O bruxismo, caracterizado pela atividade dos músculos da mastigação durante o sono ou em vigília, pode provocar mandíbula cansada, dores no rosto e o hábito de manter os dentes cerrados. Uma revisão de estudos publicada em 2024 estimou que 21% da população apresenta bruxismo do sono e 23%, de vigília. A compreensão sobre o problema também evoluiu: um consenso internacional aponta que, em pessoas saudáveis, ele não deve ser necessariamente classificado como doença, mas como um comportamento que pode representar fator de risco à saúde. Nesse cenário, a fisioterapia orofacial ganha espaço no tratamento das dores e limitações associadas.
Ranger à noite ou apertar os dentes durante o dia
O bruxismo do sono é marcado principalmente pelo ranger dos dentes, que pode causar desgaste dentário. Já durante a vigília, predomina o apertamento, que provoca tensão nos músculos da mastigação e pode sobrecarregar a mandíbula e prejudicar os dentes. A diferença também influencia o tratamento: enquanto o bruxismo do sono não está sob controle consciente, o apertamento durante o dia pode ser identificado e reduzido com exercícios e técnicas de relaxamento.
Dor é o principal sinal de alerta
Nem sempre a pessoa percebe que tem bruxismo. Por isso, desgaste dentário, dores na face, dificuldade para abrir a boca, estalos e alterações nos movimentos da mandíbula merecem avaliação profissional. A dor é um dos principais motivos para buscar atendimento.
Dores de cabeça frequentes também precisam de investigação, especialmente quando aparecem em vários dias do mês e comprometem as atividades cotidianas. Nesses casos, a avaliação de um neurologista pode ser necessária.
Fisioterapia trata as consequências
A fisioterapia orofacial não impede diretamente o ranger ou o apertamento dos dentes, pois não há evidências de que suas técnicas reduzam a atividade do bruxismo. Seu foco é aliviar a dor, melhorar os movimentos da mandíbula e recuperar funções como falar, comer e mastigar sem desconforto.
A avaliação considera sintomas, rotina, sono e estresse, além de examinar a mobilidade da mandíbula e possíveis tensões nos músculos da face e do pescoço. A região cervical também é observada, já que alterações posturais podem aumentar a sobrecarga muscular, embora não sejam consideradas causa direta do bruxismo.
Exercícios auxiliam no controle muscular
O tratamento é individualizado e pode incluir terapia manual, exercícios e técnicas de relaxamento. Em casos de dor intensa, a prioridade é aliviar os sintomas. Já nos quadros crônicos, o foco pode estar na melhora da mobilidade e do controle muscular.
Os exercícios incluem movimentos de abertura e fechamento da boca, sem contato entre os dentes, além de movimentos laterais e fortalecimento, conforme a evolução do paciente.
Uma meta-análise de 153 estudos apontou benefícios da mobilização da mandíbula, da terapia manual em pontos-gatilho e de exercícios supervisionados na redução da dor crônica associada à disfunção temporomandibular (DTM).
Cuidado pode envolver diferentes profissionais
Como o bruxismo envolve fatores relacionados ao sono, às emoções, aos dentes, aos músculos e às articulações, o acompanhamento pode exigir atuação conjunta de dentistas, fisioterapeutas, profissionais de saúde mental, especialistas em sono e neurologistas.
O tempo de tratamento varia conforme a gravidade e a duração dos sintomas. Alguns pacientes podem receber alta após oito semanas, enquanto outros precisam de acompanhamento prolongado. As metas são definidas de acordo com a dor, as limitações e o impacto do problema na rotina, com participação ativa do paciente durante todo o processo.