É necessário puxar na memória quantas matérias já fiz e tantas outras que já li, sobre a falta de acessos asfálticos no Alto Uruguai Gaúcho. A região do RS com o maior número de municípios sem acesso, convivendo com a poeira ou o barro, há décadas.
Promessas de tudo que é tipo
Já ouvi promessas de tudo que é tipo, principalmente em período eleitoral, de vários candidatos, mas que jamais saíram do papel. Muitos ludibriaram a população pelo voto e essas obras de infraestrutura foram usadas como palanque eleitoral e serão novamente usadas no ano que vem. Infelizmente nossa região é célere em apoiar candidaturas de tudo que é parte e acreditar em promessas vazias, que sempre nos colocam como o patinho feio do Rio Grande do Sul.
Dar a Cesar o que é de Cesar
Na tarde de ontem (9), o governador Eduardo Leite (PSDB) fez o anúncio de diversas obras de infraestrutura (acessos asfálticos e projetos) e foi sensível às necessidades do Alto Uruguai, como nunca antes outro mandatário o fez. Tem que dar “a Cesar o que é de Cesar”. E esse mérito é do governador, e de outros entes políticos que pleitearam essas obras incansavelmente.
A força da AMAU
Natural que alguns parlamentares tiveram influência (não aqueles que votarão contra os projetos do Executivo), mas nesse anúncio, pelo que acompanhei, a força dos municípios foi fundamental, numa pauta municipalista consciente e bem orquestrada pela AMAU (Associação dos Municípios do Alto Uruguai). Logo, não temos pai da criança de forma individual e nem salvadores da pátria, que nessas horas aparecem e crescem mais que erva daninha.
Pautas municipalistas
A AMAU vem há alguns anos, com uma atuação bem diferente do passado, trabalhando com mais força nas pautas municipalistas. E esse anúncio das obras tem ligação direta com essa mudança de atuação da associação. A pressão dos prefeitos no governo do estado foi constante desde que assumiu Eduardo Leite.
Os atalhos
E a importância da representatividade é possível ser destacada no papel do prefeito de Barra do Rio Azul, Marcelo Arruda. Na condição de vice-presidente da Famurs, na gestão passada, era o responsável pela comissão dos municípios sem asfalto, fez muito bem esse papel e ficou conhecendo os atalhos para buscar esses recursos.
Projeto inédito
Em seu segundo mandato, Arruda, em conversa com o prefeito de Erechim, Paulo Alfredo Polis, e o prefeito de Aratiba, Gilberto Hendges, conseguiu alinhavar um projeto inédito para investimentos na rodovia que liga seu município até a ERS 420. Algo impensável saiu do papel e em Erechim teve o aval da Câmara de Vereadores.
Reunião com o governador
Depois, Arruda, Polis e Hendges estiveram em audiência com o govenador Eduardo Leite, e apresentaram o projeto. Foi quando Leite, acenou com a possibilidade de garantir o restante da obra, pois foi apresentado um projeto de parceria.
De onde virão os recursos
Foi quando o governador repassou aos prefeitos que em breve anunciaria um programa de investimento em infraestrutura em torno de R$ 1,3 bilhão para todo o Estado (recursos do Tesouro e não das concessões). Foi questionado pelos prefeitos, de onde sairiam os recursos. Leite afirmou que quando a CEEE foi privatizada, e vendida por um preço vil, a empresa que adquiriu a companhia se comprometeu em pagar o ICMS atrasado, num valor superior a R$ 2 bilhões. E esses recursos começam a entrar no caixa do governo e praticamente a metade irá para essas obras, espalhadas por todo o Estado, descentralizando os recursos.
Marcando na ‘paleta’
Nessa reunião, o próprio governador disse aos prefeitos que alguns deputados estaduais, que votaram contra o governo em projetos estruturantes para o Estado, aprovados na Assembleia Legislativa, perderam a moral com ele, pois não foram capazes de fazer o enfrentamento público e votaram pensando exclusivamente em votos futuros e não no futuro do Rio Grande do Sul.
Pressão coletiva na capital do Estado
Além dos três, outros prefeitos, cada vez que iam a Porto Alegre, iam até a Secretaria de Logística e Transportes ou ao próprio governador com as demandas de acessos asfálticos. De Ponte Preta, de Centenário, de Campinas do Sul, de Cruzaltense. Pautas elencadas dentro das reuniões da AMAU, para que todos deixassem os partidos de lado e pensassem no desenvolvimento da região.
Manifestação na ERS 477
Numa das viagens de alguns prefeitos da AMAU para a capital do estado, ficou definida uma manifestação na ERS 477, em Centenário, e centenas de autoridades estiveram presentes, reivindicando esse asfalto, fundamental para ligar a região Norte e Nordeste.
“Somos gaúchos, pagamos impostos e queremos ser vistos”
E nesse encontro, que contou praticamente com a presença de todos os prefeitos da AMAU, haviam deliberado que não convidariam deputados para o evento, para não transformar num ato político e sim de pressão contra o Estado, como querendo dizer: “somos gaúchos, pagamos impostos e queremos ser vistos”.
Queria sair na foto
Esse movimento, como se diz no popular, “mexeu com as lombrigas” de muitos parlamentares, que quiserem participar, mas foram brecados e orientados a não virem. Mesmo assim, um único parlamentar veio, pois queria sair na foto. Foto essa que deverá estampar seus santinhos na busca pela reeleição no ano que vem. Criou-se um climão no dia.
Sejamos justos com quem merece
Portanto, quando os candidatos chegarem no ano que vem, mostrando que são os únicos responsáveis por essas conquistas do Alto Uruguai, desconfie. Pressione e pergunte qual o seu real papel nessas reivindicações. Chega de idolatrarmos que não merece. Sejamos justos.