Ao completar duas décadas de atuação no RS, a Unicafes (União das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária) vive um dos momentos mais representativos de sua trajetória. Além de celebrar os avanços conquistados desde a fundação, a entidade também amplia sua influência no cenário nacional com a eleição de seu presidente, Gervásio Plucinski, para comandar a Unicopas, organização que reúne as principais centrais do cooperativismo solidário brasileiro.
200 mil famílias no RS
Em entrevista à TV Bom Dia, Plucinski destacou que a Unicafes-RS reúne atualmente 74 cooperativas filiadas, representando mais de 200 mil famílias em todo o Estado. São cooperativas distribuídas em diferentes segmentos, como agropecuária, crédito, eletrificação, habitação e serviços, formando uma rede de apoio a agricultura familiar, gerando renda e garantindo permanência das famílias no meio rural.
Fornecimento contínuo e em grande escala
Plucinski ressalta que a organização em cooperativas é decisiva para permitir que pequenos produtores consigam acessar mercados que individualmente seriam inviáveis. Como exemplo, cita os programas institucionais de compras governamentais, especialmente o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), que exige fornecimento contínuo e em grande escala.
Alimentos da agricultura familiar para a merenda escolar
Hoje, 47 das 55 cooperativas agropecuárias ligadas à Unicafes têm no mercado institucional sua principal fonte de faturamento; Uma das conquistas recentes foi a ampliação da obrigatoriedade de aquisição de alimentos da agricultura familiar para a merenda escolar, passando de 30% para 45%, resultado de uma articulação nacional conduzida pela entidade.
Cooperativismo como ferramenta de inclusão
Para Plucinski, as cooperativas desempenham papel fundamental na inclusão social e econômica de agricultores que historicamente ficaram à margem dos processos produtivos: “muitos dos associados eram pequenos produtores sem acesso ao mercado e que passaram a gerar renda, investir na propriedade e permanecer no campo graças ao modelo cooperativo”, pontua.
Atuação de forma integrada
Além da produção agrícola, o sistema também promove a chamada intercooperação. Cooperativas de crédito, eletrificação, serviços e habitação atuam de forma integrada, compartilhando profissionais especializados, assistência técnica e soluções para seus associados.
Presidência da Unicopas
Outro destaque da entrevista foi a recente posse de Plucinski na presidência da Unicopas (União Nacional das Organizações Cooperativistas Solidárias), entidade criada em 2014 que reúne atualmente mais de 2.500 cooperativas de quatro grandes sistemas nacionais: Unicafes, Unisol, Unicrab e Unicatadores. A presidência é exercida em sistema de rodízio entre as organizações.
Aumento da capacidade de articulação
Para Gervásio, a atuação nacional aumenta a capacidade de articulação junto ao Governo Federal, Congresso Nacional e instituições. Entre as iniciativas em andamento estão acordos de cooperação técnica voltados à criação de políticas públicas específicas para o cooperativismo solidário e de programas de financiamento e inovação.
Exportações e novos mercados
De acordo com Plucinski, diversas cooperativas já iniciaram processos de exportação, enquanto outras ampliam sua presença no varejo nacional por meio de lojas próprias. Em novembro, a Unicopas promoverá, em Brasília, um encontro reunindo cerca de 400 cooperativas e compradores internacionais, com o objetivo de abrir novos mercados para produtos da agricultura familiar brasileira: “esse movimento sinaliza que o setor deixou de ser visto apenas como fornecedor de programas governamentais para competir em mercados cada vez mais exigentes em qualidade, certificação e apresentação dos produtos”, relata.
Desafios dos próximos anos
Ao projetar o futuro, Plucinski afirma que o maior desafio será tornar a agricultura familiar mais atrativa para as novas gerações. Para isso, defende investimentos em mecanização adequada às pequenas propriedades, inovação tecnológica e melhoria das condições de trabalho.
Mudanças climáticas
Ele também aponta as mudanças climáticas como uma das principais preocupações do setor. Entre as iniciativas em desenvolvimento está um projeto em parceria com a Embrapa para testar técnicas de descompactação do solo, aumentando a infiltração de água, reduzindo perdas em períodos de estiagem e contribuindo para diminuir os impactos das enchentes. Para o presidente da Unicafes e da Unicopas, o cooperativismo continuará sendo um dos principais instrumentos de desenvolvimento social, econômico e ambiental do país.