Entre tantas discussões políticas que permeiam o nosso dia a dia, com as redes sociais infestadas de fakenews, e tem que acredita pelo fato de querer que seja verdade, uma delas é sobre o voto impresso e auditável. Tem teorias para todos os gostos e sabores. Um cardápio completo.
Sete páginas datilografas
Sobre o voto impresso e auditável, sem entrar no mérito da questão, chegou até minhas mãos, sete páginas datilografas, das eleições de 15 de novembro de 1982 em Erechim. O voto era impresso e contado um a um. Já trabalhei como fiscal de urna em 1998. Um trabalho hercúleo, quando os votos eram contados um a um no Ginásio da URI, e antes era no Ginásio do Sesi.
Sistema eleitoral diferente
Naquela época – 1982 -, o sistema eleitoral para eleger o prefeito era diferente. Lançavam chapa pura e podiam ter dois candidatos a prefeito e dois vice-prefeito (quem tinha candidatos). E desta forma, a exemplo da Câmara de Vereadores, nem sempre o mais votado era o prefeito. E sim a coligação que fazia mais votos. Desta forma, a disputa ficava interna.
Sete candidatos a prefeito
Para se ter uma ideia, sete candidatos concorreram a prefeito, há quase 40 anos atrás: Jayme Lago (PDS) com Arlindo Madalozzo de vice; Darcy Pagliosa (PDS) com Maria de Lourdes Michelon, Moacir Tormen (PDT) com Orélio Pezzin, Lewis Luis Caron (PDT) com Gelsomino Appi; Nedio Piran (PT) com Nelly Dambros; Sérgio Benito Maccagnini (PMDB) com Carlinda Poletto Farina; e Fernando Testa (PMDB) com Luis Pungann.
O mais votado perdeu
Nessa época, Eloi Zanella estava em seu primeiro mandato (que nessa época foi de seis anos – 1977 a 1982) e ajudou eleger o seu sucessor. Nas urnas o mais votado – Sérgio Maccagnini (PMDB) - não foi o eleito, e sim o segundo colocado, Jayme Luis Lago (PDS), pois a soma dos dois candidatos do partido, deu mais que a soma dos dois candidatos do PMDB
Menos de 30 mil eleitores
Menos de 30 mil erechinenses votaram para prefeito: Jayme Lago (7.384 votos); Darcy Pagliosa (3.408 votos); Moacir Tormen (4.464 votos); Lewis Caron (424 votos); Nedio Piran (624 votos); Sérgio Maccagnini (8.254 votos); Fernando Testa (1.804 votos).
A disputa PDS X PMDB
Para entender essa lógica, onde o segundo mais votado virou prefeito, basta somar os votos dos dois candidatos do PDS, que foram 10.792 sufrágios. Já o PMDB, fez 9.338 votos, o que dá 1.354 a menos que o PDS, que acabou elegendo Jayme Lago. Mesmo com sete candidatos, 1.919 eleitores anularam o voto e outros 429 votaram em branco. Uma diferença maior que os dois candidatos.
Quatro partidos
Hoje em dia se discute que Erechim não precisa 17 vereadores. Em 1982, o Legislativo tinha 19 vereadores. E nesse pleito quatro partidos disputaram as vagas: PMDB, PDS, PDT e PT.
As bancadas
A maior bancada foi do PDS com nove vereadores, sete eleitos no quociente eleitoral e dois na sobra. A segunda maior bancada foi do PMDB com sete cadeiras (seis eleitos pelo quociente eleitoral e um na sobra). O PDT fez três vereadores e o PT nenhum, pois não obteve 1.444 votos do quociente eleitoral para fazer uma cadeira.
Os vereadores eleitos
O mais votado foi Aristides Zambonatto que já tinha sido prefeito no início dos anos de 1970. A seguir os 19 eleitos:
1º lugar: Aristides Agostinho Zambonatto (PMDB) – 1.175 votos.
2º lugar: Helly Luis Parenti (PMDB) – 855 votos.
3º lugar: Luiz Frizzo (PMDB) – 830 votos.
4º lugar: Elídio Scaranto (PDS) – 781 votos.
5º lugar: Luiz Alberto Tirello (PMDB) – 706 votos.
6º lugar: Celso Alves Machado (PDS) – 694 votos.
7º lugar: Alderico Albino Miola (PMDB) – 590 votos.
8º lugar: Luiz Felipe De Marchi (PDS) – 567 votos.
9º lugar: Elídio José Cervo (PDS) – 559 votos.
10º lugar: Ibanor Morandin (PMDB) – 547 votos.
11º lugar: Vilson José Tonin (PDS) – 517 votos.
12º lugar: Nery Gasperin (PDS) – 498 votos.
13º lugar: Luiz Dalla Costa (PMDB) – 495 votos.
14º lugar: Guerino Jacob Tormen (PDT) – 470 votos.
15º lugar: Cláudio Grasel (PDS) – 455 votos.
16º lugar: Armando Grando (PDS) – 445 votos.
17º lugar: Argeu Vilgar Marques Garcia (PDS) – 438 votos;
18º lugar: Terezinha Maria Pezzin (PDT) – 411 votos.
19º lugar: Guilherme Barp (PDT) – 316 votos
OBS: No total 93 candidatos concorreram a vereador: PDS (42), PDT (28), MDB (23) e PT (6).
Política no sangue
Dos nomes já citados nesse resgate histórico de quando o escrutínio era manual, três nomes de seus familiares estão ocupando cargos eletivos. O filho do quinto vereador mais votado, Luiz Tirello, é o vice-prefeito de Erechim. Trata-se de Flávio Tirello (PSB).
Os netos dos dois vereadores mais votados em 1982, Aristides Zambonatto e Helly Parenti são representantes na atual legislatura: Anax Zambonatto Pezzin (Republicanos) e Fifo Parenti (MDB).