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Expressão Plural

A história das Copas: 1966 e o mérito inglês

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Everton Ruchel
Por Everton Ruchel
Foto Arquivo pessoal

Em 1966, a Copa do Mundo foi realizada na casa dos inventores do futebol, a Inglaterra. A edição acabou vista por muitos como um torneio feito sob medida para os ingleses, visto que o presidente da FIFA naquele momento era o britânico Stanley Rous. Muitas decisões levaram a essa percepção, como o fato de os anfitriões terem disputado todas as partidas em Londres, no estádio de Wembley. O calendário também refletiu costumes locais: não houve jogos aos domingos, em respeito à tradição da religião protestante do país à época, que proibia eventos esportivos nesse dia.

O folclore do Mundial não parou por aí. Em março de 1966, a taça do torneio desapareceu durante uma exposição pública em Londres, gerando um escândalo internacional e colocando a organização do torneio sob pressão. Dias depois, o troféu foi encontrado embrulhado em jornal e dentro de um arbusto por um cachorro chamado Pickles, durante um passeio com seu dono. O episódio teve final feliz, mas reforçou o clima peculiar que cercou aquela edição.

Dentro de campo, foi visto o auge do chamado futebol-força. As partidas foram duras, com choques constantes, excesso de faltas e uma permissividade arbitral que resultou em diversos confrontos violentos. O estilo físico passou a se sobrepor à técnica em muitos jogos, transformando a Copa de 1966 em uma das mais ríspidas da história.

A competição teve o retorno de uma seleção asiática após 12 anos: a amadora e estreante Coreia do Norte, que fez história ao protagonizar uma das maiores zebras das Copas, eliminando a Itália por 1 a 0 na fase de grupos. Nas quartas de final, os norte-coreanos chegaram a abrir 3 a 0 sobre Portugal, mas sofreram a virada para 5 a 3, com quatro gols de Eusébio, em uma partida memorável. Também estreante, o time português escreveu o nome ao eliminar o Brasil e terminar em terceiro lugar. Além das equipes citadas, e da Inglaterra, participaram do Mundial: Alemanha Ocidental, Espanha, União Soviética, Hungria, Bulgária, França, Suíça, Argentina, Chile, Uruguai e México.

O Brasil chegou à Inglaterra como bicampeão mundial e favorito, mas o excesso de confiança comprometeu a preparação. O planejamento da seleção foi mal feito, com brigas internas entre dirigentes, falta de critério físico, convocações por motivos políticos (o que resultou em um elenco inchado de 45 atletas para os treinos) e a consequente falta de entrosamento, pois o time titular mudava a cada amistoso. Esses fatores pesaram contra ao longo da competição.

Na estreia, a seleção venceu a Bulgária por 2 a 0, em um jogo que marcou a última vez em que Pelé e Garrincha atuaram juntos. Com os dois em campo, o Brasil jamais foi derrotado. No entanto, Pelé sofreu duras faltas, se lesionou e praticamente não voltou a jogar. Sem seu principal jogador, a seleção perdeu para a Hungria por 3 a 1 na segunda rodada. O Rei até voltou na terceira partida, mas o Brasil levou 3 a 1 de Portugal e foi eliminado ainda na primeira fase.

A Inglaterra soube aproveitar o fato de ser dono da casa e partiu rumo ao título. Na fase de grupos, empatou com o Uruguai e venceu México e França. Nas quartas de final, eliminou a Argentina. Na semifinal, derrotou Portugal. Na final, disputou a taça contra a Alemanha em Wembley.

Esta decisão registrou o lance mais controverso da história das Copas. Na prorrogação, quando a partida estava empatada em 2 a 2, o inglês Geoff Hurst chutou, a bola bateu no travessão e quicou sobre a linha, fora do gol. Mas o árbitro validou o lance após consultar o bandeirinha soviético Tofik Bakhramov, que afirmou com convicção que a bola entrou. Os ingleses venceram por 4 a 2 e conquistaram seu único Mundial.

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