22°C
Erechim,RS
Previsão completa
Euro R$ 4,51 Dólar R$ 4,04
22°C
Erechim,RS
Previsão completa
Euro R$ 4,51 Dólar R$ 4,04

Publicidade

Cultura

Banda de Música Erechim: com 68 anos de história, grupo busca renovação

Diretoria pretende colocar em prática um projeto que visa oferecer aulas gratuitas à comunidade. Para participar? Basta o desejo de aprender mais sobre sopro e percussão

Atualmente o grupo conta com 18 músicos e os ensaios acontecem nas quartas-feiras à noite
Por Amanda Mendes
Foto Amanda Mendes

Uma paixão compartilhada entre pai e filho. Assim começou a história de Heitor Rigoni na Banda de Música de Erechim. "O maior desejo do meu pai (Carlos Rigoni), era que um dos filhos também tocasse, então, eu prometi que aprenderia. Assim, apenas eu e um de seus netos partilhamos esse sonho", contou Rigoni à reportagem do Jornal Bom Dia. 
Após aulas particulares com um maestro, em 1976, o recente músico recebeu o convite de seu pai para compor o grupo. "A banda foi fundada em sete de setembro de 1951 pelo meu pai e hoje, é um presente para mim ser presidente dessa entidade tão importante para nossa história, bem como, para a música de Erechim", enfatizou Rigoni, que assumiu a presidência da banda em janeiro deste ano. 
Atualmente, o grupo conta com 18 músicos, "no entanto, em 68 anos de existência, já tivemos muitos altos e baixos, a banda já chegou a ter 30 componentes e sempre mantivemos as atividades, independente da quantidade de músicos", ressaltou. 
Contudo, a preocupação da associação que tem personalidade jurídica própria, é renovar o quadro e garantir a permanência das apresentações. "Nós vamos iniciar um projeto de aulas gratuitas aos sábados no turno da tarde, para todos aqueles que querem aprender um instrumento de sopro e percussão. Nosso objetivo é preparar as pessoas, afinal um dia teremos que ser substituídos para a banda continuar, bem como, queremos renovar o quadro, ensinar e aprender com as crianças", enfatizou o atual presidente. 

Projeto oferta aulas gratuitas 
A iniciativa ainda está em processo de elaboração, mas o músico afirma que as aulas serão gratuitas e devem iniciar em abril, aos sábados, às 14h, na Escola de Belas Artes Osvaldo Engel e, esporadicamente às quartas, a partir das 19h. 
O projeto foi viabilizado com a disponibilidade do maestro Ivan da Luz de Erechim e a única exigência é que os interessados sejam alfabetizados. "É preciso saber ler, considerando que terão que ler as partituras, assim, estimamos que a partir de 11 anos já é possível participar", pontuou Rigoni. 
Para o segundo secretário da banda, Anévio Baldin, a ação pode ter alcance de transformação social dos participantes e, ainda, ajudar na permanência da banda. "Estou no grupo desde 1992 e aqui é uma família, todos nós nos ajudamos. Esse projeto pode incluir muitas crianças que estão excluídas da sociedade, considerando que a banda também tem um sistema social, eles vão entender como é fazer parte de um grupo diverso e terá muita integração, considerando que também é um modo de socialização", ressaltou Baldin. 
Sobretudo, o secretário afirma, que a música é um meio para a comunicação. "Nós estamos fazendo a divulgação da arte porque ela não tem fronteiras. Com a música as pessoas se comunicam, é universal", concluiu. 

Orgulho em representar o município 
A sensação de pertencer a uma família também é compartilhada pelo tesoureiro, Paulo Toldo. "É um grupo que se relaciona como membros familiares e eu sinto um orgulho imensurável quando estou vestido com o uniforme da banda e carregando a bandeira do município nas apresentações", pontuou. 
A associação foi reconhecida como banda municipal com o objetivo de difundir a arte dos instrumentos de sopro, realizando apresentações públicas e representando Erechim em eventos oficiais nacionais e internacionais. Contudo, para Toldo, atualmente faltam incentivos e valorização por parte do poder público. "Nós temos um histórico com diversas apresentações em asilos, no Lar das Crianças, inaugurações de escolas e passarelas, mas hoje em dia, falta estímulos até para promover nossas atividades. Nunca tivemos cachês, só contribuições que eram destinadas para manter o maestro e para os materiais de aulas. Todos os equipamentos utilizados para estudar e para as aulas demandam um custo. Pela experiência que observamos em outros municípios, as prefeituras incentivam essas entidades culturais, como uma alternativa aos jovens", argumentou. 
O presidente explicou à reportagem do Jornal Bom Dia que há um tempo a banda recebia uma dotação orçamentária, mas atualmente, o cenário cultural de Erechim é desanimador. "Os programas voltados à arte estão escassos e as verbas também estão restritas. Nossas apresentações são gratuitas, mas toda a banda tem um custo de manutenção, como o conserto de instrumentos, por exemplo", finalizou Rigoni. 

Sobre a nova diretoria 
A presidência da banda tem período de "mandato" de um ano, assim, o grupo liderado por Rigoni desenvolverá atividades ao longo de 2019. 
Além do presidente, a gestão está formada pela vice-presidente Olga Abramchuk, primeiro secretário Daniel Pilatti, segundo secretário Anévio Baldin, primeiro tesoureiro Paulo Toldo, segundo tesoureiro Adilson Lima e pelos conselheiros fiscais: Laudelino da Luz, Anderson da Costa e André Lupatini. O conselho conta ainda com os suplentes: Ademor de Aguilar, Cristina Duarte e Marcelo Tedesco.  

Publicidade

Blog dos Colunistas