A chegada da terceira idade pode representar uma nova fase de descobertas e cuidados com a saúde. Para muitos idosos, iniciar uma rotina de atividade física depois dos 60 anos significa mais do que se exercitar, é uma mudança significativa na qualidade de vida, na autonomia e até na forma de encarar o dia a dia. Histórias de quem já incorporou o exercício à rotina mostram que nunca é tarde para começar.
Mais disposição e autonomia na terceira idade
A prática regular de exercícios físicos pode provocar transformações importantes na vida de pessoas com mais de 60 anos. Além de melhorar a disposição, o movimento contribui para manter a independência nas atividades cotidianas e para preservar a saúde física e mental.
“Pessoas acima de 60 anos precisam realizar exercício físico, pois a prática regular melhora força muscular, equilíbrio, mobilidade e condicionamento cardiorrespiratório. Isso significa mais independência para realizar atividades do dia a dia, menos dores e menor risco de quedas”, pontua o educador físico da Medicina Preventiva da Unimed Erechim e pós-graduando em biomecânica aplicada ao exercício físico, Diogo Augusto Dallazen.
Segundo ele, os impactos positivos vão além do físico. A prática também influencia no humor, na qualidade do sono e na autoestima, além de estimular a socialização entre os participantes. “Todas essas pessoas acima dos 60 anos que realizam exercício físico estão desenvolvendo uma qualidade de vida muito melhor”, destaca.
Histórias de quem encontrou mais qualidade de vida
A beneficiária Elaine Teresinha Ferrasso, de 67 anos, frequenta a Medicina Preventiva da Unimed Erechim há três anos e relata que os resultados foram perceptíveis em pouco tempo. “Tenho mais disposição, durmo melhor, tenho mais flexibilidade. Para mim faz muito bem para o espírito e para o corpo. A gente se sente mais feliz, os professores são uns amores, os colegas da academia, enfim, é uma alegria estar aqui. Venho duas vezes na semana e sempre com uma disposição muito grande. Eu amo vir na academia”, conta.
Ela explica que buscou a atividade física inicialmente por questões de saúde, já que enfrentava problemas articulares e possui prótese no quadril. Hoje, afirma que a rotina de exercícios transformou sua vida. “No começo eu não tinha receio de procurar uma academia, na verdade eu tinha preguiça, mas aí depois que a gente começa, a gente não quer mais parar”, afirma.
Para quem ainda tem dúvidas, Elaine é categórica, “quem puder, deveria praticar exercício, porque é outra vida. Depois de começar a fazer atividade física é outra vida”.
Exercício também fortalece corpo e mente
Outro exemplo é o de Jarci Antonio Pagliosa, de 77 anos, que frequenta a Medicina Preventiva da Unimed Erechim há dez anos. Para ele, a prática de exercícios é fundamental para manter o equilíbrio físico e mental.
Segundo Jarci, a proposta da medicina preventiva vai além da atividade física, promovendo um cuidado integral com os beneficiários. “A Unimed proporciona, junto com a medicina preventiva, cuidados com a saúde, o exercício físico e o mental também, e isso faz com que os beneficiários se sintam melhores durante o dia, junto com os professores”.
Ele relata que as mudanças no corpo e na resistência foram motivadoras para continuar ativo. “O que mudou na minha vida foi sentir o tônus muscular, perdendo a gordura e ficando com a massa firme e isso faz com que a gente se sinta melhor, a vida é melhor, a resistência física é melhor”, afirma.
Jarci também incentiva outras pessoas da mesma faixa etária a adotarem hábitos mais ativos. “Isso muda tudo, muda o físico, o mental e o social”, aconselha.
Derrubando mitos sobre exercício na terceira idade
Apesar dos benefícios comprovados, ainda existem muitos mitos em relação à prática de exercícios após os 60 anos. Um dos mais comuns é a ideia de que idosos já passaram da idade de se exercitar.
De acordo com o educador físico, essa percepção está equivocada. “Um dos maiores mitos que tem na terceira idade é que os exercícios não trazem benefício e que os idosos já passaram da idade de fazer exercício físico. Mas na verdade todos os idosos deveriam fazer exercício físico, porque é a partir dos 60 anos que a gente começa a perder muito tecido muscular e isso se chama sarcopenia”.
Ele ressalta que “nunca é tarde para se beneficiar da atividade física. Com orientação adequada, os exercícios são seguros e adaptáveis a qualquer condição”.
Outro mito comum que envolve a musculação é que muitas pessoas acreditam que ela faz mal para idosos, quando na verdade é uma das estratégias mais eficazes para preservar a massa muscular e prevenir quedas.
Benefícios físicos e mentais comprovados
Entre os principais benefícios físicos da atividade física na terceira idade estão a manutenção da massa muscular, o fortalecimento dos ossos, a melhora do equilíbrio e a redução de dores articulares.
No aspecto mental, os ganhos também são relevantes. A prática regular ajuda a diminuir sintomas de ansiedade e depressão, melhora a memória e estimula funções cognitivas. Além disso, promove a socialização e o sentimento de pertencimento, fatores importantes para o bem-estar emocional.
Exercícios mais indicados
Para idosos, o ideal é manter uma rotina de exercícios variada. O educador físico explica que a combinação de diferentes modalidades é o que gera melhores resultados. “A recomendação é combinar exercícios de força, como musculação, atividades aeróbicas como caminhada, além de alongamentos e exercícios de equilíbrio. A escolha deve respeitar a individualidade, o histórico de saúde e as preferências da pessoa, sempre com orientação profissional”, afirma.
Cuidados antes de começar
Antes de iniciar qualquer rotina de exercícios, alguns cuidados são fundamentais para garantir segurança e eficácia. “É fundamental realizar avaliação médica e física antes de começar”, ressalta Diogo. Ele também destaca a importância de iniciar as atividades de forma gradual, respeitar os limites do corpo, manter hidratação adequada e contar com acompanhamento profissional.
Prevenção de doenças e mais longevidade
Além de melhorar a qualidade de vida, a atividade física tem papel importante na prevenção de doenças comuns após os 60 anos. O exercício ajuda a controlar pressão arterial, glicemia e colesterol, contribuindo para prevenir ou controlar doenças como hipertensão, diabetes tipo 2 e problemas cardiovasculares e “além disso, reduz o risco de osteoporose, quedas e até contribui para a prevenção do declínio cognitivo”, conclui o educador físico.
Com orientação adequada e disciplina, a atividade física se torna uma aliada poderosa para garantir mais saúde, autonomia e bem-estar na terceira idade. Para muitos idosos, como Elaine e Jarci, o exercício representa justamente isso, a oportunidade de viver essa fase da vida com mais energia, independência e alegria.