. O preço do óleo diesel ofertado aos consumidores em todos os estabelecimentos consultados já é maior que o da gasolina e, em um dos locais já representava uma variação de R$ 0,70 no valor de compra.

Preços

Para o diesel, o maior e menor valor constatado por nossa equipe, respectivamente, foram de R$ 7,99 e R$ 7,39. Já para a gasolina, o preço mais elevado foi de R$ 7,58 e o menor custo de R$ 7,09. A média dos valores dos combustíveis nos 10 postos do município no dia de ontem foram de R$ 7,68 para o diesel e R$ 7,23 para a gasolina.

O mais recente boletim de preços da Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), divulgado na sexta-feira, 24, mostra que o fenômeno não ocorre apenas em Erechim. Segundo o levantamento, pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2004, o preço médio do óleo diesel ultrapassou o da gasolina no Brasil. Em todo o território nacional, o custo médio daquele nesta semana (de 19 a 25 de junho) está R$ 7,56, enquanto que essa está sendo vendida, em média, pelo preço de R$ 7,39.

Transporte

Para o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Alto Uruguai, José Celso Machado, o novo reajuste preocupa toda a categoria. “A classe dos caminhoneiros não foi priorizada. Tem que ter um certo subsídio do governo para manter um preço mais baixo, porque o alimento, o transporte, a construção de rodovias, entre várias outras coisas, dependem do óleo diesel como combustível”, destacou.

Machado ainda destaca que, apesar dos associados do sindicato serem funcionários assalariados, eles sabem que o aumento pode refletir até no salário pago a eles pelas empresas. “A gente sente na pele, é uma insegurança geral”, reiterou o representante, que também frisou que o sonho de todo o motorista é poder comprar o seu próprio caminhão, mas que muitos estão desistindo da categoria em razão das muitas dificuldades enfrentadas que, segundo ele, são de longa data.

De acordo com a Associação Nacional do Transporte de Cargas e Logística, que representa 15 mil empresas do ramo, o reajuste irá resultar em um aumento de, no mínimo, 5% no valor do frete, aplicado de forma emergencial.

Indústria e Comércio

O presidente da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim (ACCIE), Fábio Vendruscolo, comenta que o aumento nos custos dos combustíveis, em especial o diesel, acaba refletindo em toda a cadeia de produção, distribuição e comercialização. “A escalada do preço do diesel espalha uma série de reflexos em setores diversos da economia: do transporte de cargas e passageiros até a produção de alimentos no campo, na indústria e no comércio em geral. O aumento faz com que as empresas reajustem o valor do frete, o que vai impactar em diversos setores e nos custos para a população. As empresas de transportes de cargas e logística não têm como não repassar este aumento”, destacou.

Segundo Vendruscolo, como os combustíveis são a base da matriz energética e do transporte em geral, a alta nos preços provoca uma reação em cadeia, que reduz a movimentação de pessoas e aumenta o preço dos fretes. “Isso faz com que as pessoas gastem mais em combustíveis. Se elas gastam mais em combustível, elas deixam de gastar em outras áreas do consumo”, pontuou o presidente. Para ele, o comércio é o primeiro a sofrer os impactos, mas esses acabam refletindo posteriormente na indústria e também no setor primário, como um “efeito cascata”.

“Torcer para que o cenário mude”

O representante da ACCIE enfatiza, ainda, que a associação não é favorável a este aumento, contudo, destacou que pouco pode fazer para melhorar a situação. “A gente sabe que o combustível é uma commodity que está cara no mundo inteiro. Os produtos no Brasil são transportados em cima de diesel e, por isso, o combustível influencia no transporte geral e no preço final dos produtos, seja aqui em Erechim ou na Região Nordeste. A solução é ajustarmos a nossa produção e os valores dos nossos produtos a essa realidade, reduzir custos e torcer para este cenário mude”, finalizou.

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