A vacina Pneumo 20 passou a integrar a estratégia de imunização do Sistema Único de Saúde (SUS) em Erechim e está disponível no município desde junho. As doses são distribuídas nas 12 Unidades Básicas de Saúde (UBSs), abrangendo as áreas urbana e rural.
Neste momento, a vacinação pelo SUS atende crianças a partir dos dois meses de idade até menores de cinco anos e idosos com 85 anos ou mais. Também estão incluídos idosos institucionalizados e pessoas acamadas que se enquadram nos critérios definidos pelo Ministério da Saúde.
“E agora nós temos mais uma ampliação da vacinação, aonde vamos conseguir atender a população de idosos de 85 anos ou mais”, explica a coordenadora do Núcleo de Vigilância Epidemiológica, Cátia Banaszeski.
A vacina também está disponível na rede privada para outras faixas etárias, mas, no serviço público, a oferta segue os grupos e critérios estabelecidos pelo Programa Nacional de Imunizações.
Vacinação ocorre durante período de transição
A chegada da Pneumo 20 não significa uma substituição imediata de todas as vacinas pneumocócicas utilizadas anteriormente. O município ainda possui doses da Pneumo 10 e segue um processo de transição determinado pelo Ministério da Saúde.
“Nós utilizávamos uma vacina que era a Pneumo 10, que ainda temos na rede, uma vacina que era a Pneumo 13 e uma que era a Pneumo 15. No momento em que essa transição vai acontecendo, nós vamos ter somente a Pneumo 20”, afirma Cátia.
Por esse motivo, o esquema de vacinação de uma criança pode envolver diferentes versões da vacina. Uma criança que iniciou a imunização com a Pneumo 10, por exemplo, não necessariamente receberá a Pneumo 20 imediatamente. Já aquelas que estão começando o calendário podem iniciar o esquema com a nova vacina, conforme os critérios vigentes. A orientação é levar a carteira de vacinação à UBS para que os profissionais verifiquem as doses já aplicadas e definam o próximo procedimento.
“Vale lembrar que isso é estabelecido pelo Ministério da Saúde dentro do calendário vacinal, não é algo que nós estabelecemos enquanto município. A gente precisa seguir bem certinho os critérios, por isso que a gente ainda não consegue atender todos com a Pneumo 20”, explica Cátia.
Vacina amplia número de sorotipos protegidos
A Pneumo 20 protege contra 20 sorotipos da bactéria pneumococo, enquanto a Pneumo 10 contempla dez. A ampliação inclui os sorotipos 3, 6A e 19A, associados a quadros mais graves, especialmente entre crianças pequenas e idosos.
“Esses são os que mais atingem a população idosa e a população infantil que tem uma vulnerabilidade maior para desenvolver essas doenças e o agravamento dessas doenças. Esses são os sorotipos que mais causam pneumonias graves, internações e hospitalizações”, explica Cátia.
As bactérias pneumocócicas podem provocar pneumonia, sepse, otite e meningite, entre outras infecções. A maior abrangência da vacina busca reduzir a ocorrência dessas doenças e de suas formas mais graves.
Segundo dados citados pela Secretaria Municipal da Saúde, Erechim possui cerca de 3 mil a 3,5 mil pessoas com 85 anos ou mais, sem considerar os idosos que vivem em instituições de longa permanência.
Idosos acamados terão vacinação organizada pelas equipes
Os idosos com 85 anos ou mais que conseguem se deslocar até uma UBS podem procurar a unidade para receber a vacina. Para aqueles que estão acamados, as equipes de Estratégia de Saúde da Família estão realizando o levantamento dos pacientes para organizar a aplicação nas residências.
“Quem não consegue vir até a unidade, aguarde que nos próximos dias as equipes vão contatar e organizar a vacinação para facilitar o acesso e prevenir o quanto antes toda essa população”, orienta Cátia.
A vacinação dos institucionalizados também está sendo organizada pelas equipes de saúde, conforme os critérios estabelecidos para o grupo.
Documento e carteira de vacinação ajudam na avaliação
Para receber a dose, é necessário apresentar documento de identificação. No caso das crianças, a carteira de vacinação é considerada fundamental para verificar o histórico e registrar a nova aplicação.
Para idosos, a ausência da carteira não impede necessariamente o atendimento, pois os profissionais podem consultar registros nos sistemas disponíveis. Entretanto, quem possui o documento deve levá-lo, principalmente quando já recebeu outras vacinas pneumocócicas.
Pessoas que receberam Pneumo 13, Pneumo 15 ou Pneumo 23 podem precisar respeitar um intervalo antes de receber a Pneumo 20. A avaliação do histórico permite definir se a dose já pode ser aplicada.
Contraindicações são restritas
De acordo com a Vigilância Epidemiológica, a Pneumo 20 não possui contraindicações amplas. A aplicação deve ser evitada em pessoas que apresentem hipersensibilidade a algum componente da vacina.
Em crianças ou idosos com quadro febril importante, a orientação é adiar a vacinação até a recuperação.
“Nesse caso a gente adia a vacinação, mas ela não tem contraindicação, a não ser que seja nesses quadros de uma hipersensibilidade a algum componente”, explica Cátia.
Pessoas com condições específicas podem ser avaliadas pelo CRIE
Há situações em que crianças que já completaram o esquema com a Pneumo 10 podem ter indicação para receber imunobiológicos especiais. Nesses casos, a avaliação é feita pelo Centro de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).
A solicitação exige documentação médica, que pode incluir diagnóstico, exame comprobatório e histórico de internações ou de doenças respiratórias recorrentes. Entre as condições que podem ser avaliadas estão alguns casos de asma crônica.
A família deve procurar o setor de Epidemiologia, junto à Secretaria Municipal de Saúde, levando documento de identificação, cartão do SUS e os documentos médicos necessários. Se o pedido for autorizado, a dose é encaminhada especificamente para o paciente.
Prevenção pode reduzir complicações e internações
Para o secretário municipal da Saúde, Vianei Mueller, a vacinação também tem impacto sobre a demanda por atendimento hospitalar.
“Fazemos essas campanhas de multivacinação porque realmente entendemos que a gente consegue proteger as pessoas, proteger o sistema e consegue ter um atendimento mais eficaz e também otimizar o recurso público, que também é importante, pois o recurso é finito de uma forma geral”, afirma.
A redução de casos graves pode diminuir a necessidade de internações e, consequentemente, a ocupação de leitos. A menor pressão sobre os hospitais também pode favorecer a realização de outros atendimentos, como procedimentos e cirurgias eletivas.
Além do impacto sobre o sistema de saúde, uma hospitalização pode alterar a rotina dos familiares, que precisam acompanhar o paciente e, em determinadas situações, afastar-se do trabalho.
“O sistema todo funciona de uma forma que se a gente conseguir prevenir, a gente gasta menos e protege as pessoas e a vacina é um sinônimo puro disso”, diz Vianei.
Vacinação como medida de proteção coletiva
A imunização não tem efeito apenas sobre quem recebe a dose. Segundo Cátia, a redução da circulação de agentes infecciosos também contribui para proteger pessoas que apresentam maior vulnerabilidade.
“A imunização não é individual. Quando a gente fala em vacinação, a vacinação previne muitas pessoas ao mesmo tempo, pois quem está vacinado transmite menos”, afirma.
A profissional também cita o retorno de doenças que possuem prevenção por vacina como um dos motivos para manter o calendário atualizado.
“Já temos doenças graves que foram erradicadas com a vacina e que nós não podemos voltar com essa situação de pessoas com poliomielite, casos de sarampo, casos de varicela, que a gente já teve surto de varicela nesse ano aqui no município de Erechim”, lembra.
Caderneta deve ser mantida atualizada
A Secretaria Municipal da Saúde orienta que pais e responsáveis levem as crianças às unidades para conferência do calendário e mantenham a caderneta atualizada. A mesma recomendação vale para os adultos, especialmente aqueles que integram os grupos contemplados pela Pneumo 20.
“Eu acho que estar com a caderneta de vacinação em dia é a certeza que tu tens de que o teu filho está protegido”, afirma Vianei. A coordenadora da Vigilância Epidemiológica ressalta que a aplicação é rápida e que existem recursos para reduzir o desconforto durante a vacinação. “É só uma picadinha, mas é a picadinha do bem que você vai resolver inúmeros problemas”, afirma Cátia.
Para os idosos com 85 anos ou mais, a orientação é procurar uma UBS. Quem estiver acamado deve aguardar o contato das equipes responsáveis pela vacinação domiciliar.
“A vacina faz diferença, ela vai realmente proteger o teu pai, a tua mãe, o teu vô, a tua avó. Então se você tiver um idoso de 85 anos ou mais, procura uma Unidade Básica de Saúde que vai estar disponível essa vacina e que vai realmente fazer diferença na proteção da vida dele”, afirma Vianei.