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Economia

Sobram vagas, faltam trabalhadores

O mercado de trabalho de Erechim está aquecido. Há, pelo menos, 1750 oportunidades de emprego no município que não são preenchidas. Representantes locais analisam este cenário

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Trabalho
CDL Debora Lunardi
ACCIE Darlan Dalla Roza
João casagrande
Emerson Schelski
Gilnei
Fabio
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Alan Dias / Divulgação

O mercado de trabalho de Erechim está em crescimento e vem, ano após ano, gerando muitas oportunidades. As empresas locais estão expandindo seus negócios e até entrando em outros segmentos, que antes não atuavam. Além disso, há novos empreendimentos se instalando no município, porque Erechim se tornou uma cidade atrativa para investir, que oferece infraestrutura, educação, saúde, segurança pública, enfim, proporciona qualidade de vida às pessoas. No entanto, desafios começam aparecer pelo caminho e um deles é a falta de trabalhadores para ocupar as vagas abertas. O Jornal Bom Dia ouviu representantes dos setores para entender um pouco mais sobre este cenário.

Empreendedor

Segundo o microempresário, João Casagrande, que trabalha no ramo de estética automotiva, há enorme dificuldade em encontrar pessoas para o segmento dele. Atualmente, João faz o serviço sozinho, porque não encontra colaboradores, para a prestação de serviços que envolve limpeza criteriosa, restauração e proteção do carro. “O detalhamento traz de volta o brilho, a beleza em todos os mínimos detalhes, então, é preciso ter responsabilidade, cuidado, são veículos de alto valor, cumprir horário, o normal de qualquer profissão”, observa ele.

Ele conta que já fez anúncio, nas redes sociais, procurando profissionais, enfatizando que não precisa ter experiência, normalmente, requisito cobrado em muitas empresas, mas, somente, ter vontade de aprender uma nova profissão e que goste de carros e queira se recolocar no mercado de trabalho. “Eu gostaria de expandir o meu negócio, e o projeto de expansão envolve a geração de 8 a 10 empregos diretos, mas não consigo, por falta de profissionais para trabalhar”, afirma ele.

FGTAS/Sine Erechim

Segundo informações do FGTAS/SINE Erechim, o mercado de trabalho erechinense está aquecido, sobram vagas de emprego, há pelo menos, 1750 oportunidades de trabalho no município, que não são preenchidas. Há muitas vagas na prestação de serviços, como pintor, servente, e no setor industrial, como auxiliar de linha de produção, soldador, e, também, auxiliar de escritório.

Conforme o SINE, há muitas vagas, em aberto, porque o município está crescendo, e muitas empresas novas estão se instalando. E, também, há muitas vagas abertas, porque falta qualificação profissional, a exigência é maior em certas profissões e muitos não estão aptos para ocupá-las. “Muitas vezes se percebe a falta de interesse das pessoas, que preferem ficar na informalidade do que assumir um emprego formal”, afirma o SINE.

“O SINE tem cursos, treinamentos para qualificação profissional, em parceria com a Prefeitura de Erechim, Senac, Sindicato Rural, entre outros, e sempre está tentando atender da melhor forma, auxiliando nesta busca, tanto para as empresas quanto para as pessoas que procuram as vagas”.

Mercado de trabalho

O mercado de trabalho de Erechim é formado por cinco setores, agropecuário, indústria, comércio, serviços e construção civil. Segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), órgão vinculado ao Ministério do Trabalho, o setor industrial é o que tem o maior estoque de empregos, com 15.825 trabalhadores com carteira assinada; seguido do setor de serviços, com 13.353 empregados. Na terceira posição, o comércio tem 8.492 empregos com carteira assinada. Na quarta posição está a construção civil, com 1.764 trabalhadores; e, em quinto lugar, a agropecuária com 205 empregos formais.

CDL Erechim

A presidente da CDL Erechim, Debora Lunardi, afirma que a dificuldade de contratação é um desafio crescente em diversos setores, e o varejo não é exceção. “Entre os principais fatores que influenciam este cenário, destacam-se a qualificação profissional, que nem sempre atende às necessidades das empresas, e a mudança no perfil das novas gerações, que buscam maior flexibilidade e propósito no trabalho. Hoje, muitos profissionais priorizam modelos híbridos ou remotos, o que pode entrar em conflito com funções que exigem atendimento presencial e horários fixos, como no comércio. Além disso, a remuneração e os benefícios impactam diretamente a retenção de talentos, já que setores concorrentes muitas vezes oferecem condições mais atraentes”, explica Debora.

Mercado feminino

“No mercado feminino e na moda, estas dificuldades são ainda mais evidentes. Profissões essenciais, como costura, modelagem e confecção, enfrentam escassez de mão de obra especializada, pois muitos profissionais migraram para outras áreas. No atendimento ao público, há uma crescente demanda por vendedoras que também atuem como consultoras de imagem, o que exige capacitação e um olhar mais estratégico sobre o consumidor”, afirma ela.

Comércio digital

Conforme Debora, outro fator importante é a digitalização do varejo. “O crescimento do e-commerce e do marketing digital criou novas oportunidades, mas a qualificação para essas funções ainda é limitada. Muitas mulheres que poderiam atuar nesses segmentos não têm acesso à capacitação necessária”.

Além disso, acrescenta Debora, “as mulheres no mercado de trabalho ainda enfrentam desafios específicos. Muitas delas são as principais provedoras de suas famílias e precisam conciliar a vida profissional com a pessoal. Isto torna a flexibilidade um fator decisivo na escolha de um emprego, o que pode dificultar a retenção de talentos no comércio tradicional”.

“Diante deste cenário, é fundamental que as empresas invistam na formação e no desenvolvimento de suas equipes, oferecendo não apenas bons salários, mas também um ambiente de trabalho que valorize a profissional e incentive o crescimento dentro da empresa. No varejo feminino, essa valorização se reflete diretamente no atendimento e na experiência do cliente, tornando-se um diferencial competitivo no mercado”, ressalta a presidente do CDL Erechim.

O presidente da ACCIE 

Segundo o presidente da Associação Comercial, Cultural e Industrial de Erechim, Darlan Dalla Roza, “a maior dificuldade é encontrar pessoas qualificadas para as vagas que estão sendo oferecidas”.

Desenvolvimento Econômico, Inovação e Turismo

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Turismo, Emerson Schelski, afirma que a questão da mão de obra e da qualificação são problemas complexos e que para eles não existem soluções fáceis. “Mas temos certeza que estamos fazendo a nossa parte. Erechim é uma cidade muito liberal na parte econômica. Nós somos o 5º município do RS a implantar o programa Tudo Fácil Empresas, que permite abrir uma empresa de casa ou do celular em 10 minutos. Neste sentido, temos 783 atividades de baixo risco que se enquadram neste programa e o Estado tem 770. Erechim é mais liberal que o Estado do Rio Grande do Sul”, observa.

Conforme o secretário, isso é um dos fatores que explica porque Erechim tem mais de 21.000 CNPJs ativos e mais de 38.000 pessoas com carteira assinada. “Acabamos de lançar um edital para cursos de qualificação, são oito cursos disponíveis, nas mais diferentes áreas, em parceria com o Sistema S, Senai e Senac, para que as pessoas busquem qualificação seja para ingressar no mercado de trabalho ou buscar uma nova oportunidade de trabalho. As inscrições vão até dia 28 de fevereiro. Então, atuamos em várias frentes, conversando com os RHs das empresas, outras secretarias municipais, e oferecendo cursos de qualificação”, afirma o secretário Schelski.

“Como Secretaria de Desenvolvimento Econômico damos todo o suporte necessário para as pessoas que estão querendo ingressar no mercado de trabalho ou buscar uma nova oportunidade”, disse ele.

Sindicomerciários

Segundo o presidente do Sindicomerciários de Erechim, Gilnei Paulo Mileski, hoje, o maior desafio do trabalhador é sobreviver com o salário ofertado, em determinados setores. “Temos salários abaixo da média se comparado com algumas cidades vizinhas e a prevalência do horário livre, em nossa cidade, faz com que o empregado tenha que trabalhar de segunda a segunda, inclusive, finais de semana, sem ter o tempo ideal para ficar com a família ou usufruir do seu próprio lazer”, comenta.

Escala

Ele explica que a escala 6×1, que exige seis dias consecutivos de trabalho, para apenas um de descanso, tem sido apontada como um dos maiores fatores de desgaste físico e mental entre os trabalhadores do setor. “A reivindicação busca, não apenas melhores condições de trabalho, mas, também, mais dignidade e qualidade de vida para a categoria, que defende a implantação da escala 5×2”, ressalta.

Valorização

Conforme Gilnei, há vagas sobrando em diversas áreas, mas ainda falta um atrativo maior, para tal motivação. “E não se trata só de salário digno, mas também do bem-estar do trabalhador neste local, valorização, cumprimento das leis e respeito pelo empregado. Está faltando mão de obra, pois de algum modo, pessoas com vontade de crescimento estão buscando trabalhos em que estão sendo valorizados, e, em grande parte, até mudam de cidade para encontrar oferta melhor e maior valorização”, comenta.

“Em algumas pesquisas recentes estão expostos resultados de um alto número de empregados demitidos, que ingressam com ação trabalhista pelo fato do antigo empregador não cumprir com a própria Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) e convenções firmadas pelos sindicatos representantes da categoria. Desrespeitando desta forma os direitos dos trabalhadores que precisam buscar ajuda para recebimento destas verbas e direitos negados durante o contrato de trabalho. E para finalizar, ressalto que o empregador que tratar bem os seus empregados, os mesmos tratarão bem os seus clientes”, ressalta.

Sindicato dos Metalúrgicos de Erechim

O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos, Fábio André Adamczuk, comenta que se vive um momento em que os trabalhadores têm a possibilidade de escolher o emprego no qual eles se sintam bem. “É que ele possa ser, de fato, valorizado pelo trabalho que desempenha”.

Segundo Fábio, hoje, ainda falta valorização da mão de obra, não todas, mas diversas empresas de Erechim. “No sindicato, nunca foi tão alto o índice de trabalhadores que nos procuram buscando informações, fazendo cálculos, que pretendem pedir demissão. E quando se questiona o porquê ele vai pedir demissão, ele diz que está indo para um emprego melhor, que paga mais. E, muitas vezes, também não está relacionado só à questão salarial, mas também ao ambiente de trabalho”, observa ele.

Antigamente, explica Fábio, havia muitos trabalhadores que se sujeitavam a situações e ambientes ruins e com chefias mal preparadas. “Muitas vezes diziam, oh, ou baixa a cabeça, trabalha, porque tem uma fila esperando o teu lugar. Hoje, não tem isso, o trabalhador tem a opção de escolher onde ele quer trabalhar, falo do trabalhador realmente profissional”, afirma.

“Então, o bom profissional busca por melhores condições, salários, melhores oportunidades. Isto que a gente tem visto. Tanto é que, hoje, nós temos empresas que o quadro de funcionários é aproximadamente 30% de imigrantes, o que demonstra que as empresas estão indo buscar esta mão de obra em outros lugares”, destaca Fábio.

Ele ressalta que a indústria é fundamental para o desenvolvimento de uma nação, porque gera crescimento econômico. “A cada R$ 1 produzido na indústria são gerados R$ 2,44 na economia brasileira. O país industrializado gera muito mais recursos na economia do que outros setores, porque agrega muito valor. Os empregos são de melhor qualidade, requer mais qualificação dos trabalhadores e, consequentemente, também salário maior.  A indústria de transformação é a que mais gera riqueza dentro do país”.

“Temos desafios pela frente, o trabalhador tem que entender que ele precisa se qualificar para poder ter boas oportunidades. E, também, temos que discutir o modelo de indústria que nós queremos. E nós estamos fazendo isso enquanto Federação dos Metalúrgicos, através do macro setor da indústria, para buscar um processo de modernização das indústrias para torná-las mais competitivas e criar empregos melhores para os trabalhadores. Então, os desafios são grandes tanto para os trabalhadores como também para as indústrias”, enfatiza ele.

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