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Cultura

Museu: “um local de interação com a comunidade”

Doação para o Arquivo Histórico é uma boa forma de preservar relíquias históricas, diz coordenadora Carmencita

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Doação para o Arquivo Histórico é uma boa forma de preservar relíquias históricas, diz coordenadora
Pesquisador André diz que o material do Arquivo é excelente e a história de Erechim “muito rica”
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

O museu é um espaço público a serviço do desenvolvimento econômico, social e cultural de um município. Um local para reviver e entender a história, a construção social, mas também uma ferramenta para compreender o presente, sendo suporte para projetar o futuro. Erechim ainda não tem uma sede própria para um Museu, no entanto, realiza muitas atividades históricas e está em constante contato com a comunidade.     

Conforme a historiadora e coordenadora do Arquivo Histórico Municipal Juarez Miguel Illa Font, Maria Carmencita Fernandes, que está há um ano e meio à frente da instituição, o Arquivo e Museu Histórico necessita de um espaço maior para todas as atividades que desenvolve atualmente. O Arquivo Histórico abriga mais de 5 milhões de documentos entre peças e objetos.

Carmencita comenta que o Arquivo é um espaço de documentos, que guarda a história, de pesquisa, mas que faz também oficinas e exposições. “Um local de interação com a comunidade, que recebe diariamente alunos de todas as séries, entidades, grupos de idosos, todos que querem conhecer um pouco da nossa história a gente procura informar da melhor maneira possível”, diz. E, acrescenta, nesta semana está tendo uma exposição que aborda as intervenções nas construções históricas de Erechim.

A coordenadora faz um apelo para a comunidade a todas as pessoas que tenham documentos quanto objetos históricos que doem para o Arquivo Histórico. “Para que essas relíquias não se percam, tanto documentais quanto em forma de objeto, e tudo será muito bem cuidado, fotos, jornais, tudo que é tipo de documentação”, afirma. E, acrescenta, “se a pessoa não quiser doar, pode trazer até nós que a gente faz uma cópia e posteriormente devolve o documento. Tudo é arquivado e guardado”.

No momento, dois estagiários do curso de História, estão fazendo toda a catalogação de tudo que tem no Arquivo, que tem um projeto de digitalização da documentação. “Posteriormente, vamos ter computadores para acessar esses documentos também e, num segundo momento, fazer uma plataforma digital para que se possa acessar em qualquer lugar do país”, comenta. Ela acredita que o processo de digitalização vai favorecer muito o arquivo histórico.

Carmencita ressalta que o Arquivo tem a responsabilidade, o dever de cuidar e zelar por todo o patrimônio que abriga. “Daqui a 10 anos se você vier pesquisar esse documento vai estar aqui”, diz. No momento, o Arquivo está buscando uma boneca de louça e um caderno de lousa para as oficinas de educação com as crianças. O Arquivo Histórico está aberto todos os dias das 8h às 11h30 e das 13h às 17h, com exceção da quinta-feira à tarde. “Será um prazer receber a comunidade”, diz.

Pesquisador

Enquanto entrevistava Carmencita, o pedagogo e pesquisador, André Gustavo Botafogo Gonçalves folheava atentamente exemplares arquivados de jornais antigos. Acadêmico do curso de Gestão Ambiental, André veio de Brasília, natural do Rio de Janeiro, e agora está morando em Erechim. “Estou pesquisando a história de Erechim via os jornais da época, desde o início do município, temos aqui um jornal de 1919, 1920. A história daqui é muito rica, empolgante e dá para fazer muita pesquisa”, diz.

Ele afirma que o espaço é fantástico porque se tem facilidade de acesso aos documentos com quase 100 anos. “Muito tranquilo, evidentemente, que tem que ter o equipamento de segurança para não estragar o material, mas é extremamente acessível e fácil de achar, material de qualidade, excelente”, afirma.

Secretaria de Cultura  

O secretário de Cultura, Esporte e Turismo, Leandro Basso, afirma que o município tem um museu no papel, mas não na prática, se referindo ao fato de se ter uma lei que criou um museu em Erechim, mas não ter dotação orçamentária e um espaço físico próprio. “Precisamos urgente resolver essa ausência de espaço, mas não temos recursos municipais, nesse momento, para aquisição”, diz.

Basso comenta que o espaço do prédio dos Correios sempre entra na pauta quando se fala em museu, biblioteca e até mesmo secretaria, mas que ele esteve em Brasília falando com o presidente nacional dos Correios e que a empresa está em fase de privatização. “Então, atualmente não se pode contar com essa possibilidade ou tem que se trabalhar com ela, mas não se tem garantia de que isso venha acontecer”, afirma.

Ele ressalta que o município tem que fazer esse trabalho e buscar a “casa” do museu. “A prioridade é resolver a situação do Castelinho, sanado o Castelinho entendo que o museu vai entrar como a próxima prioridade. É urgente ter um museu porque estamos num processo de substituição de gerações, perdendo uma geração que é detentora do patrimônio e, senão for aproveitado vamos perder, para poder guardar todos os elementos da nossa colonização”, disse.

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