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Quatro décadas de arte

Artista plástica Maria Paula Giacomini explica como se encontrou na profissão que escolheu por acaso 42 anos atrás

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Quatro décadas de arte
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Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Najaska Martins

Artista plástica Maria Paula Giacomini explica como se encontrou na profissão que escolheu por acaso 42 anos atrás

Comum a muitos jovens às vésperas de iniciar a vida acadêmica, a indecisão sobre qual profissão seguir também atormentou Maria Paula Giacomini, 42 anos atrás. “Eu sabia dos cursos superiores que eu não queria fazer, mas não tinha definido um que eu quisesse”, recorda. Depois de cogitar fazer Bioquímica, em Santa Maria e ser impedida pelo pai em razão da distância da cidade de Erechim, a graduação escolhida foi Licenciatura em Artes, na Universidade de Passo Fundo (UPF). “Não foi algo pensado, foi meio que por acaso”, relembra.

Quatro décadas depois, basta observar o brilho no olhar enquanto fala da profissão e os inúmeros e admiráveis trabalhos em seu ateliê para comprovar que, mesmo feita por acaso, a escolha não poderia ter sido outra. É em meio às tintas, papeis, telas e cavaletes que predominam seu ambiente de atuação, que a artista plástica de 62 anos passa a maior parte de seu tempo. Além de produzir, Maria Paula também dá aulas de desenho e pintura para alunos de diferentes faixas etárias.

Reconhecimento pelo que faz

Por muitos anos depois de formada, Maria Paula dedicou-se à licenciatura em escolas e universidades. Foi só depois que se aposentou do magistério, há 14 nos, que abriu seu ateliê, em um espaço inicialmente improvisado ao lado de sua casa. “Eu não queria perder o contato com os alunos, queria continuar ensinando, produzindo. Foi então que decidimos reformar um espaço ocioso da casa para então eu começar a receber novos alunos para aulas de desenho e pintura”, relata.

Logo de início a artista já se surpreendeu com a procura e hoje, ela limita apenas dois dias para atender seus alunos. Nos demais dias ela se dedica a produzir tanto trabalhos comerciais, encomendados por clientes, quanto para se dedicar as suas criações, as quais já lhe renderam espaço até mesmo em galerias internacionais.

Para isso, porém, ela destaca que se qualificou de diversas formas, e buscou diversas opiniões de críticos da arte para que pudesse aprimorar seu trabalho. “Além de pesquisar e estudar muito, foi importantíssimo ter a avaliação de artistas renomados sobre as minhas obras, pois foi com as críticas deles que pude ir melhorando aspectos, corrigindo erros e aprimorando os acertos”, avalia.

Duas artistas

Maria Paula se define em dois aspectos. “Brinco que meu trabalho se divide em duas Marias Paulas. Uma é comercial, a outra é a artista e ambas se complementam. A comercial atende encomendas, faz o que o cliente pede, trabalha um pouquinho mais limitada. A artista é um pouco mais livre, trabalha de maneira mais sistemática e ao mesmo tempo, cria coisas novas”, explica.

Apesar das diferenças entre os dois tipos de trabalho, Maria Paula afirma que ambos se completam. “Fazer algo que um cliente pediu demanda trabalho, mas é mais fácil porque basta saber fazer. Já uma criação própria exige mais planejamento, pesquisa de cores e técnicas. Porém, enquanto estou produzindo algo encomendado, estou justamente aprimorando técnica, descobrindo tons, ou seja, são trabalhos que se complementam”, enfatiza.

A artista salienta ainda que costuma pintar todos os dias, o que além de prazeroso, permite ampliar sua criatividade. “Eu não consigo imaginar um artista que não pratique a sua arte. Cada nova pintura é uma maneira de descobrir ou criar algo e isso não pode ser desperdiçado”, pontua, ao comentar que tem em casa um ‘cantinho do pensamento’, no qual suas obras ficam expostas e passíveis de serem mudadas conforme surge a criatividade.

Por fim, Maria Paula salienta o desejo de ter em Erechim um espaço para que artistas possam mostrar seus trabalhos e discutir a arte como um todo. “Diversas cidades da nossa região já contam com casas de cultura, espaços voltados à arte. Em Erechim precisamos também de uma iniciativa nesse sentido. Acredito que isso, além de estimular talentos e valorizar artistas locais, promoveria uma mudança na visão que as pessoas têm da cultura. Acho que esta área merece uma atenção especial por parte da nossa sociedade e do poder público”, conclui.

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