Erechim recebe, neste sábado, dia 1º de agosto, o lançamento de "Autismo em Bebês", considerada a primeira publicação brasileira em formato de livro dedicada ao tema. A obra reúne artigos assinados por profissionais da área da saúde e da educação, entre eles a fonoaudióloga erechinense Janaise Bernardi Trentin, que atua há mais de 20 anos na área e é especializada em Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O evento de lançamento ocorre a partir das 15h, na Agridoce Livraria & Sebo, localizada na Av. Salgado Filho, 86, com entrada gratuita. A programação inclui coquetel, sessão de autógrafos e fala da autora. Os exemplares da publicação serão comercializados no local, com valor promocional para quem adquirir o livro durante o lançamento.
O livro reúne conteúdos voltados a pais, cuidadores e profissionais da saúde e da educação, com linguagem acessível sobre os marcos do desenvolvimento infantil entre 0 e 36 meses. A obra aborda como ocorre o desenvolvimento cerebral do bebê nessa faixa etária, quais comportamentos costumam ser observados em cada fase, além de sinais que podem estar associados a atrasos no desenvolvimento ou a características do espectro autista. A publicação também trata da relevância dos estímulos adequados e da intervenção precoce no acompanhamento de crianças pequenas.
Capítulo aborda comunicação antes da fala
Em entrevista à reportagem do Jornal Bom Dia, Janaise Bernardi Trentin contou que a participação na obra representa "uma grande responsabilidade", mas também "um grande privilégio". A fonoaudióloga relatou que, ao receber o convite para escrever o capítulo, definiu como ponto de partida a necessidade de tratar do período anterior ao surgimento da fala. “Escrever sobre o autismo em bebês, para mim significa falar de um momento da vida da criança em que tudo ainda está começando”, explicou.
"Durante muito tempo a gente aprende a olhar para o autismo quando a criança já apresenta sinais que são evidentes", relatou, acrescentando que a principal preocupação das famílias costuma surgir a partir da ausência de fala da criança. Segundo ela, a ciência já aponta para uma realidade diferente. "Os primeiros sinais do transtorno do espectro do autista surgem muito antes disso, eles aparecem ainda no primeiro ano de vida do bebê".
A fonoaudióloga também mencionou o período de maior neuroplasticidade cerebral nos primeiros anos de vida, quando, segundo ela, o bebê "está criando mais conexões" e "aprende com mais intensidade". Sobre a orientação de aguardar antes de investigar sinais de desenvolvimento, avaliou, "aquela história de ‘vamos esperar mais um pouquinho’ deixou de ser uma boa estratégia (...) porque o cérebro da criança não espera".
No capítulo, Janaise trata dos pré-requisitos que antecedem a linguagem falada, como o olhar, o balbucio, os gestos e a intenção comunicativa. "A linguagem não começa quando a criança fala", declarou, complementando que a fala é "apenas a ponta do iceberg" de um processo mais amplo de comunicação. Segundo a autora, seu objetivo com o capítulo foi auxiliar profissionais e famílias a reconhecer, ainda nos primeiros meses de vida, alterações que podem anteceder um eventual diagnóstico de autismo.
“Muitas vezes o bebê ainda não fala porque não chegou à idade de falar, mas desde pequenininho ele já se comunica. A comunicação é muito maior que a fala”, apontou, destacando que ações como o olhar, o brincar, o compartilhamento de interesses e a busca pelo outro na comunicação já informam sobre o desenvolvimento infantil.
“Então, antes das palavras, o bebê já está nos dizendo muita coisa, e nós que precisamos aprender a entender essa comunicação. Acredito que uma das maiores contribuições dessa obra, e aqui nós estamos falando de uma das primeiras publicações brasileiras dedicadas de maneira profunda, estruturada e com base científica relacionada ao autismo em bebês, seja com relação a mudar a forma como a gente enxerga esses bebês e principalmente a forma como enxergamos as possibilidades que essa criança tem de desenvolvimento”, completou a coautora.
Embora a publicação aborde o Transtorno do Espectro do Autismo, o destaque do capítulo vai para as possibilidades, o aproveitamento das “janelas do neurodesenvolvimento”, a fim de viabilizar oportunidades e maior qualidade de vida tanto para as crianças quanto aos familiares. “Eu acredito que quanto mais cedo a gente entende como o bebê se comunica, maiores são as chances de ajudar ele a alcançar todo o potencial”, concluiu Janaise.