O ex-prefeito de Ipiranga do Sul e atual presidente da Amau, Mario Luiz Ceron, encerra um ciclo de atividades frente à entidade que se encerra no próximo dia 28, quando entrega o cargo, e será realizada a eleição da nova diretoria da Associação de Municípios do Alto Uruguai. Segundo Ceron, esse foi um ano atípico para a entidade que realizou suas reuniões de forma on-line, pela internet, devido a pandemia do novo coronavírus, a covid-19, no entanto, não comprometeu o trabalho da associação.
Seca – sem recursos
Além da pandemia que exigiu muito das gestões públicas municipais, a região enfrentou o problema da forte estiagem, em que 15 municípios do Alto Uruguai decretaram situação de emergência e ainda não receberam recursos para enfrentar os problemas decorrentes da falta de água. “Não recebemos recursos para enfrentar a seca na região”, disse. Ele acrescenta que nos próximos dias pode ser que chegue à região a máquina para fazer poços artesianos do Estado.
Em novembro do ano passado, o presidente da Amau, e mais alguns prefeitos representando a região visitaram o secretário de Agricultura do RS, Covatti Filho, para tratar os efeitos e perdas causadas pela forte estiagem que atingiu o Alto Uruguai. Na ocasião, eles buscavam apoio do governo do Estado e recursos para aquisição de equipamentos que viabilizassem a perfuração de mais poços artesianos e, também, abertura de novos açudes.
Olhar regional
Na sua avaliação, a diretoria da Amau de 2020, fez um trabalho voltado para as demandas dos municípios da região. “Neste ano tivemos uma sessão presencial da Amau e depois todas as outras foram via on-line, mas mesmo assim, em meio a pandemia conseguimos avançar e manter a unidade de grupo dos prefeitos, e os melhores números na condução da pandemia”, afirma.
Ele ressalta que determinadas atividades econômicas houveram perdas muito grandes, “mas no geral, a economia da região não se abalou tanto com os efeitos da pandemia”.
Liderança
Conforme Ceron, será muito importante que o próximo presidente da Amau mantenha a liderança regional e o trabalho em grupo. Entre os desafios está a continuidade das ações para cuidar das pessoas na pandemia, da saúde da população e, também, da economia regional. “A situação é desafiadora, e este ano pode ser um dos mais difíceis, mas já passamos por tantos e passaremos por este também”, disse.
Recursos extraorçamentários
Outro gargalo dos municípios será conseguir recursos extraorçamentários do governo federal. “A ausência de recursos extraorçamentários faz falta para as administrações municipais, assim como a redução dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). É complicado”, afirma. Ele acrescenta que os prefeitos precisarão fazer uma gestão mais enxuta que, inevitavelmente, vai ter reflexos nos serviços prestados à população.
Bem estruturados
Ele enfatiza que os municípios da região estão bem-organizados, bem-estruturados e será possível vencer os desafios que estão se colocando cada vez mais para a municipalidade. “A pandemia, com vacina ou não, vai limitar a nossa produção e ao limitar o ser humano a produzir a economia pública paga por isso”, observa. “Entrego o cargo com dever cumprido”, diz. E, acrescenta, é preciso continuar apoiando a Amau, uma das associações mais representativas da região.