14°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Cultura

Museu do Holocausto desenvolve ações para discutir genocídios indígena e quilombola

Entre as iniciativas estão a realização de duas formações acadêmicas e a assinatura/divulgação de manifesto alertando sobre as evidências de que um crime de genocídio possa estar ocorrendo no Brasil

teste
Divulgação
Por Salus Loch
Foto Divulgação

Diante das evidências de que um crime de genocídio contra os povos indígenas possa estar ocorrendo no Brasil, e com a proposta de ampliar as discussões a respeito do tema, foi criada  uma rede interinstitucional unindo organizações, coletivos e grupos sociais, entre os quais o Museu do Holocausto de Curitiba. Os debates, representados pelo projeto "Vozes contra os genocídios: perspectivas contemporâneas", partem do evento histórico do Holocausto e, de maneira transdisciplinar e interseccional, trabalharão questões ligadas ao genocídio dos povos negros, quilombola e de terreiro, bem como ao racismo religioso e aos territórios indígenas.

A iniciativa pioneira no Brasil é materializada em duas formações acadêmicas online: uma disciplina de Pós-Graduação (que pode ser feita também como Curso Aberto) e um Curso de Extensão com oficinas e vivências ligadas à cultura, à arte e à ancestralidade desses povos. Com 12 encontros cada, as atividades, que têm inscrições abertas até sexta-feira, 30 de julho, serão ministradas por sabedores e sabedoras de várias partes do Brasil e realizados entre agosto e novembro de 2021.

Além do Museu do Holocausto de Curitiba, a proposta tem em sua organização o Instituto Brasil-Israel (IBI), a Comunidade da Compreensão e da Restauração Ile Ase Sangoa (CCRIAS) e três instituições acadêmicas: as universidades federais de Mato Grosso (UFMT) e do Maranhão (UFMA), e a Universidade Estadual Paulista. São parceiros o Povo Chiquitano da terra indígena e aldeia Vila Nova Barbecho, a Associação da Comunidade Negra Rural Quilombo Ribeirão da Mutuca – ACORQUINRIM, o Coletivo Herdeiras do Quariterê, a Coordenação Nacional das Comunidades Rurais Quilombolas de Mato Grosso – CONAC/MT, o Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos (NIEJ/UFRJ), a Comissão de Defesa da Igualdade Racial da OAB/MT, a Associação da Comunidade Quilombola Porto Calvário e o Observatório Cultural do Maranhão.

 

Manifesto

Somado às atividades acadêmicas, o Museu do Holocausto de Curitiba assinou e vem divulgando, ao lado de instituições judaicas brasileiras, manifesto que pede ajuda internacional ao possível crime de genocídio em andamento no País. O documento, que pode ser lido na íntegra no link: https://bit.ly/3kUFuC4 vem, dia a dia, ganhando espaço na mídia e redes sociais.

 

O que é genocídio?

Em 9 de dezembro de 1948, as Nações Unidas aprovaram a Convenção do Genocídio, um acordo para prevenir o crime e punir aqueles que o planejam e executam. O texto define em seu artigo II que genocídio é qualquer um dos seguintes atos cometidos com a intenção de destruir, no todo ou em parte, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso, tal qual: (a) Matar membros do grupo; (b) Causar sérios danos físicos ou mentais aos membros do grupo; (c) Infligir deliberadamente ao grupo condições de vida calculadas para provocar sua destruição física total ou parcial; (d) Impor medidas destinadas a prevenir nascimentos dentro do grupo; (e) Transferir crianças do grupo à força para outro grupo.

 

Você sabia?

# No fim de junho deste ano, o Brasil foi citado pela primeira vez no Conselho de Direitos Humanos da ONU como um caso de risco de genocídio, devido aos crescentes crimes contra as populações indígenas. A menção foi feita por Alice Wairimu Nderitu, conselheira especial para prevenção de genocídio, em sessão regular do conselho. Em relatório no final de 2020, o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) já havia alertado que os casos de violência contra indígenas no Brasil praticamente dobraram em apenas um ano. Conforme o portal de notícias DW, a menção ao Brasil no Conselho de Direitos Humanos da ONU teria sido interpretada por observadores como um primeiro alerta para o governo federal de que o órgão estaria ciente das possíveis atrocidades cometidas contra indígenas, o que poderia dar fôlego à denúncia apresentada, ainda em 2019, contra o presidente da República, no Tribunal Penal Internacional, em Haia.

 

# Com a proposta de chamar a atenção para a existência dos indígenas, a ONU proclamou, através da Resolução 49/214 de dezembro de 1994, o Dia Internacional dos Povos Indígenas do Mundo, comemorado em 9 de agosto. Em 2021, a data abordará o tema: “Não deixando ninguém para trás: os povos indígenas e a convocação de um novo contrato social”. Conforme as Nações Unidas, entende-se por contrato social um acordo não escrito feito pelas sociedades para que haja cooperação a fim de que se obtenham benefícios sociais e econômicos. Em muitos países, onde os povos indígenas foram expulsos de suas terras, suas culturas e tiveram a língua denegrida e o povo marginalizado das atividades políticas e econômicas, tais povos nunca foram incluídos no contrato social, que teria sido feito pelas populações dominantes.

 

 

Serviço

As inscrições tanto para o Curso Aberto quanto para o Curso de Extensão podem ser feitas nos seguintes emails:

- UFMT: projetogenocidios@gmail.com

- UFMA: https://sigeventos.ufma.br/eventos/public/home.xhtml

- Museu do Holocausto de Curitiba: genocidios@museudoholocausto.org.br

Em relação à disciplina de Pós-Graduação, o contato é:

- UNESP/Assis: "Vozes contra os genocídios" - Programa de Pós-Graduação em Psicologia e Sociedade: https://www.assis.unesp.br/#!/ensino/pos-graduacao/aluno-especial/

Todas as atividades serão certificadas e haverá lista de frequência. O programa da disciplina de Pós-Graduação ou Curso Aberto está disponível em: https://bit.ly/3xg9dbj.

Prazo de inscrição: 30 de julho

Mais informações pelo e-mail projetosgenocidios@gmail.com; ou genocidios@museudoholocausto.org.br.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas