A doença mão-pé-boca é uma infecção viral bastante comum na infância, especialmente em crianças menores de 5 anos, embora adultos também possam ser afetados. Caracterizada pelo surgimento de lesões e bolhas nas mãos, pés e boca, essa enfermidade é altamente contagiosa, mas, na maioria dos casos, apresenta um curso benigno e autolimitado. Segundo o pediatra Dr. Marcelo Mansueto Baccin, a doença merece atenção especial devido à sua facilidade de transmissão, especialmente em ambientes como creches e escolas, onde a convivência entre crianças favorece a propagação do vírus.
Causas
A enfermidade é provocada por vírus da família dos enterovírus, com destaque para o Coxsackievirus A16 e o Enterovírus 71. O nome popular da doença se dá pelas características clínicas, com lesões e bolhas que surgem nas mãos, nos pés e na boca das crianças infectadas.
Transmissão
A propagação ocorre principalmente por meio do contato direto com secreções respiratórias, saliva, gotículas de tosse, fezes ou superfícies contaminadas. Isso torna creches e escolas ambientes de alto risco.
“Os surtos ocorrem, principalmente nas escolas de educação infantil, devido ser uma doença que acomete principalmente essa faixa etária”, destaca Baccin.
Sintomas
Entre os sinais mais comuns da doença estão:
- Febre baixa nos primeiros dias;
- Aftas dolorosas na boca, língua e garganta;
- Bolhas nas mãos, pés e, em alguns casos, nas nádegas e joelhos;
- Mal-estar geral, dor de garganta, perda de apetite e salivação excessiva;
- Coceira leve, em alguns casos.
Embora seja geralmente benigna, a doença pode causar desconforto e irritação significativos nas crianças.
Possíveis complicações
As complicações são raras, mas merecem atenção. A principal delas é a desidratação, provocada pela dor ao engolir. Em casos mais graves, especialmente quando o Enterovírus 71 está envolvido, podem surgir complicações neurológicas ou cardíacas.
“Em casos raros, a síndrome mão-pé-boca pode levar a complicações neurológicas, como meningite ou encefalite viral, então se a criança ficar sem beber líquido por longo período, apresentar dor de cabeça forte e/ou rigidez de nuca, deve procurar atendimento médico urgente”, alerta o pediatra.
Tratamento e cuidados
O tratamento é de suporte, ou seja, tem como objetivo aliviar os sintomas. As orientações médicas incluem repouso, boa hidratação, alimentação leve e fria, além do uso de analgésicos ou antitérmicos, sempre com orientação médica. Não há necessidade de antibióticos, uma vez que a doença é causada por vírus.
Medidas de Prevenção
A prevenção baseia-se principalmente em medidas de higiene. É fundamental lavar as mãos com água e sabão, especialmente após o uso do banheiro ou a troca de fraldas. Também é importante limpar superfícies e brinquedos com frequência, evitar o compartilhamento de objetos como copos, talheres e mamadeiras, cobrir a boca e o nariz ao tossir ou espirrar, e manter crianças infectadas em isolamento até que estejam completamente recuperadas.
Recuperação
A recuperação ocorre normalmente entre 7 e 10 dias. O retorno à escola ou à convivência com outras crianças deve ser feito apenas após esse período, para evitar novas transmissões.