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Saúde

IV Seminário Regional de Promoção e Prevenção e Educação é realizado em Erechim

Encontro na UFFS reuniu profissionais, gestores e especialistas para discutir educação em saúde

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Dr. Júlio explica que é de extrema importância se falar sobre a questão da saúde, da doença, da prev
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IV Seminário Regional de Promoção e Prevenção e Educação é realizado em Erechim
Dr. Júlio César Stobbe
Dimas Dandolini
Vianei Mueller
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Marcelo V. Chinazzo

Nesta quinta-feira, dia 28, a Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS), campus Erechim, sediou o IV Seminário Regional de Promoção e Prevenção e Educação em Saúde. O encontro reuniu profissionais da saúde, trabalhadores da área, estudantes, terapeutas, representantes de entidades, cooperativas, sindicatos, universidades, deputados, prefeitos, secretários de saúde, vereadores e defensores das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS).

O evento discutiu prevenção, autocuidado, educação em saúde e os desafios enfrentados pela saúde pública.

Semente plantada há quatro anos segue crescendo

A enfermeira Marcia Balen Matté conduziu a mesa da palestra do médico Dr. Júlio César Stobbe, doutor em clínica médica, coordenador do curso de Medicina da UFFS e emergencista do Grupo Hospitalar Conceição (GHC). Também participaram da mesa o secretário municipal de Saúde de Erechim, Vianei Mueller, e o coordenador da 11ª Coordenadoria Regional de Saúde, Dimas Dandolini.

“Há 4 anos foi plantada uma semente que vem crescendo a cada ano e, enquanto profissional da saúde, enquanto enfermeira, estou muito feliz porque a gente trabalha muito na prevenção à saúde, e quanto é importante termos um seminário como esse”, afirmou Márcia.

Excessos na medicalização preocupam especialistas

Durante a palestra, Dr. Júlio César Stobbe abordou o excesso de medicalização da sociedade e os riscos do uso indiscriminado de medicamentos e suplementos. “Todo mundo percebe hoje que quando a gente entra numa farmácia, hoje está mais para um shopping do que para uma farmácia”, comentou.

O médico ressaltou que “quando se avalia do ponto de vista técnico, aquilo que realmente oferece o real benefício em relação à saúde é uma minoria de produtos”.

Segundo ele, o consumo exagerado pode trazer consequências sérias. “Esses medicamentos e suplementos que se usam em excessos não são inócuos de efeitos colaterais, de interações medicamentosas e que não raramente acabam complicando mais a saúde do que ajudando”.

Dr. Júlio destacou ainda que a educação em saúde é o principal caminho para enfrentar o problema. “Não temos outra maneira de modificar esse panorama de excesso de medicalização, a não ser com educação em saúde”, afirmou.

Ele também defendeu que “nós temos que trabalhar com aquilo que é a saúde baseada em evidências. Mostrar do ponto de vista de estudos quais são os medicamentos que realmente são indicados, quais devem ser utilizados e quais não devem”.

Ao finalizar, fez um alerta, “às vezes a gente tenta resolver os nossos problemas somente utilizando medicamentos e às vezes não é isso. Às vezes tu tem outras formas de resolver os teus problemas, suas dificuldades, que não sejam soluções milagrosas em uma pílula”.

Erechim amplia ações em saúde preventiva e PICS

O secretário municipal de Saúde de Erechim, Vianei Mueller, ressaltou os desafios da gestão pública e a necessidade de investir em prevenção e qualificação dos serviços, afinal “trabalhamos com recursos finitos, não existe dinheiro para que a gente despeje na secretaria de forma sem fim”, afirmou.

Ele destacou os investimentos realizados no município desde a implantação das Práticas Integrativas e Complementares em Saúde (PICS), em 2023. “Estamos na iminência de inaugurar o horto medicinal no município de Erechim, no bairro Bela Vista. Está a passos de terminar agora a obra”, anunciou.

Vianei também apresentou números relacionados à gestão da saúde municipal. “Eu aumentei, por exemplo, de 2022 a 2025 em 26% o orçamento da minha secretaria. Eu aumentei 16% a quantidade de valores gastos em medicamentos”, explicou.

Segundo ele, mesmo diante da inflação, o município conseguiu reduzir os gastos totais com medicamentos no último ano. “Gastamos em 2024, R$ 4,4 milhões em medicamentos no município de Erechim e gastamos em 2025, R$ 4,3 milhões. Foi o primeiro ano onde a gente retrocedeu”, destacou.

Entre os avanços apresentados, Vianei destacou a ampliação do atendimento psicológico nas unidades de saúde e o fortalecimento do Programa Saúde na Escola. “Das 71 escolas do município de Erechim, sejam estaduais e municipais, nós conseguimos entrar com o programa Saúde na Escola em 40. Saímos de 19 para 40”, relatou.

Para ele, investir em educação é fundamental para transformar os indicadores de saúde. “Falta muita educação na saúde. Logo a gente espera que tenha 100% do programa Saúde na Escola nas 71 escolas aqui do município de Erechim. E isso com certeza vai fazer diferença”, finalizou.

Vacinação e prevenção são prioridades

O coordenador da 11ª Coordenadoria Regional de Saúde, Dimas Dandolini, explica que investir em prevenção reduz custos futuros para o sistema público. “A cada R$ 1 investido na promoção e na prevenção, a gente economiza R$ 10 depois lá na doença”, afirmou.

Dimas alertou para o aumento das internações por Influenza e para os baixos índices de vacinação, especialmente entre crianças. “A gente nem chegou no período de inverno e já estamos com o hospital lotado devido à Influenza, porque a gente está com os índices de vacinação lá embaixo. Na semana retrasada a gente tinha seis pacientes menores de 6 anos que não tinham sido vacinadas internados no Santa Terezinha”.

O coordenador chamou atenção para a responsabilidade coletiva em relação à imunização infantil. “É um direito da criança e um dever dos pais, a vacinação”, destacou.

Segundo Dimas, além dos custos elevados de internações e tratamentos, as consequências para a saúde das crianças podem ser graves. “Não adianta a gente depois gastar em remédio, internação e UTI. Isso tudo custa muito caro. E a criança não fica um dia, dois. Ela fica tempo hospitalizada. E esse tempo tem um risco muito alto”, concluiu.

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