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Política

Erechim nunca teve um deputado federal no século XXI e no novo milênio

Município recebeu no ano passado 0,9% dos valores possíveis das emendas parlamentares que somam R$ 1,89 bilhão entre os 34 nomes da bancada gaúcha

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A pergunta que fica é simples. Erechim quer, de fato, eleger um deputado federal?
Por Rodrigo Finardi
Foto Criado por IA

Erechim continua convivendo com um vazio político em Brasília que já dura mais de 2,5 décadas. Desde o fim do mandato de Waldomiro Fioravante, em 1999, o município não elegeu mais nenhum deputado federal. Na sua eleição, a votação ainda era em cédula de papel e a internet insipiente (discada).

Na prática, isso significa que Erechim atravessou todo o século XXI e o novo milênio (iniciado em 1º de janeiro de 2001), sem um representante próprio na Câmara dos Deputados.

Reflexo dessa ausência

O reflexo dessa ausência aparece, de forma bastante concreta, na divisão dos recursos das emendas parlamentares. Em 2025, Erechim recebeu cerca de R$ 17 milhões em emendas parlamentares de deputados federais e senadores. São recursos importantes e que ajudam a viabilizar investimentos em áreas como saúde, assistência social, agricultura, obras e desenvolvimento do município.

Análise do cenário completo

Mas quando se olha o cenário completo, o número chama atenção pela baixa representatividade.  Somando as emendas individuais dos 31 deputados federais do Rio Grande do Sul, os recursos destinados por três senadores e ainda as emendas coletivas da bancada gaúcha, o total disponível no ano passado chegou a R$ 1,89 bilhão. Desse montante, os cerca de R$ 17 milhões destinados a Erechim representam apenas 0,9% do total possível. Um percentual pequeno para um município que tem peso econômico relevante no norte do Estado.

Peregrinação por gabinetes

Sem um deputado federal próprio, lideranças políticas e institucionais da cidade acabam enfrentando uma rotina conhecida em Brasília. A peregrinação por gabinetes em busca de recursos.

A diferença entre aliados e representante próprio

Deputados e senadores de outras regiões, ao longo dos anos, acabaram adotando Erechim em suas agendas e encaminhando emendas importantes para o município. Muitos deles mantêm relação política sólida com a cidade e contribuíram para viabilizar investimentos relevantes. Ainda assim, a diferença entre ter aliados e ter um representante próprio é evidente.

Os valores que cada um tem direito

Hoje, cada deputado federal gaúcho dispõe de cerca de R$ 37,2 milhões em emendas individuais, o que totaliza aproximadamente R$ 1,15 bilhão. Já cada senador tem R$ 68,5 milhões, somando R$ 205,5 milhões entre os três. A bancada gaúcha ainda conta com R$ 530 milhões em emendas coletivas.

35 mil pessoas nasceram e não elegemos deputado

É nesse universo de recursos que Erechim tenta garantir espaço. A ausência de um deputado federal eleito na cidade já chega a 26 anos. Nesse intervalo, segundo dados do Censo 2022 do IBGE, aproximadamente 35 mil pessoas nasceram em Erechim sem que o município tivesse um representante próprio na Câmara dos Deputados. É um hiato político que atravessa gerações.

A força da reeleição

O cenário também não é simples para quem tenta romper essa barreira. Dos 31 deputados federais eleitos pelo Rio Grande do Sul na última eleição, 23 conquistaram a reeleição, o que representa 74,2% das cadeiras. Apenas oito nomes chegaram à Câmara sem buscar um novo mandato.

As emendas explicam esse fenômeno

A força das emendas parlamentares ajuda a explicar esse fenômeno. Deputados em exercício têm maior capacidade de destinar recursos para suas bases eleitorais, fortalecendo vínculos políticos e ampliando suas chances de permanecer no cargo. Na prática, candidatos que disputam pela primeira vez largam em desvantagem.

Votos divididos

A eleição passada também mostrou outro retrato da política local. Dos 554 candidatos a deputado federal, 345 receberam votos em Erechim. Entre os 10 mais votados no município, metade não possui domicílio eleitoral na cidade. O ranking ficou assim:

Anacleto Zanella (PT) – 10.198 votos

Jackson Arpini (PSDB) – 8.728 votos

Anax Pezzin (Republicanos) – 4.986 votos

Marcos Lando (PL) – 4.211 votos

Marcel Van Hattem (Novo) – 2.643 votos

Rogério Pizzatto (Patriota) – 2.209 votos

Sanderson (PL) – 1.928 votos

Giovani Cherini (PL) – 1.041 votos

Maurício Marcon (Podemos) – 1.016 votos

Marlon Santos (PL) – 997 votos

A pergunta que fica

Com nova eleição se aproximando, o debate volta inevitavelmente à mesa. Erechim recebe recursos, sim. Mas poderia receber muito mais, considerando seu peso econômico e regional no Rio Grande do Sul.

A questão central é política. Sem representação direta em Brasília, a cidade continua dependente da boa vontade de parlamentares de outras regiões.

No fim das contas, a decisão passa pelo eleitor. A pergunta que fica é simples. Erechim quer, de fato, eleger um deputado federal?

 

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