Natural de Getúlio Vargas, Itacir Todero é Conselheiro Substituto do Tribunal de Contas do Ceará e atua há nove anos naquele Estado
Em entrevista feita por email, o getuliense que atua como Conselheiro Substituto do Tribunal de Contas do Estado do Ceará (TCE/CE), Itacir Todero, disse que a PEC 55, não é a maneira mais eficiente de controlar os gastos. Conforme ele, em função de que no Brasil existe legislação suficiente para monitorar o modo como os recursos são empregados.
Todero tem 47 anos e é formado em Contabilidade pela URI Erechim, pós-graduado em Administração pela PUC e mestre em Economia pela UFC. Foi técnico do Tesouro do Estado do Rio Grande do Sul, lotado na Secretaria da Fazenda do Estado. De 1999 a 2003, foi chefe do posto fiscal de Estreito, no posto pertencente ao Departamento da Receita Pública do Estado, em Marcelino Ramos. De 2001 a 2007, atuou como diretor do Sindicato dos Técnicos do Tesouro do Estado do Rio Grande do Sul (Afocefe), priorizando as áreas de economia e finanças.
Jornal Bom Dia - A PEC 55 tem motivado diversos protestos e mobilizações por todo o país. Como o senhor a avalia?
Itacir Todero - “Quanto a PEC ela reflete a mudança no direcionamento da política econômica brasileira. Por 13 anos os brasileiros experimentaram um período de crescimento econômico e políticas públicas inclusivas que, como consequência, reduziram drasticamente a pobreza, retiraram o país do mapa da fome, aumentaram o poder de consumo das famílias com bens de consumo e duráveis, etc.
Com o Golpe de 2016, volta a ter força no Brasil a política econômica que favorece setores que historicamente tiveram muita força. A PEC é o reflexo disso, ou melhor, é a preparação para o direcionamento das políticas de estado a outros setores da sociedade.
Quanto aos protestos e mobilizações atuais advindos dos setores afetados pela PEC ou pelo novo direcionamento econômico, principalmente os estudantis, avalio como positiva a participação destes setores e enxergo neles a possibilidade da renovação da representação política no país.”
A proposta estabelece um teto para os gastos públicos primários e, segundo o governo federal, pode mudar os rumos da economia brasileira. O senhor concorda? Por quê?
“Inicialmente é preciso dizer que o Brasil não está “quebrado” como a imprensa brasileira e o grupo político que comanda o país propagandeiam, pois se observarmos os dados econômicos de 1998 a 2013, o Brasil apresentou superávit primário em todos os 17 anos, e somente nos anos 2014 e 2015, devido a crise que afetou a China, a Europa inteira e até mesmo os Estados Unidos, o resultado econômico brasileiro não foi bom. Mas também não foi bom em lugar nenhum. Foi o cenário global que levou o país a viver a crise.
Já a crise de 2016, conta com fatores fortes da mudança de cenário local e das incertezas provocadas pelo mesmo, pois está ocorrendo um claro redirecionamento das políticas econômicas. Desta forma, é forçoso se perguntar quem ganhará com a mudança de rumo em curso.
Não concordo com esta mudança nos rumos, pois sou oriundo de uma escola política e acadêmica que acredita no Estado de bem-estar social, aquele que porta como agente da promoção social e organizador da economia e consequentemente promotor de políticas públicas inclusivas.”
O senhor acredita que ela é a medida mais adequada para controle de gastos? Por quê?
“Primeiramente não acho honesto se utilizar de uma situação conjuntural para promover mudanças estruturais. E me parece que é esse o contexto atual. Quanto às medidas, diria que se aplicadas adequadamente, há no Brasil legislação suficiente para o controle de gastos públicos. Há, por exemplo, o teto constitucional. É só respeitá-lo! Porém o foco das mudanças atuais é o direcionamento da política econômica e está sendo utilizado como pano de fundo a situação conjuntural atual, que está boa, isso é verdade, mas não está boa no contexto global.”