Estava lendo uma matéria nesta segunda-feira, 26, no Zero Hora com o título “rombo da Previdência avança 60% em nove anos e pressiona o orçamento. Progressão é puxada pelo envelhecimento e aumento de empregos sem carteira assinada”.
O enfoque
O enfoque dado pela matéria, coloca o problema em apenas duas questões, o que acho raso pelo tamanho do problema da Previdência, como o recente escândalo com descontos indevidos, entre tantas outras questões ao longo de décadas.
Artimanha governamental
Jogar sempre a culpa, em quem paga a conta (trabalhadores) e quem já pagou (aposentados), é uma artimanha governamental que não se sustenta numa economia que cobra uma das cargas tributárias mais caras do mundo. Os problemas da previdência, não são os aposentados que contribuíram a vida inteira. Até pode ser considerada uma parte dele, em função do aumento da expectativa de vida, mas não pode sempre pagar a conta, e a cada ano ver seu benefício aumentar bem abaixo da inflação real, e não a inflação governamental.
Quanto menor o município, mais dependente das aposentadorias
Esse aumento da expectativa de vida, mesmo os aposentados recebendo menos que deveriam (ano a ano os vencimentos vão diminuindo o poder de compra), acaba sendo fundamental para a sobrevivência de muitos municípios. Quanto menor o município, mais dependente das aposentadorias, que não é uma benesse do governo federal, e sim u direito de quem recebe.
29.865 benefícios e R$ 2 milhões por dia
Uso Erechim, que é uma cidade média, com pouco mais de cem mil habitantes, para exemplificar o que escrevi acima. O município arrecadou em 2024 (12 meses) em torno de R$ 550 milhões. Os 29.865 benefícios que os moradores do município receberam do INSS injetaram em Erechim, no ano passado a quantia de R$ 717,61 milhões (quase R$ 2 milhões por dia). Isso representa 30,47% acima de toda a arrecadação do município.
O que recebem, boa parte retorna para Brasília, em impostos
E esses recursos dos aposentados são fundamentais para economia, já que grande parte dos impostos gerados aqui, acabam em Brasília, e não voltam como deveria. Essa parcela da população, que já ajudaram no passado e muito o desenvolvimento do município, hoje, continuam ajudando, mesmo merecendo receber muito mais. E o que recebem, boa parte viram impostos, e retornam para Brasília.