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Cultura

Realização pela dança

Por Najaska Martins - najaska@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

Erechinense conta sobre sua experiência de um ano trabalhando no Egito

Há pouco mais de um ano a erechinense Fernanda Paier dava um importante passo na arte a qual passou ter apreço ainda na infância: a dança. Após anos de estudo e dedicação, ela embarcava para o Egito para trabalhar em uma companhia de dança oriental durante o período de um ano. Sua trajetória até o país africano, porém, iniciou muito antes, quando em uma viagem ela conheceu o trabalho de bailarinos da região. Depois de sete meses de preparação e testes, ela partia para a cidade de Sharm el Sheik, localizada a 515 quilômetros da capital Cairo para dar início ao seu sonho: “colocar todos meus estudos em prática, subir ao palco todos os dias para fazer o que mais me tocava, e tocar as pessoas também com a dança oriental”, revela.

A ida para o Egito foi em dezembro de 2016. Sobre a cidade onde morou pelo período de um ano e de onde retornou recentemente, a dançarina explica que é situada na ponta sul da Península do Sinai, na Subdivisão do Sinai do Sul, Egito, sobre a faixa costeira ao longo do Mar Vermelho. “Permaneci por 12 meses nesta cidade, mas durante esse ano de permanência, viajamos também para outras cidades a trabalho com a companhia, como por exemplo, Alexandria, Cairo e Luxor. Neste contrato de trabalho eu dançava em vários programas de shows da companhia, tanto com o grupo folclórico e internacional e também shows solo como bellydancer (bailarina de dança oriental)”, relata.

Sobre a experiência, a bailarina define como “de grande valia e muito enriquecedora, tanto no meio pessoal como profissional”. Conforme Fernanda, além de estar se desenvolvendo e evoluindo como bailarina, o trabalho a permitiu autoconhecimento. “Nessa companhia onde eu trabalhava haviam pessoas de várias outras nacionalidades, com as quais eu passava 24 horas do meu dia, seja por morar com essas pessoas como também por trabalhar com elas. Então a troca de experiência e aprendizado que se tem com essas pessoas de outros países, e outras culturas é muito intensa e evolutiva, pois além de morar em um país do oriente médio, onde praticamente todos os costumes e crenças são diferentes daqui do ocidente tive que aprender a aceitar e respeitar tudo isso, então com certeza é um trabalho de evolução pessoal muito grande”, relata.

Uma ocidental em um país oriental

Fernanda destaca ainda que do período em que ficou fora, o choque cultural foi uma das principais surpresas. “Um ambiente diferente, nova rotina e nova realidade, o choque culturalmente geralmente é e foi pra mim muito grande, mas sempre continuei mantendo meu foco no trabalho que era a minha meta de realização. E acredito que a maioria das pessoas imaginam e pensam que a vida fora do país de certa forma é “moleza”. E é justamente este ponto que gostaria de destacar: as pedras no caminho. Muitas barreiras são enfrentadas para se conquistar a realização pessoal e profissional, entre elas a solidão e muita saudade. As coisas não são tão fáceis como muitos pensam, mas o sonho sempre tem que ser maior do que qualquer desafio, e é isso que no final vale a pena”, completa.

A bailarina também cita o desafio da convivência com a cultura oriental. “Viver em um país do oriente médio com certeza é um grande desafio para nos ocidentais, ainda mais por você ser mulher e encontrar uma realidade totalmente diferente do que você nasceu e cresceu, relacionada ao papel do ser mulher. O convívio diário com essa cultura do oriente médio me fazia e me faz ainda refletir sobre muitas coisas, principalmente na questão do parecer e ser e também sobre a liberdade de expressão. Mas além desta cultura eu convivi com pessoas de outros países, como russas, ucranianas, libanesas, sírias, italianas e toda essa miscigenação participando da minha rotina diária era muito engraçada e ao mesmo tempo muito enriquecedora, pois aprendi várias línguas, conheci lugares e pessoas incríveis e com certeza conheci muitas percepções de vida e ser diferentes”.

Em Erechim novamente há pouco tempo, Fernanda não descarta os planos de iniciar uma nova jornada mundo afora em busca de novas experiências. Da mesma forma, incentiva que mais pessoas invistam em projetos fora do país. “Tenho planos para fazer mais uma temporada fora do Brasil. O lugar por enquanto está indefinido, mas mais uma temporada dançando fora irá acontecer certamente. Acredito que seja fundamental divulgar essas informações e dividir um pouco da minha experiência, em especial a todas as pessoas que pretendem desenvolver algum trabalho ou projeto fora do Brasil. Essa experiência foi única e inesquecível. Ter a oportunidade de morar em outro país, tão diferente do nosso, conhecer pessoas de inúmeras nacionalidades, trabalhar com o que se ama, viajar para vários lugares incríveis, ser independente de certa forma, tudo isso, foi gratificante e enche o coração de alegria e orgulho”, finaliza.

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