A vida transcorria normal
As pessoas estavam felizes
Tinham suas casas, seus empregos
Seus negócios, suas ocupações.
De repente os rios começaram
A pedir passagem
Queriam de volta o que sempre fora deles.
O desespero, o corre-corre, os gritos
Deram lugar ao silêncio da madrugada.
Gritos de socorro eram cada vez mais fortes
Mães implorando para que seus filhos fossem salvos
Pais tentando, de alguma forma, levar a família
Para um lugar mais alto e seguro.
E as águas não davam trégua
Estavam raivosas querendo destruir tudo e a todos.
Num abrir e fechar de olhos quantas lembranças se perderam
Quantos sonhos viraram pó
Quanta esperança jogada no lixo.
E a tragédia poderia ter sido bem maior
Mas, como sempre, na vida das pessoas
Os anjos estão acampados para proteger.
Chegaram os voluntários
De todas as partes do país
Como muitos dizem até hoje,
O povo pelo povo
Guiados pelas mãos de DEUS.
E a chuva não dava tréguas
Cada momento, mais agitada ficava
Tudo se tornava mais complicado
A tristeza assolava as almas cansadas
Ao vislumbrar seu único bem
Que o vento e as águas haviam levado.
Muitas pessoas desaparecidas
e com coragem, os que lutavam pela vida,
Buscavam seus amados em meio ao caos.
Enquanto lá fora o mundo desaba
Sinto-me protegida e me junto ao pedido de socorro
Ajudando com o que posso.
Choro e é um choro doído
Desses que machucam a alma,
As imagens impressionantes da tragédia
Chocam qualquer pessoa que se coloca
No lugar do outro.
Um pedido de socorro foi ouvido
Por todo o país e almas grandiosas
Vieram de todos os lugares para amenizar,
Pelo menos um pouco,
O sofrimento que, em palavras, não podemos conceber.
E o pedido de socorro haverá de ser ouvido
Por muito tempo
O mesmo tempo que de dias felizes
Transformou o Rio Grande do Sul
Num mar de lama e LÁGRIMAS...