Candidato a prefeito de Erechim foi entrevistado na terça-feira (23), para série elaborada pelo Bom Dia. Material está sendo veiculado também na edição impressa deste final de semana
Quem é o candidato Luiz Schmidt?
Sou casado há 37 anos e tenho três filhos. Passei grande parte da vida em Erechim e outro tanto em Porto Alegre, mas sempre deixei o meu coração em Erechim. Estive vice-prefeito por quatro anos, prefeito por outros quatro e tive a oportunidade de presidir o partido a qual pertencia. Fui empresário funcionário do Banco do Brasil, vendedor de consórcios, de cintos e guarda-chuva em praça e artesão em couro. Sou bacharel em Ciências Contábeis e em Ciências Jurídicas e Sociais, e advoguei por um tempo.
Sou uma pessoa comum, assim como todos os outros de nossa sociedade, mas com a missão de representar uma coligação de nove partidos políticos que pensam em implantar um projeto diferente de administração. Buscamos basicamente nos consolidar novamente para buscar o destino que Erechim merece ter. As coisas mudam. Mudam as circunstâncias e mudam também os homens. Nós temos que no dia a dia ser um cidadão melhor do que no dia de ontem. Se formos os mesmos que fomos ontem, a sociedade como um todo involui. Somos um pedacinho, por mais insignificante que seja, desta mesma sociedade. Se em algum momento titubearmos ou voltarmos atrás nós não evoluímos. E o objetivo do homem não é apenas ascensão econômica e social, o objetivo do homem é o desenvolvimento espiritual. Tenho muita vontade de aprender e, mesmo agora em época de campanha, tenho conseguido ler duas por dia e não tenho nenhuma dúvida em sacrificar duas horas de sono e tentar aprender alguma coisa a mais.
O que o motivou a estar como candidato?
Eu não decidi ser candidato a prefeito de Erechim. Os partidos decidiram por mim. Erechim tinha no início do ano 15 candidatos. Meu candidato era Eloi Zanella e insistimos nisso até ele pedir para pararmos. Ele era nosso candidato e entendíamos que pela vida pública que o prefeito Eloi teve, ele merecia o que entendíamos como uma homenagem governar Erechim nos 100 anos de sua história. Quando Eloi declinou começaram a discutir uma nova candidatura e acabei sendo indicado, mas não pelo meu partido. Acabei sendo indicado pela união de forças do Solidariedade, PRB e PR. Tendo sido levantado o meu nome por estes partidos, o meu partido também entendeu que havia viabilidade para que eu viesse a representar a vontade e esse projeto político da coligação 'Erechim 100 anos da nossa história'.
Estive como vice-prefeito quando Antônio Dexheimer adquiriu o Hospital Santa Terezinha e implantou o serviço de quimioterapia. O Schmidt, em seu período de 1997 a 2000, implantou a radioterapia. Esse foi o primeiro serviço de radioterapia para tratamento de câncer no interior do Estado, com exceção da cidade universitária de Santa Maria. Implantamos a UTI neonatal e conquistamos naquele período o título de Hospital Amigo da Criança, por conquistarmos o mais baixo índice de mortalidade infantil que era 8.9 mortes por mil nascimentos. Hoje está em quase 14. Então temos que retomar para colocar as coisas nos seus devidos lugares.
Penso que todos nós temos a responsabilidade e obrigação de tentar devolver à sociedade aquilo que ela nos permitiu. Recebi da sociedade a oportunidade de ter sido vendedor de consórcio, de cinto em praça e de guarda-chuva e eu entendo como missão, colocar esse pouco do que aprendi a disposição e ao julgamento da comunidade. Penso que o carinho que recebo e recebi das ruas é fator determinante. Digo sempre que receber carinho e ser bem tratado nas ruas não significa um único voto, mas significa ser bem quisto. Se perguntarem nos bairros mais carentes de Erechim, acredito que as pessoas responderão, inclusive as que não votam em mim e as que não gostam do programa que eu represento: Schmidt, no tratamento das pessoas é sempre o mesmo, estando ou não em cargo público. Sempre nos trata com respeito e carinho. Isso não é virtude é obrigação do ser humano. Por isso aceitei o desafio, pois é uma caminhada bonita, independente do resultado. Ganhar e perder faz parte de quem disputa, mas apresentar e representar este grupo de nove partidos, eu entendo como missão.
Caso eleito, como pretende administrar o município?
Vejo de forma muito fácil a administração do município, embora tentem tornar confusa. A gente tem que ter alguma estrutura de conhecimento, saber um pouco de cada área. Administrar Erechim se deve, em primeiro lugar, em respeitar a decisão do que a comunidade quer.
O orçamento participativo, nasceu há mais de dois mil anos e não é invenção e nem propriedade de nenhum partido político, ele é um instrumento da sociedade. Implantamos a discussão do orçamento público em 1997, tínhamos as assembléias em que eram elencadas as prioridades, feitos os orçamentos, realizadas as obras e prestado conta do dinheiro aplicado. E essa ferramenta de trabalho vai continuar sendo aperfeiçoada, pois é uma conquista da sociedade erechinense. Investimentos de cunho local e vicinal serão discutidos no orçamento, mas temos a obrigação de oferecer à cidade um projeto de desenvolvimento econômico que, na realidade sempre vai ser socioeconômico, pois não existe geração de renda sem geração de trabalho.
Administrar uma cidade exige determinação, vontade política de acertar, capacidade de diálogo e busca de soluções conjuntas. É importante a presença da universidade como indicador dos vetores de desenvolvimento, ela tem que estar presente na administração municipal. Precisamos rever a função das secretarias, mas depois de ter feito um estudo. Também tem que ser revista a planta de valores, que é uma queixa generalizada. Toda população se queixa a respeito da cobrança do IPTU.