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Saúde

Abril Marrom chama atenção para doenças oculares que levam à cegueira

Campanha alerta que a maioria dos casos da perda total de visão pode ser evitada

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Dr. Celso José Pertile, em entrevista à TV Bom Dia, explica que a oftalmologia evoluiu significativa
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Amanda Gatti

Abril é marcado por uma mobilização dedicada à saúde ocular que busca mudar um comportamento comum, que é esperar os primeiros sintomas para procurar ajuda. A iniciativa lembra que diversas doenças capazes de comprometer a visão evoluem de forma assintomática e que o cuidado preventivo ainda é o principal aliado para evitar perdas irreversíveis.

Principais causas da perda de visão

De acordo com especialistas, entre as principais causas de cegueira estão a catarata, a retinopatia diabética, o glaucoma, a degeneração macular relacionada à idade e doenças da córnea, como o ceratocone. Apesar da gravidade, o ponto em comum entre elas é que o diagnóstico precoce pode evitar ou ao menos reduzir significativamente a perda visual.

Diagnóstico precoce

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), até 80% dos casos de cegueira poderiam ser evitados com diagnóstico antecipado, “pois quando a gente faz um diagnóstico mais precoce, a gente consegue intervir, realizar um tratamento mais cedo, um tratamento mais direcionado e mais adequado para cada doença e para cada paciente”, explica o médico oftalmologista do Instituto de Olhos Santa Luzia, Dr. Celso José Pertille, que é especialista em transplante de córnea, cirurgia refrativa a laser e ceratocone. Ele destaca ainda que o grande desafio no Brasil não é a falta de tratamento, mas sim o diagnóstico tardio.

Sintomas que não devem ser ignorados

Muitas doenças oculares evoluem sem sintomas aparentes e sem dor, o que dificulta a percepção precoce. Entre os sinais de alerta estão a visão embaçada que não melhora com óculos, halos ou brilhos ao redor das luzes, vermelhidão persistente, e em alguns casos dor ocular e perda súbita de visão.

“Todos são sintomas que merecem atenção e que precisam dar o alerta para que o paciente entenda que ele precisa consultar o oftalmologista e não pode esperar mais tempo”, orienta o médico.

Uso de telas e cansaço visual

O uso excessivo de celulares, tablets e computadores tem gerado preocupação, mas não está diretamente ligado à cegueira. “O uso das telas não vai causar cegueira, não vai prejudicar a visão diretamente e isso é importante deixar bem claro. O que acontece é que se a gente ficar muito tempo olhando para uma tela de uma distância muito próxima, isso pode gerar um cansaço visual”, esclarece Dr. Celso.

Entre os sintomas mais comuns estão dor de cabeça, olhos secos, vermelhidão e dificuldade de focar à distância após longos períodos em frente às telas.

Uma das recomendações para reduzir o cansaço visual é a chamada regra 20:20:6, “que nada mais é do que, a cada 20 minutos de uso da tela, a gente parar por 20 segundos e olhar para uma distância além de 6 m”, explica o especialista.

Investigação é essencial

Nem todo desconforto visual está relacionado ao uso de telas. O médico alerta que é preciso investigar outras causas. “A gente precisa investigar outras coisas porque o cansaço visual das telas é um diagnóstico, vamos dizer, de exclusão. A gente investiga outras patologias e após descartar tudo é que a gente vai dizer que é sintoma do cansaço visual”, afirma. Por isso que uma consulta com o oftalmologista é importante para fazermos o diagnóstico cedo e de forma correta para o paciente.

Avanços na oftalmologia ampliam tratamentos

Nos últimos anos, a oftalmologia evoluiu significativamente, especialmente nas áreas de diagnóstico precoce e tratamento. Hoje, exames mais modernos permitem identificar doenças em estágios iniciais, enquanto novas técnicas cirúrgicas e tratamentos aumentam as chances de sucesso e aceleram a recuperação dos pacientes.

Cirurgia refrativa segura

A cirurgia para correção do grau, conhecida como cirurgia refrativa, é considerada segura, “inclusive, é uma das mais seguras de toda a medicina, não só da oftalmologia”, pontua o médico, no entanto, nem todos os pacientes são candidatos. É preciso se faça uma avaliação detalhada para garantir segurança e bons resultados. “O papel do médico nesse momento é dizer sim aos pacientes que são candidatos, mas também é dizer não aos pacientes que não se enquadraram nos critérios de segurança”, ressalta.

Ceratocone

O ceratocone também teve avanços importantes, tanto no diagnóstico quanto no tratamento. Hoje existem exames que permitem detectar a doença precocemente, além de diversas opções terapêuticas, como lentes especiais, implantes e cirurgias modernas.

“Se formos ver, a gente teve avanço no diagnóstico precoce, a gente teve avanço nos tratamentos para poder parar o ceratocone e a gente teve avanço também no próprio transplante de córnea”, afirma.

Frequência das consultas

A recomendação geral é que consultas oftalmológicas sejam realizadas desde o primeiro ano de vida, depois na fase escolar a cada 1 ou 2 anos, os adultos a cada 2 anos e após os 40 anos, as consultas devem ser anuais.

“O tratamento, o acompanhamento são personalizados de paciente para paciente. O importante é passar pela primeira consulta para saber como é que vai ser dali pra frente”, destaca o médico.

Crianças precisam de acompanhamento mesmo sem sintomas

Especialistas alertam que crianças devem ser levadas ao oftalmologista mesmo sem queixas, pois existem casos em que a criança já não enxerga bem desde o nascimento, então ela nem sabe, ela nem percebe que ela enxerga mal de um olho, “por isso, toda criança, independentemente de sintomas ou queixas, precisa fazer o acompanhamento oftalmológico pra gente fazer o acompanhamento correto de cada paciente pediátrico”, coloca.

“Existem algumas doenças que se tratadas logo no início na infância, a gente consegue ter uma recuperação visual excelente, até tendo conseguido chegar à visão normal dos dois olhos, mas isso é preciso ser feito o diagnóstico precoce na infância ainda”, explica.

Prevenção é o melhor caminho

“Não espere ter sintomas para cuidar da sua visão”, alerta o especialista. Com os avanços da medicina, há cada vez mais opções de tratamento, mas o sucesso depende diretamente do diagnóstico precoce e para isso a população deve colaborar e fazer seu acompanhamento regular, afinal, cuidar da visão é essencial para uma melhor qualidade de vida.

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