A produção da indústria gaúcha recuou pelo segundo mês consecutivo em setembro, com o índice em 48,1 pontos. Foi a sexta queda registrada em 2026. Os dados são da Sondagem Industrial, divulgada nesta quinta-feira (29) pelo Sistema FIERGS.
Para o presidente do Sistema FIERGS, Claudio Bier, os resultados reforçam a necessidade de atenção às condições que afetam a produção industrial. “A indústria gaúcha segue enfrentando dificuldades para ampliar a produção em um cenário desafiador interna e externamente. Esse ambiente exige medidas que favoreçam a atividade econômica, estimulem o consumo e criem condições para que as empresas voltem a investir e gerar empregos”, afirma.
Entre os entraves mais citados pelas empresas estão a demanda interna insuficiente e as taxas de juros elevadas, que evidenciam as dificuldades associadas à fraqueza da demanda doméstica e ao elevado custo do crédito. A alta carga tributária, a falta ou o alto custo de trabalhadores qualificados e a inadimplência dos clientes também figuraram entre os principais problemas enfrentados pela indústria.
Em relação as condições financeiras do terceiro trimestre, a percepção dos industriais gaúchos permaneceu desfavorável. Os empresários seguiram insatisfeitos com a margem de lucro, a situação financeira e o acesso ao crédito. Ao mesmo tempo, a percepção de aumento dos preços das matérias-primas se tornou menos disseminada.
A utilização da capacidade instalada (UCI) caiu pelo segundo mês consecutivo, após dois meses de crescimento, e ficou em 68% em setembro, abaixo da média histórica para o período, de 70,7%. O índice que mede a UCI em relação ao nível usual marcou 40,3, sinalizando que os empresários consideram a utilização inferior à normal para o período. A pesquisa aponta, ainda, que o índice de número de empregados ficou em 46,2 pontos e permanece abaixo da linha dos 50 pontos há 16 meses, indicando retração do emprego industrial.
Os estoques de produtos finais cresceram pelo 18º mês consecutivo. O índice ficou em 50,7 pontos em setembro, indicando que a percepção de aumento dos estoques foi menos disseminada do que em agosto. Já o indicador de estoques em relação ao nível planejado marcou 54,1 pontos, mostrando que os volumes permaneceram acima do desejado pelas empresas. Essa situação é relatada pelos empresários desde outubro de 2025.
EXPECTATIVAS
Pela pesquisa, realizada entre os dias 1º e 13 de outubro, todos os índices de expectativas da indústria gaúcha para os próximos seis meses permaneceram abaixo dos 50 pontos, refletindo um cenário pessimista, embora dois tenham avançado em relação a setembro, um tenha ficado estável e outro tenha recuado.
O índice de expectativa de demanda subiu 1,1 ponto, para 48,5 pontos, enquanto o de compras de matérias-primas avançou 0,7 ponto, chegando a 47,4 pontos. Os resultados indicam que as perspectivas de queda da demanda e das compras se tornaram menos disseminadas entre os empresários. A expectativa de emprego ficou praticamente estável, em 46,8, mantendo a sinalização de redução do número de trabalhadores nos próximos seis meses. Já o índice de expectativa de exportações recuou pelo terceiro mês consecutivo, para 44,1, o menor nível de 2026, indicando projeção de queda nas vendas externas.
INTENÇÃO DE INVESTIR
A intenção de investimento da indústria gaúcha aumentou de 48,7 pontos, em setembro, para 50,5, em outubro. Apesar da alta, o indicador permaneceu abaixo da média histórica, de 52,1 pontos. No mês, 50,4% dos empresários afirmaram que pretendem realizar investimentos nos próximos seis meses. A pesquisa foi realizada com 127 empresas, sendo 31 pequenas, 39 médias e 57 grandes.
Confira a pesquisa completa aqui: https://observatoriodaindustriars.org.br/inteligencia-estrategica/producao-industrial-recua-e-demanda-interna-insuficiente-ganha-destaque-entre-os-entraves/