Pesquisas apontam o cenário da mulher brasileira no mercado de trabalho
Qualificação e remuneração
As mulheres brasileiras, hoje, ocupam a maioria das cadeiras nas escolas e universidades. De acordo com os dados da última edição da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do IBGE, 18,8% das mulheres economicamente ativas já completaram ao menos um curso superior. Entre os homens, este número cai para 11%. Elas ganham dos homens também entre os brasileiros com ensino médio completo: 39,1% contra 33,5%. Entre os candidatos aprovados em 2016 no Sisu, 57% eram mulheres.
Entretanto, por mais que o desempenho das mulheres brasileiras nos estudos seja superior ao dos homens, a remuneração média deles no mercado de trabalho continua sendo maior. E essa porcentagem de diferença se alarga conforme o tempo dentro das instituições de ensino. As mulheres com cinco a oito anos de estudo recebem por hora 24%a menos que os homens com mesma escolaridade. Para 12 anos de estudo ou mais, essa diferença entre gêneros atinge 34%.
Já um estudo divulgado essa semana pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) revela que as mulheres trabalham, em média, 7,5 horas a mais que os homens por semana devido à dupla jornada, que inclui tarefas domésticas e trabalho remunerado. Apesar da taxa de escolaridade das mulheres ser mais alta, a jornada também é. Segundo a pesquisa, em 2015, a jornada total média das mulheres era de 53,6 horas e a dos homens, de 46,1 horas. Em relação às atividades não remuneradas, a proporção se manteve quase inalterada ao longo de 20 anos: mais de 90% das mulheres declararam realizar atividades domésticas; os homens, em torno de 50%.
Chefes de família e mulheres negras
O estudo do Ipea observou ainda que aumentou o número de mulheres chefiando famílias. Em 1995, 23% dos domicílios tinham mulheres como pessoas de referência. Vinte anos depois, esse número chegou a 40%. As famílias chefiadas por mulheres não são exclusivamente aquelas nas quais não há a presença masculina: em 34% delas havia a presença de um cônjuge. O Ipea verificou a sobreposição de desigualdades com a desvantagem das mulheres negras no mercado de trabalho. Segundo a pesquisa, apesar de mudanças importantes, como o aumento geral da renda da população ocupada, a hierarquia salarial – homens brancos, mulheres brancas, homens negros, mulheres negras – se mantém.
Menos jovens domésticas
O Ipea destacou também a redução de jovens entre as empregadas domésticas. Em 1995, mais de 50% das trabalhadoras domésticas tinham até 29 anos de idade (51,5%); em 2015, somente 16% estavam nesta faixa de idade. Eram domésticas 18% das mulheres negras e 10% das mulheres brancas no Brasil em 2015.